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Abaixo os ianques, viva a Rússia

O presidente Lula está reclamando do acordo militar entre Colômbia e Estados Unidos. Parece temer uma corrida armamentista na América Latina


Carlos Brickmann

02/08/2009 | 00:00


O presidente Lula está reclamando do acordo militar entre Colômbia e Estados Unidos. Parece temer uma corrida armamentista na América Latina.

O presidente Lula não reclamou nada, nadinha, quando a Venezuela, que já deslocou tropas para a fronteira da Colômbia, que já ameaçou intervir militarmente em disputas internas na Bolívia, fez um gigantesco acordo militar com a Rússia, comprando 36 moderníssimos caças supersônicos Sukhoi, cem mil fuzis Kalashnikov e cinco submarinos. Parece que, para a diplomacia brasileira, a aquisição de alguns bilhões de dólares de armas e munições pela Venezuela não provoca nenhum risco de corrida armamentista na América Latina.

Nas conversas sobre o acordo militar entre Estados Unidos e Colômbia, Lula disse que enviou carta ao presidente Barack Obama em que criticou a reativação da 4ª Frota americana, destinada a operar no Atlântico Sul.

Lula não fez críticas, em nenhum momento, às grandes manobras conjuntas de navios de guerra da Rússia e da Venezuela, também no Oceano Atlântico.

Um detalhe curioso é que as manobras conjuntas russo-venezuelanas foram reais. Já a 4ª Frota americana é virtual: até hoje, é apenas um escritório, uma estrutura meramente burocrática, sem qualquer navio, sem tropas. Graças a essa estrutura burocrática, a 4ª Frota pode ser montada rapidamente, com a transferência de barcos, armamentos e homens de outras regiões, mas isso nunca foi feito.

Ou seja: para o Brasil, Rússia e Venezuela podem. EUA e Colômbia, não.

AMANHÃ, TALVEZ OUTRO DIA
A trégua que não foi trégua está para terminar: está marcada para amanhã a reabertura das atividades parlamentares (mas justo na segunda-feira? Pode ser na terça, quem sabe). E começa o vale-tudo no Conselho de Ética do Senado: são onze representações contra o presidente da Casa, José Sarney, mais quatro contra o senador Arthur Virgílio, do PSDB amazonense, líder do partido (as principais por ter recorrido ao ex-diretor-geral do Senado, Agaciel Maia, para cobrir a conta de seu hotel em Paris, e por manter no seu gabinete, com salários e vantagens, um funcionário que passou um ano e meio na Europa). Considerando-se que o presidente do Conselho de Ética é segundo suplente de senador, que não teve um voto sequer para ganhar o mandato, e que já disse que não deve aceitar as acusações contra Sarney, talvez não aconteça nada. Mas haverá muita troca de lama.

CONFIABILIDADE
E quem disse que não se pode acreditar nos políticos brasileiros? Tremenda injustiça: no Conselho de Ética, cada um acusará seus adversários de abusar do dinheiro público. E todos estarão com a razão.

LULA, A CHARADA
Quando Lula diz que "não votou em Sarney para presidente do Senado", e "não votou em Sarney para senador pelo Maranhão", diz a verdade: não é senador, não vota no Maranhão e, aliás, Sarney não foi candidato pelo Maranhão, mas pelo Amapá. Mas que quer dizer a frase de Lula? Aparentemente, nenhum - exceto sair como vencedor em qualquer hipótese, seja a renúncia de Sarney, seja sua decisão de continuar lutando. O que Lula fala não se escreve (lembre o que falou de Collor, Maluf e Sarney, hoje seus aliados). Mas sempre se sai bem.

NORMA ESQUISITA
Uma Comissão de Sindicância, na Câmara, investiga a venda de passagens da cota dos deputados. O caso é considerado um escândalo: alguns parlamentares que não usaram sua cota de passagens as repassaram a empresas de turismo, com um bom desconto; e as passagens foram vendidas no mercado. É curioso, entretanto, que a venda de passagens seja tratada como escândalo, mas seja aceita numa boa a cessão a terceiros. O parlamentar que leva a namorada à Europa ou manda buscar amigos para visitá-lo em Brasília, comete a mesma irregularidade que quem vende a passagem. Nos dois casos, usa um instrumento criado para o serviço público para obter vantagem pessoal. Por que um parlamentar pode levar a família ao Exterior e não pode vender as passagens? É só para desviar a questão: passagem é para serviço, e pronto. O resto é bandalheira.



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Abaixo os ianques, viva a Rússia

O presidente Lula está reclamando do acordo militar entre Colômbia e Estados Unidos. Parece temer uma corrida armamentista na América Latina

Carlos Brickmann

02/08/2009 | 00:00


O presidente Lula está reclamando do acordo militar entre Colômbia e Estados Unidos. Parece temer uma corrida armamentista na América Latina.

O presidente Lula não reclamou nada, nadinha, quando a Venezuela, que já deslocou tropas para a fronteira da Colômbia, que já ameaçou intervir militarmente em disputas internas na Bolívia, fez um gigantesco acordo militar com a Rússia, comprando 36 moderníssimos caças supersônicos Sukhoi, cem mil fuzis Kalashnikov e cinco submarinos. Parece que, para a diplomacia brasileira, a aquisição de alguns bilhões de dólares de armas e munições pela Venezuela não provoca nenhum risco de corrida armamentista na América Latina.

Nas conversas sobre o acordo militar entre Estados Unidos e Colômbia, Lula disse que enviou carta ao presidente Barack Obama em que criticou a reativação da 4ª Frota americana, destinada a operar no Atlântico Sul.

Lula não fez críticas, em nenhum momento, às grandes manobras conjuntas de navios de guerra da Rússia e da Venezuela, também no Oceano Atlântico.

Um detalhe curioso é que as manobras conjuntas russo-venezuelanas foram reais. Já a 4ª Frota americana é virtual: até hoje, é apenas um escritório, uma estrutura meramente burocrática, sem qualquer navio, sem tropas. Graças a essa estrutura burocrática, a 4ª Frota pode ser montada rapidamente, com a transferência de barcos, armamentos e homens de outras regiões, mas isso nunca foi feito.

Ou seja: para o Brasil, Rússia e Venezuela podem. EUA e Colômbia, não.

AMANHÃ, TALVEZ OUTRO DIA
A trégua que não foi trégua está para terminar: está marcada para amanhã a reabertura das atividades parlamentares (mas justo na segunda-feira? Pode ser na terça, quem sabe). E começa o vale-tudo no Conselho de Ética do Senado: são onze representações contra o presidente da Casa, José Sarney, mais quatro contra o senador Arthur Virgílio, do PSDB amazonense, líder do partido (as principais por ter recorrido ao ex-diretor-geral do Senado, Agaciel Maia, para cobrir a conta de seu hotel em Paris, e por manter no seu gabinete, com salários e vantagens, um funcionário que passou um ano e meio na Europa). Considerando-se que o presidente do Conselho de Ética é segundo suplente de senador, que não teve um voto sequer para ganhar o mandato, e que já disse que não deve aceitar as acusações contra Sarney, talvez não aconteça nada. Mas haverá muita troca de lama.

CONFIABILIDADE
E quem disse que não se pode acreditar nos políticos brasileiros? Tremenda injustiça: no Conselho de Ética, cada um acusará seus adversários de abusar do dinheiro público. E todos estarão com a razão.

LULA, A CHARADA
Quando Lula diz que "não votou em Sarney para presidente do Senado", e "não votou em Sarney para senador pelo Maranhão", diz a verdade: não é senador, não vota no Maranhão e, aliás, Sarney não foi candidato pelo Maranhão, mas pelo Amapá. Mas que quer dizer a frase de Lula? Aparentemente, nenhum - exceto sair como vencedor em qualquer hipótese, seja a renúncia de Sarney, seja sua decisão de continuar lutando. O que Lula fala não se escreve (lembre o que falou de Collor, Maluf e Sarney, hoje seus aliados). Mas sempre se sai bem.

NORMA ESQUISITA
Uma Comissão de Sindicância, na Câmara, investiga a venda de passagens da cota dos deputados. O caso é considerado um escândalo: alguns parlamentares que não usaram sua cota de passagens as repassaram a empresas de turismo, com um bom desconto; e as passagens foram vendidas no mercado. É curioso, entretanto, que a venda de passagens seja tratada como escândalo, mas seja aceita numa boa a cessão a terceiros. O parlamentar que leva a namorada à Europa ou manda buscar amigos para visitá-lo em Brasília, comete a mesma irregularidade que quem vende a passagem. Nos dois casos, usa um instrumento criado para o serviço público para obter vantagem pessoal. Por que um parlamentar pode levar a família ao Exterior e não pode vender as passagens? É só para desviar a questão: passagem é para serviço, e pronto. O resto é bandalheira.

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