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Com doentes isolados pela Covid, enfermeiros ganham novas funções

André Henriques/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

No dia internacional da profissão, trabalhadores relatam que escuta dos pacientes se tornou ainda mais importante em meio à pandemia


Bia Moço
Do Diário do Grande ABC

12/05/2021 | 00:01


O alto risco de contaminação faz com que os pacientes infectados com o coronavírus fiquem isolados quando estão nos hospitais. As poucas interações que os doentes têm no ambiente hospitalar é com os enfermeiros, que ganharam protagonismo no tratamento da Covid. Agora, além de aplicar injeções, ministrar medicações e realizar exames, também são fundamentais para manter, na base da conversa, a confiança do paciente na luta contra a doença. Hoje, quando é celebrado o Dia Internacional do Enfermeiro, esses profissionais são homenageados em diversos centros médicos do Grande ABC.

Embora os enfermeiros pareçam heróis, a realidade é que por trás da roupa hospitalar e das marcas no rosto – devido ao uso extremo de máscaras – são pessoas comuns, têm famílias, medo de contaminação e sentem cansaço. Mas, embora o trabalho da linha de frente contra a Covid tenha tirado o sono, esses profissionais encaram a jornada como missão pela vida.

Um deles é Marcelo Franzé, 35 anos, que está na coordenação da enfermagem do hospital de campanha montado no Complexo Esportivo Pedro Dell’Antonia, em Santo André, desde abril de 2020. “A importância do enfermeiro na assistência prestada no hospital de campanha está voltada ao atendimento humanizado e à escuta humanizada. Sempre buscamos olhar o paciente como indivíduo que vai além da Covid, como pessoa que está vivendo algo diferente e tem medos. Não (trabalhamos) só pensando na técnica de enfermagem, nos medicamentos, mas também em prestar atendimento de qualidade”, garantiu.

Fanzé relatou que, por mais que estejam acostumados com o ambiente hospitalar e saibam o que precisam fazer para se prevenir, os profissionais também têm medo da contaminação, de morrer e de deixar suas famílias. “Temos visto essa pandemia como desafio que estamos buscando vencer e, também, cuidar dos nossos pacientes da melhor maneira possível”, garantiu.

Coordenadora de enfermagem do hospital de campanha do Dell’Antonia, Juliane Gentile Cherit, 58, reforçou que o trabalho da enfermagem na luta contra a Covid foi e continua sendo importante. “O desafio maior para nós, profissionais, é o medo de lidar com o desconhecido e de transmitir a doença em casa”, disse a profissional.

Como recado de celebração ao dia de sua profissão, Juliane pede que a população continue usando máscara, mesmo aqueles que estão vacinados, e que sigam com o isolamento e a higienização das mãos “Há um ano a característica da doença era uma e há uns meses a cepa mudou, são outras características, e veio com bastante violência. Não sabemos o que pode vir pela frente, continuem se protegendo que isso vai passar” salientou.

Profissionais também auxiliam na reabilitação

Além do trabalho nos hospitais, os enfermeiros são importantes nos atendimentos fora dos centros médicos, como nas atividades de reabilitação dos pacientes que superaram o novo coronavírus, mas ainda apresentam sequelas, principalmente as relacionadas à falta de mobilidade, o chamado pós-Covid.

O serviço é prestado pelas sete prefeituras da região e também em clínicas particulares. A reportagem do Diário acompanhou a rotina de reabilitação pós-Covid na Nobre Saúde, no Centro de Santo André, onde a equipe multidisciplinar realiza atendimento de transição e retaguarda, em alas subdivididas, sendo que parte atende pacientes de longa permanência e, a outra, os que precisam recuperar a autonomia em menor tempo, como é o caso das vítimas da Covid. Embora a recuperação dependa de diversos profissionais, a principal função fica a cargo dos enfermeiros, que medicam, auxiliam nos processos e acompanham o paciente desde a admissão até a alta.

A enfermeira Daniela Silva, 37 anos, relata que o trabalho é de “dedicação e luta”, mas “muito gratificante”. “Todo o atendimento envolve um paciente já debilitado e sua família, que está, normalmente, muito angustiada. Eles chegam para nós com limitações decorrentes do período de internação e passamos muito tempo com eles, mas, felizmente, temos trabalho no qual um (profissional) depende do outro e, juntos, conseguimos ver histórias lindas de superação”, contou, emocionada.

Um desses casos é o do paciente Flavio Henrique Miranda, 31, que depois de 23 dias internado na Nobre, hoje voltará para casa. Sua luta contra a Covid começou no dia 12 de março, quando descobriu a contaminação, apresentou pioras e passou 30 dias internado, sendo que 16 deles ele não lembra, já que estava sedado e entubado. Quando realizou o processo de extubação, acordou sem força, não conseguia se alimentar nem falar. Foi quando foi encaminhado para a reabilitação.


“Na clínica, em uma semana já estava levantando. Voltei a comer, a falar e agora vou para casa bem de verdade. Tudo que passei serviu para que eu repensasse a vida”, afirmou, contando que, ao sair da entubação, nem de pé conseguia ficar. “Sou muito grato aos profissionais que cuidaram de mim, tanto na internação quando estava com Covid, como agora na recuperação”, disse o caminhoneiro, salientando a atenção dos enfermeiros. “São excelentes profissionais e se tornaram amigos”, afirmou.

Uma das novas amigas que Flavio ganhou foi a enfermeira Daniela, que disse amar a profissão e deixou um recado para os demais colegas de trabalho. “Aos amigos enfermeiros e técnicos de enfermagem, não desistam. Nossa profissão é linda, preciosa e insubstituível”, afirmou Daniela.  



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