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‘A população brasileira é ignorante’, diz Timóteo


Sérgio Vieira
Do Diário do Grande ABC

30/09/2007 | 07:06


“Dou nota máxima para minha atuação como parlamentar.” Foi desta forma, sem rodeios nem modéstia, que o polêmico Agnaldo Timóteo (PR), vereador da Capital, definiu sua atuação no Legislativo. O político-cantor, 71 anos, diz que odeia demagogia e não mente a seu eleitor. Se considera um ‘bicho-do-mato’ e garante não estar preparado para ser candidato a prefeito de São Paulo. Apesar de dizer que tentará mais um mandato, no ano que vem, não poupa críticas ao seu público-alvo. “A população brasileira é ignorante. O povo não tem educação.” Sem definição no Grande ABC, disse que poderia apoiar quem o procurar. “Virei com carinho.”

Mesmo após ter deixado o PP – em maio de 2006 –, continua defensor ferrenho do deputado federal Paulo Maluf. Diz que ele deveria ter coragem de chamar seus eleitores de traidores. “Ele deveria ter 4 milhões de votos. Não se anda em São Paulo sem passar por suas obras. Será que o eleitor é cego?”

DIÁRIO – O sr. será candidato à reeleição ou tentará a Prefeitura de São Paulo?

TIMÓTEO – Só à reeleição. Não quero outra coisa. Assim você está perto dos problemas. Não tenho nenhuma estrutura para ser prefeito. Não tenho habilidade para compor. Sou bicho-do-mato. Não estou preparado para governar uma das maiores cidades do mundo.

DIÁRIO – O sr. foi muito criticado por admitir, logo que assumiu, que não conhecia São Paulo. Ainda sofre problemas com isso?

TIMÓTEO – Quantos milhões de brasileiros que não nasceram em São Paulo e vivem aqui? Sou de Caratinga, Minas Gerais. São Paulo é a capital dos brasileiros. Atribuo isso a questionamentos preconceituosos. Me dou o direito de questionar posicionamentos da imprensa, que considero perversos.

DIÁRIO – O sr. é autor de um projeto que determina que todas as subprefeituras tenham botes para salvar pessoas durante enchentes. Essa é a melhor solução para o problema?

TIMÓTEO – Imagine uma mulher em um carro chamando socorro. Se a subprefeitura tiver uma certa quantidade de botes, estas pessoas não passarão aperto. O mundo é igual. Quando chove em Nova York ou Paris, é a mesma coisa. Entope tudo, o trânsito vira uma bagunça. Nós somos muito desrespeitosos com a natureza. A culpa é nossa por essas dificuldades.

DIÁRIO – Na sua opinião, a população é responsável por esses problemas?

TIMÓTEO – A população é desrespeitosa, egoísta, ignorante. Veja no trânsito. Tudo isso poderia acabar desde que se conseguisse, por meio do governo e dos meios de comunicação, uma linguagem em que todos se respeitem. O povo não tem educação. Nós somos grosseiros.

DIÁRIO – Qual a sua análise sobre o fato de os 40 acusados de fazerem parte do Mensalão terem sido considerados réus pelo STF (Supremo Tribunal Federal)?

TIMÓTEO – Os membros do Supremo são seres humanos e, como tal, se deixam render pela mídia. Eles foram pressionados sim. A Justiça se rende à pressão da mídia. Como se pode aceitar denúncia contra 40 cidadãos sem um prova, nem material, nem fotográfica?

DIÁRIO – Então, o sr. acha que o Mensalão não existiu?

TIMÓTEO – Como alguém vai provar se existiu? Não se mostrou nenhuma retirada de R$ 20 mil, como disse o Roberto Jefferson. O Severino Cavalcanti (ex-presidente da Câmara, que renunciou por suspeita de corrupção) disse que os R$ 10 mil recebidos de um empresário, dono de um restaurante na Câmara, foram para ajuda na campanha do seu filho, mas a imprensa não, disse que foi suborno. E ele, que foi 1º secretário da Câmara e administrou R$ 8 bilhões, teve de sair por causa de R$ 10 mil. Ou você é ingênuo ou você é cínico. Agora querem a cabeça do Renan Calheiros.

DIÁRIO – Mas o sr. não acha que ele explicou mal as denúncias sobre seus rendimentos?

TIMÓTEO – Não. Um homem que tem fazendas não precisa ficar provando que tem condições de pagar R$ 2.000l por mês à mulher. Agora tem de ficar o tempo todo provando. Ele tinha de ser absolvido, já que não havia uma prova contra ele.

DIÁRIO – E quanto ao Paulo Maluf?

TIMÓTEO – Disse recentemente para ele que tenha coragem de dar um pito nos seus eleitores e chamá-los de traidores. Não é possível que muitos prefiram acreditar na imprensa. Não temos direito de ser covarde. E o eleitor dele foi covarde, que preferiu acreditar nas denúncias que surgiram desde 1984. Ele apanha e não provam nada contra ele.

DIÁRIO – Mas como o eleitor o traiu se ele teve quase 740 mil votos?

TIMÓTEO – Ele deveria ter 4 milhões de votos. O Enéas já teve 1,5 milhão de votos. E o que ele fez por São Paulo? Não se anda sem passar em obras do Maluf. O eleitor é cego? Por que ser tão perverso?

DIÁRIO – Aquele episódio em que o sr. foi proibido de vender seu CD em praças de São Paulo antes de ser eleito ainda o incomoda?

TIMÓTEO – A Marta (Suplicy, ex-prefeita e hoje ministra do Turismo) não me proibiu. Ao contrário. Ela achou bárbaro a idéia e me autorizou a vender. Aí apareceu um fiscal, que criou uma quizumba comigo. Por causa disso, me candidatei a vereador e já tive um projeto aprovado que permite a comercializaçãode CDs em praças públicas, que se chama Projeto Adoniran Barbosa.

DIÁRIO – E se hoje algum fiscal o impedir de comercializar seu CD?

TIMÓTEO – Eu mando prendê-lo. Agora sou vereador.


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