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Taylor se despede da Presidência e da população da Libéria


Da AFP

10/08/2003 | 14:06


O presidente da Libéria, Charles Taylor, que prometeu abandonar o poder na segunda-feira, deve se despedir do cargo e da população na tarde deste domingo, num último discurso por rádio, no momento em que seu porta-voz acusa os Estados Unidos de "encobrir" os saques cometidos pelos rebeldes do grupo Liberianos Unidos para a Reconciliação e a Democracia (Lurd) no porto de Monróvia.

No entanto, as duas emissoras de rádio da capital liberiana permaneciam em silêncio neste domingo por causa da falta de combustível para seus geradores, única fonte de eletricidade em Monróvia, cercada há dois meses pelos rebeldes do Lurd.

Ex-líder de guerra, eleito presidente em julho de 1997, Taylor, que controla menos de 20% do território liberiano, prometeu ceder o poder a seu vice-presidente, Moses Blah.

Por outro lado, o porta-voz de Taylor, Vanii Passewe, atacou neste domingo a imprensa, acusando os jornalistas de destacarem muito o fato de o presidente abandonar o cargo. "A notícia não é a mudança de regime, mas a transição da guerra para a paz", disse.

Pelo menos três chefes de Estado africanos, o de Gana, John Kufuor, atual presidente da Comunidade Econômica de Estados de África Ocidental (Cedeao), o presidente de Moçambique, Joachim Chissano, que comanda a União Africana, e o presidente sul-africano Thabo Mbeki, chegarão a Monróvia na segunda-feira para assistir à posse de Blah.

Neste domingo, Taylor se reuniu com seu vice-presidente e com o general nigeriano Festus Okonkwo, comandante da missão da Cedeao na Libéria (ECOMIL), que enviou um batalhão de soldados nigerianos ao país em 4 de agosto.

No sábado, uma delegação de oficiais da ECOMIL e do Exército americano visitou o porto de Monróvia, que está sob o controle dos rebeldes desde o dia 19 de julho, para tentar convencer o Lurd a abrir um acesso a este ponto vital da capital, totalmente privado do abastecimento de produtos essenciais há três semanas.

Porém, os rebeldes insistem que as organizações humanitárias podem visitar a qualquer momento a área controlada por eles. Além disso, afirmam que não abandonarão suas posições enquanto Taylor estiver na Libéria.

"Os americanos estão acobertando o Lurd, que saqueia o porto", acusou Vanii Passewe. Um jornalista da AFP comprovou que os depósitos do Programa Alimentar Mundial (PAM) e da empresa americana de pneus Firestone, que estavam cheios há dois dias, foram saqueados.

Se tudo acontecer como está previsto, Taylor deve se exilar na Nigéria, cujo presidente, Olusegun Obasanjo, lhe prometeu asilo político, apesar da acusação de crimes de guerra e contra a humanidade, apresentadas por um tribunal especial de Serra Leoa.

A Libéria, cenário de uma guerra civil desde 1989, pode enfrentar a anarquia e o caos depois da saída de Taylor, segundo o ministro liberiano da Economia, Sam Jackson. "O que a comunidade internacional acredita que pode acontecer a partir de segunda-feira?", perguntou Jackson.



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