Fechar
Publicidade

Domingo, 29 de Maio

|

Max º Min º
Clima da Região Trânsito Assine Clube do Assinante Diário Virtual Login

cultura@dgabc.com.br | 4435-8364

Poder da afetividade sob a ótica de Arap



29/09/2007 | 07:05


Ao dirigir a primeira montagem de O Assalto, em 1969 no Rio, Fauzi Arap não só tirou do ineditismo o talentoso dramaturgo José Vicente (1945-2007) como salvou da falência o Teatro Ipanema, de Rubens Corrêa, que teve grande importância na década 1970. Sempre atuante, dirigiu shows e peças, escreveu, interpretou. Em 1997, voltou a José Vicente, com a peça Santidade, e chamou atenção para o talento de ator do dramaturgo Mário Bortolotto.

Fauzi Arap é assim, sempre capaz de jogar o foco sobre algo que merece ser visto, sobre um tema pelo qual vale refletir. É o que volta a fazer hoje,

desta vez como autor, com a peça Chorinho, escrita ano passado, que estréia

no Espaço dos Parlapatões com Cláudia Mello e Caio Blat no elenco. A si próprio,

Fauzi reserva o papel de co-diretor, em parceria com Marcos Loureiro, conhecido

por quem acompanha a cena teatral pela ótima direção de Hotel Lancaster, de Bortolotto.

No palco, Cláudia e Caio vivem dois personagens que se encontram numa praça pública, espaço por excelência da convivência de diferentes classes sociais. No caso da peça, a relação que sutilmente vai nascendo, não sem poucos atritos, entre uma mulher de classe média e um morador de rua, muda a vida de ambos.

Não, o autor não escorrega numa nostalgia utópica. A praça em questão nada tem do antigo espaço de convivência. Trata-se de uma praça cercada por grades e o rapaz vivido por Caio só consegue dormir ali porque se esconde à noite.

Ela, uma mulher solitária, mora na vizinhança, conversa com as plantas e assim desperta o carinho do rapaz, que reconhece nela alguém que cuida de ‘sua casa’.

Mas, como a maioria dos mortais, ela preferiria que ele se mandasse com seus trapos e sua figura que ‘enfeia’ o local e estraga o prazer de quem, como ela, por ali quer caminhar em paz.

No início do ano, a peça foi lida por Cláudia e Caio no auditório do Masp. “Eu nem estava presente, mas disseram que a reação do público foi de muito riso no início, e forte emoção nas cenas finais”, conta Fauzi. Tal reação, claro, estimulou a luta pela montagem. Uma série de coincidências, a suspensão do programa A Diarista, no qual Cláudia Mello trabalha, e o adiamento do início das gravações de um filme no qual Caio Blat teria grande participação, possibilitaram iniciar agora a temporada na vaga que também surgiu por acaso no teatro dos Parlapatões.

“Sou de um tempo em que conversávamos na praça sem medo”, diz Fauzi. A julgar pelo ensaio, o que comove na peça é a clareza com que se detecta, na ação e não no discurso, o poder de cura de uma troca afetiva. A praça apenas permite o encontro de diferentes. “É o espaço de um psicodrama espontâneo”, observa Fauzi.

Chorinho – No Espaço Parlapatões – Praça Franklin Roosevelt, 158. Tel.: 3258-4449. Ingr.: R$ 30. Sáb., 21h; dom., 20h. Até 11 de novembro.


Quer receber em primeira mão as notícias das sete cidades do Grande ABC?

Entre no nosso grupo de WhatsApp. 
Clique aqui.
 

Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.


Copyright © 1995-2017 - Todos direitos reservados

;