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Livro de poetas anônimos guarda surpresas


Alessandro Soares
Do Diário do Grande ABC

10/08/2002 | 16:04


No ano do centenário de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), novos poetas deixam seu anonimato e expõem sua visão de mundo em Poética Social – Tempos Perplexos, livro de 46 páginas editado pelo Departamento de Cultura/Prefeitura de Diadema. Esta edição, lançada durante a Semana da Poética Social em Diadema, presta uma homenagem ao poeta mineiro.

De Drummond, é publicado na abertura do livro o poema O Sobrevivente: “Um sábio escreveu a O Jornal que ainda falta/ muito para atingirmos um nível razoável de cultura./ Mas até lá, felizmente, estarei morto (...)./ Inabitável, o mundo é cada vez mais habitado./ E se os olhos reaprendessem a chorar seria um segundo dilúvio./ (Desconfio que escrevi um poema)”.

É uma introdução para as propostas dos poemas de 18 autores de 17 a 48 anos, naturais da Bahia, do Chile, do interior de São Paulo, da capital e da própria Diadema, onde vivem. Todos participaram das oficinas de literatura ministradas de 1999 a 2001 pela escritora Beth Brait Alvim, assessora de Literatura da Prefeitura de Diadema, que selecionou e organizou o livro. O prefácio é do escritor Cláudio Willer.

Os poemas têm conteúdo social e político, propositalmente trabalhados, mas não só. “O que se vê nesses poemas é uma tomada de atitude e reflexão para as mudanças de paradigma da modernidade. Os alunos não suportam os dados negativos que deterioram o convívio humano. Essa degradação no sentido de vida que levamos no Brasil forma um postura, um pensamento, uma coragem que nunca vi em nenhum lugar”, afirma Beth.

Todos os estilos literários foram abordados nas aulas e os poemas refletem sobretudo as impressões do meio em que vivem. “Globalização e territorialização. Isto é, o poeta tem consciência de que pertence à massa, mas faz parte de uma tribo”, disse.

Poetas como o paulistano Zózimo Adeodato, 23 anos, e a baiana Radi Oliveira, 21. Os dois escreviam, mas não conheciam literatura. Descobriram que produziam poemas nas oficinas. “Eu lia pouco, mas gostava de escrever. Aprendi a lapidar as coisas e a relação com as palavras”, afirma Radi. “Antes das oficinas, escrevia alguma coisa, mas não achava tudo muito poético. Eu já tinha o princípio, precisava fazer isso fluir”, disse Adeodato. E como se protagonizassem um soneto, trocaram poemas e iniciaram um romance durante as oficinas. Hoje, estão casados.

Tempos Perplexos foi editado em 3 mil exemplares a serem distribuídos para os autores, para as 12 bibliotecas municipais de Diadema e para bibliotecas públicas da região.



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