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Cabaceiras: a Roliúde Nordestina


Heloísa Cestari
Do Diário do Grande ABC

20/10/2011 | 07:07


Outro destino que deverá servir de pano de fundo para Aquele Beijo é Cabaceiras, na Paraíba. E esta não é a primeira vez que a cidade ganha as telas. O letreiro Roliúde Nordestina já revela a vocação do vilarejo para as artes cênicas. Foi lá que rodaram os principais filmes nacionais ambientados no sertão, como Cinema, Aspirinas e Urubus, Canta Maria, O Auto da Compadecida, Eu Sou o Servo, São Jerônimo, Viva São João e O Romance de Tristão e Isolda, entre outros.

Histórias dos sets de filmagem desses e de outros longas-metragens gravados ali, com destaque para a festa do Bode Rei, podem ser conferidas no memorial cinematográfico montado em um casarão do século 19 no centro do pequeno município, de apenas 4.240 habitantes, localizado a 83 quilômetros de Campina Grande.

No total, Cabaceiras já serviu de cenário para 18 filmes nacionais. O primeiro deles foi A Ferração dos Bodes, em 1924. De lá para cá, cineastas perceberam que sua localização geográfica reúne uma das melhores condições naturais no Brasil para a realização de um filme. Para começar, tem baixa precipitação, ou seja, sol sempre em alta e céu com pouquíssimas nuvens, o que garante maior tempo de luz natural para as filmagens.

A própria placa impressiona, com letras de 80 metros de comprimento por cinco de altura superiluminadas. A ideia é transformar a região em um valioso polo cinematográfico e turístico. Mas novela é novidade.

Um cenário foi montado no Lajedo do Pai Mateus para ambientar tomadas da trama de Miguel Falabella interpretadas por Diogo Vilela e Bia Nunes. Um detetive chamado Mário chega à localidade perguntando por dona Damiana Barbosa, procurada pelo irmão que há muito tempo não a via, o seu Felizardo.

Considerado o principal cartão-postal da região, o conjunto de formações rochosas é cortado por várias trilhas que levam a inscrições rupestres. O passeio de uma hora, acompanhado por guia do hotel-fazenda Pai Mateus, custa R$ 5, com acesso pela Estrada para Boa Vista.

O percurso sai da sede da fazenda - passando pela Saca de Lã, Lagoa de Bento, Lajedo da Salambaia e pelo Sítio do Bravo - é apontado por esportistas como um dos melhores trajetos para mountain bike em terreno rochoso no Brasil. Suas qualidades são comparáveis à famosa Slick Rock Trail, de Moab, em Utah, considerada a melhor trilha dos Estados Unidos.

A região é formada por 100 imensos blocos arredondados de granito que se estendem por uma elevação de um quilômetro. Das poucas regiões do mundo com características geológicas semelhantes (Devil's Marbles, no Outback Australiano; Erongo Mountains, na Namíbia e Hoggar, na Argélia), esta é a mais intocada e valiosa, não só pela beleza como pelo fato de ter sido centro cerimonial ou local sagrado para os povos indígenas pré-históricos que habitaram a região por pelo menos 10 mil anos, atraindo místicos de várias partes do País em busca de energias positivas e do belo pôr do sol no Pai Mateus.

O produtor da Rede Globo, Waldemir Pessoa, diz que também serão feitas cenas na capital, João Pessoa. Em reunião com representantes da prefeitura, a equipe da Rede Globo acertou detalhes para gravações no centro histórico, rodoviária, aeroporto, praias urbanas e na estação Cabo Branco.

 

 

 

ONDE BODE É REI!

Com um pé no sertão e outro no litoral, a comida paraibana é caracterizada pela presença de frutos do mar e outros ingredientes cheios de ‘sustância', como dizem os nativos. Para o turista que pretende emagrecer, ou simplesmente manter-se de bem com a balança, um conselho: fuja dos pratos típicos, famosos pelo paladar acentuado e pelo alto teor calórico. Como no sertão tem-se o hábito de acordar cedo, os pesados excessos à mesa começam logo no café da manhã, servido por volta das 4h para que o sertanejo parta cheio de energia para mais um suado dia de trabalho no campo. Por isso, não se espante se lhe oferecerem uma buchada de bode com feijão-de-corda logo para o desjejum.

A carne de bode, aliás, é uma constante nas mesas paraibanas. Em São Francisco e Cabaceiras, o ingrediente é tão apreciado que chega a ser motivo de comemoração: as tradicionais festas do bode, onde o bicho ganha os cardápios nos mais variados sabores, seja assado, frito ou em forma de guisado.

O principal festejo ocorre em junho, enquanto o resto do Nordeste celebra São João. Na ocasião, o bode é coroado como rei dos animais do Cariri, em função da sua importância na economia da região e de sua capacidade de resistência e adaptação à seca.

E não é para menos: embora possua pouco mais de 4.000 habitantes, Cabaceiras e reúne o terceiro maior rebanho da Paraíba, com mais de 20 mil cabeças.

Para assistir à coroação, a cidade recebe cerca de 50 mil visitantes, que se espalham pela festa. No Parque do Bode, há uma feira de animais com outros bichos. E a praça do Bode Rei é destinada a apresentações folclóricas de companhias de dança, grupos de reisado, quadrilhas e pista de forró pé de serra, além do bumba meu bode - grupo teatral que sai pelas ruas puxado pela figura do bode rei.

O bode é realmente coroado: a cerimônia acontece na praça do Bode e termina com um desfile pelas ruas da comitiva real Bode Rei, Cabra Rainha, príncipe e princesa (leia-se cabritinho e cabritinha).

 

OPÇÕES

Para o turista que prefere não ver tudo acabar em bode, a culinária paraibana também oferece opções que descartam a ilustre presença do bichinho, como o arroz de leite, o baião de dois (feijão e arroz cozidos juntos) e o rubacão, feito com feijão, arroz, carne-seca, queijo coalho e legumes.

O leque de receitas vigorosas também abrange pratos próprios dos Estados nordestinos, a exemplo do sarapatel, da fava e da paçoca - que consiste na carne-de-sol, assada e desfiada, socada no pilão com farinha, ou seja, em nada lembra o doce feito com amendoim.

Para a sobremesa, por sua vez, as pedidas mais tradicionais são queijo assado com mel do engenho, tapioca, cuscuz, pamonha e coalhada com rapadura e farinha, além, é claro, dos sorvetes de frutas típicas, como cajá, graviola, coco, cupuaçu e castanhas: uma alternativa e tanto para o turista se refrescar do calor sem exagerar nas calorias.

 

ONDE FICAR

Fazenda Pai Mateus (Cabaceiras) - Possui 28 chalés com ar-condicionado, sauna, lago para pesca, hípica e piscina, além das trilhas pelo lajedo. A diária inclui taxa do guia para visita ao sítio arqueológico e passeios pela região. Tel.: (0xx83) 3356-1250. Site: www.paimateus.com.br.



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