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São Bernardo tem missa afro


William Glauber
Do Diário do Grande ABC

26/11/2006 | 22:24


Entoadas fortes, sorrisos largos, batuques compassados e corpos gingados marcaram a Missa Afro da 1ª Festa da Consciência Negra do Parque São Bernardo e Região. Em homenagem à memória de autêntico herói da história do país – Zumbi dos Palmares –, cerca de 200 pessoas se reuniram ontem pela manhã na quadra da Escola Estadual Palmira Gracioto para elevar preces aos céus e clamar por justiça social na Terra.

Todos louvores e leituras resgataram o tema da liberdade e da igualdade racial no intento de combater o preconceito e abolir a discriminação. Negros e brancos clamaram por um mundo novo, repleto de paz e justiça. Em ambiente alegre e colorido, homens e mulheres, meninos e meninas, todos em comunhão, abraçaram-se na fé e na esperança de uma realidade plenamente transformada.

“Axé a todos”, desejou o organizador da festa, Benedito da Silva Lemes, nos instantes iniciais do rito. Consciente da história, o Ditinho da Congada, como é conhecido, comparou o evento às lutas revolucionárias do grande líder negro. “Quando Zumbi dos Palmares teve a idéia de fugir para trás dos morros, buscou liberdade. E, hoje, os morros continuam aí. Os quilombos existem e são as favelas. Para mudar, sabemos que ninguém conscientiza ninguém, mas as pessoas se sensibilizam.”

A oradora da missa Lourdes Mesquita, que colaborou na condução do rito, também criticou a realidade atual do país e fez o resgate histórico para desconstruí-la. “Todos somos torturados por um Brasil ainda colônia. Somos escravizados porque somos pobres”, denunciou a líder da comunidade de São Bernardo. “Deus criou o homem para ser livre e devemos reconhecer que existe a cegueira em relação à etnia e ao gênero”, disparou.

A partir daí, a emoção e o misticismo falaram mais forte. Nossa Senhora da Conceição Aparecida – padroeira negra do maior país católico do planeta – recebeu o carinho dos fiéis ao ser acolhida como a mãe de Jesus Cristo, o Salvador. A Bíblia – fundamento da milenar da cultura judaico-cristã – foi apresentada ao altar em ritmo dançante, alegre, mas, sobretudo, respeitoso.

Na mesma embalada, seguiram os frutos e os elementos do trabalho humano que foram apresentados como oferendas no altar. De mãos dadas, em sintonia, todos repetiram, em canto, a oração que Cristo deixou aos homens a fim de que se comunicassem diretamente com o Pai. No final, os fiéis comungaram da Eucaristia, na forma de pão e vinho.

Passado o momento espiritualizado, a 1ª Festa da Consciência Negra continuou com atividades culturais ao longo do dia. Na quadra, passaram apresentações de chorinho, samba, pagode, capoeira e congada, entre outros.


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São Bernardo tem missa afro

William Glauber
Do Diário do Grande ABC

26/11/2006 | 22:24


Entoadas fortes, sorrisos largos, batuques compassados e corpos gingados marcaram a Missa Afro da 1ª Festa da Consciência Negra do Parque São Bernardo e Região. Em homenagem à memória de autêntico herói da história do país – Zumbi dos Palmares –, cerca de 200 pessoas se reuniram ontem pela manhã na quadra da Escola Estadual Palmira Gracioto para elevar preces aos céus e clamar por justiça social na Terra.

Todos louvores e leituras resgataram o tema da liberdade e da igualdade racial no intento de combater o preconceito e abolir a discriminação. Negros e brancos clamaram por um mundo novo, repleto de paz e justiça. Em ambiente alegre e colorido, homens e mulheres, meninos e meninas, todos em comunhão, abraçaram-se na fé e na esperança de uma realidade plenamente transformada.

“Axé a todos”, desejou o organizador da festa, Benedito da Silva Lemes, nos instantes iniciais do rito. Consciente da história, o Ditinho da Congada, como é conhecido, comparou o evento às lutas revolucionárias do grande líder negro. “Quando Zumbi dos Palmares teve a idéia de fugir para trás dos morros, buscou liberdade. E, hoje, os morros continuam aí. Os quilombos existem e são as favelas. Para mudar, sabemos que ninguém conscientiza ninguém, mas as pessoas se sensibilizam.”

A oradora da missa Lourdes Mesquita, que colaborou na condução do rito, também criticou a realidade atual do país e fez o resgate histórico para desconstruí-la. “Todos somos torturados por um Brasil ainda colônia. Somos escravizados porque somos pobres”, denunciou a líder da comunidade de São Bernardo. “Deus criou o homem para ser livre e devemos reconhecer que existe a cegueira em relação à etnia e ao gênero”, disparou.

A partir daí, a emoção e o misticismo falaram mais forte. Nossa Senhora da Conceição Aparecida – padroeira negra do maior país católico do planeta – recebeu o carinho dos fiéis ao ser acolhida como a mãe de Jesus Cristo, o Salvador. A Bíblia – fundamento da milenar da cultura judaico-cristã – foi apresentada ao altar em ritmo dançante, alegre, mas, sobretudo, respeitoso.

Na mesma embalada, seguiram os frutos e os elementos do trabalho humano que foram apresentados como oferendas no altar. De mãos dadas, em sintonia, todos repetiram, em canto, a oração que Cristo deixou aos homens a fim de que se comunicassem diretamente com o Pai. No final, os fiéis comungaram da Eucaristia, na forma de pão e vinho.

Passado o momento espiritualizado, a 1ª Festa da Consciência Negra continuou com atividades culturais ao longo do dia. Na quadra, passaram apresentações de chorinho, samba, pagode, capoeira e congada, entre outros.

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