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Apelidos chamam votos


Miriam Gimenes
Flávia Braz
Especial para o Diário

31/07/2006 | 07:50


Zé Biruta; Mestre Xamã, Banha, Papai-noel e Tremendão; Gastão, Cowboy do Asfalto, Pezão e Raul Seixas; Gaguinho e Billy Jackson. Quem pensa que se trata de um time de várzea está enganado. Esta é a seleção de nomeações inusitadas que os candidatos a deputado estadual e federal usarão nestas eleições. Com um "nome da urna" diferenciado – registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) – eles acreditam ter mais chance de vencer o pleito.

O marqueteiro Carlos Manhanelli reitera o argumento afirmando que a adoção de um apelido é sugerido por profissionais para alavancar a candidatura. "Com isso o candidato acaba tendo uma integração com quem o apóia, e isso reverte-se em votos".

No Grande ABC, o vereador de Ribeirão Pires, Edson Savietto (Psol) ganha destaque quando o assunto é seu nome de urna. Aspirante a uma cadeira na Assembléia Legislativa, Savietto, mesmo sendo chamado de Banha, não faz mais jus ao apelido. "Eu era bem gordinho e os meninos me chamavam assim", diz. Hoje, no entanto, o apelido rende apenas votos. "Chama a atenção de uma forma positiva. É assim que sou conhecido", analisa.

Marca registrada – Um exemplo de uso da "marca registrada" é o candidato a deputado federal Wagner dos Santos (Psol-São Paulo), o Cowboy do Asfalto. Por ser a primeira vez que candidata-se a um cargo político, ele pretende fazer uso de seus contatos pessoais para atingir o eleitorado. "Sempre convivi com os caminhoneiros, já que rodei o país todo durante quinze anos e vou sempre a rodeios", explica.

Já o pedetista de Ferraz de Vasconcelos, José Carlos Fernandes Chacon, o Zé Biruta, que também concorre a uma cadeira no Congresso, tem esse apelido desde a infância. "Eu era travesso e todos me chamavam de Biruta", diz. Chacon afirma que o nome nunca o atrapalhou. "Muitos pensam: vou votar nesse Biruta mesmo, e aí eu ganho", brinca.

No caso de Hélio Proença Gonçalves, ou simplesmente Hélio Gaguinho, que concorre ao pleito de federal pelo PV de São Paulo, um problema de dicção acabou se tornando parte do nome. "Eu era muito gago, chegava a morder a língua de tanto que gaguejava", conta já curado. "Fiz um curso de oratória e eliminei 90% do problema".

Há também quem aposte no setor religioso. É o caso de Adirson da Silva (PTB-São Paulo), o Mestre Xamã, candidato a federal. "Sou um sacerdote indígena e não existe no Congresso nenhum do meu segmento", diz. Segundo ele, Xamã quer dizer bruxo "do bem". Outro candidato, José Carlos Magalhães Borges, o Tremendão, tem o apelido por ser parecido com Erasmo Carlos, ídolo da Jovem Guarda conhecido por este nome.

Já Osvaldo Hansel Albaran (PTN- Mineiro de Tietê), o Papai-noel, adotou a imagem do bom velhinho, mesmo tendo 37 anos, por gostar de se fantasiar no Natal.

O metalúrgico Osvaldo Luiz Romão (PT-Suzano), conhecido como Gastão ostenta o apelido desde a infância. Nenhum problema, se o personagem em questão não fosse candidato a deputado estadual. O apelido, segundo ele, é resultado de suas constantes idas à mercearia quando era garoto. "Comprava muito doce e o dono da mercearia falou que eu era muito gastão. Aí pegou", conta, garantindo ser econômico hoje em dia.

Foi também na infância que outro concorrente a uma vaga na Assembléia deixou para trás seu nome de batismo. Carlos Roberto da Silva? "Não, é Pezão mesmo", diz o candidato do PL de Poá. A origem do apelido, segundo ele, é resultado dos tênis grandes que usava quando criança. "Para durar mais", justifica Pezão, que continua usando sapatos grandes. "Eu calço 44, o pé cresceu de verdade", afirma.

Artistas no pleito – Engana-se quem pensa que os pleitos fazem-se apenas de homens de terno e gravata. Que o digam Raul Seixas e Billy Jackson: ambos artistas, cantores e candidatos a estadual. Cecilio Garcia Espósito (PAN-Marília) canta Raul Seixas. "Tem muita gente que diz que somos parecidos", afirma o cover. A história se repete com Romildo dos Santos, ou melhor, Billy Jackson (PRTB-São Paulo). "Há 15 anos eu era o cover oficial do Michael Jackson no Brasil e esse era meu nome artístico." Os apelidos pegaram no rol familiar e entre amigos, resta saber se serão adotados pelos eleitores.

Urna eletrônica
"Aqui quem fala é o Amor Presente". É com essa frase que o candidato a deputado estadual pelo PL paulista, Mauro Inácio Alves atende o telefone da sua casa. Não trata-se de nenhum tipo de piada, mas de seu nome de campanha. Chamar a atenção é a estratégia do novato candidato. "Sou conhecido como 'É o Amor Presente' há 15 anos, virou um apelido", conta. Inevitável questioná-lo: Mas por quê? "É simples. Sou filho do Amor Total (Deus)", explica-se. Mauro garante, no entanto, que sua intenção não é atingir um eleitorado religioso.

Nem todos os apelidos surgem de forma espontânea, principalmente quando numa campanha política. Que o diga Douglas dos Santos, ou como ele mesmo intitula-se Douglas Sempre, que disputa uma vaga na Câmara dos Deputados pelo PDT de Embu. "Faz uns cinco anos que uso esse nome, mas não é propriamente um apelido. É que meu nome tem muitos homônimos e isso acaba me prejudicando, então agreguei isso ao nome de propósito", conta. Aluno de filosofia, Douglas Sempre, que já disputou sem sucesso a Câmara Municipal, acredita que esse apelido trará sorte. "Fiquei bem conhecido por aqui com esse nome", diz.

Há 12 anos tentando uma colocação política, Reynaldo Panella Junior aposta em uma nova estratégia de campanha para o pleito de outubro, no qual disputa uma vaga na Assembléia pelo PSC de São Paulo. Desta vez, o nome de batismo será deixado de lado para dar lugar ao vulgo eleitora criado por elel Boca da Verdade. "É só abrindo a boca que conseguimos mudanças", afirma. O apelido, segundo ele, existe há cerca de três anos, mas nunca foi utilizado em uma disputa eleitoral. Para ele, o nome é um "atrativo a mais". "É algo contra a corrupção, por isso que foi selecionado", revela.

Anis Rahal Maluf, mais conhecido como Doutor Maluf Médico do Coração diz quek, apesar do sobrenome remeter ao ex-prefeito e atual candidato à Câmara dos Deputados, Paulo Maluf, trata-se de pura coincidência. "Tenho um respeito muito grande pelo Maluf, mas é o sobrenome do meu pai e tenho muito orgulho dele", afirma. Os partidos não são os mesmos. Enquanto o lendário Maluf concorre pelo PP , o Doutor Maluf disputa o cargo de deputado estadual pelo PDT de Ferraz de Vasconcelos. "O sobre nome não atrapalha. A campanha é feita por meio do meu trabalho na região de 30 anos", diz.

José Carlos Gonçalves? "Não, aqui todo mundo só me chama de Pisqüila." O apelido surgiu na infância. "Quer dizer homem pequeno", conta. A situação agora é diferente. "Ah, virou nome de guerra", brinca o candidato a deputado federal pelo PP de São Paulo. Apesar de concentrar seu reduto político na Capital, Pisqüila garante que seu eleitorado encontra-se em Caieiras, cidade da qual é suplente de vereador. "Preciso usar esse nome senão as pessoas não me reconhecem", explica o novato na disputa por uma cadeira no Congresso.



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Apelidos chamam votos

Miriam Gimenes
Flávia Braz
Especial para o Diário

31/07/2006 | 07:50


Zé Biruta; Mestre Xamã, Banha, Papai-noel e Tremendão; Gastão, Cowboy do Asfalto, Pezão e Raul Seixas; Gaguinho e Billy Jackson. Quem pensa que se trata de um time de várzea está enganado. Esta é a seleção de nomeações inusitadas que os candidatos a deputado estadual e federal usarão nestas eleições. Com um "nome da urna" diferenciado – registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) – eles acreditam ter mais chance de vencer o pleito.

O marqueteiro Carlos Manhanelli reitera o argumento afirmando que a adoção de um apelido é sugerido por profissionais para alavancar a candidatura. "Com isso o candidato acaba tendo uma integração com quem o apóia, e isso reverte-se em votos".

No Grande ABC, o vereador de Ribeirão Pires, Edson Savietto (Psol) ganha destaque quando o assunto é seu nome de urna. Aspirante a uma cadeira na Assembléia Legislativa, Savietto, mesmo sendo chamado de Banha, não faz mais jus ao apelido. "Eu era bem gordinho e os meninos me chamavam assim", diz. Hoje, no entanto, o apelido rende apenas votos. "Chama a atenção de uma forma positiva. É assim que sou conhecido", analisa.

Marca registrada – Um exemplo de uso da "marca registrada" é o candidato a deputado federal Wagner dos Santos (Psol-São Paulo), o Cowboy do Asfalto. Por ser a primeira vez que candidata-se a um cargo político, ele pretende fazer uso de seus contatos pessoais para atingir o eleitorado. "Sempre convivi com os caminhoneiros, já que rodei o país todo durante quinze anos e vou sempre a rodeios", explica.

Já o pedetista de Ferraz de Vasconcelos, José Carlos Fernandes Chacon, o Zé Biruta, que também concorre a uma cadeira no Congresso, tem esse apelido desde a infância. "Eu era travesso e todos me chamavam de Biruta", diz. Chacon afirma que o nome nunca o atrapalhou. "Muitos pensam: vou votar nesse Biruta mesmo, e aí eu ganho", brinca.

No caso de Hélio Proença Gonçalves, ou simplesmente Hélio Gaguinho, que concorre ao pleito de federal pelo PV de São Paulo, um problema de dicção acabou se tornando parte do nome. "Eu era muito gago, chegava a morder a língua de tanto que gaguejava", conta já curado. "Fiz um curso de oratória e eliminei 90% do problema".

Há também quem aposte no setor religioso. É o caso de Adirson da Silva (PTB-São Paulo), o Mestre Xamã, candidato a federal. "Sou um sacerdote indígena e não existe no Congresso nenhum do meu segmento", diz. Segundo ele, Xamã quer dizer bruxo "do bem". Outro candidato, José Carlos Magalhães Borges, o Tremendão, tem o apelido por ser parecido com Erasmo Carlos, ídolo da Jovem Guarda conhecido por este nome.

Já Osvaldo Hansel Albaran (PTN- Mineiro de Tietê), o Papai-noel, adotou a imagem do bom velhinho, mesmo tendo 37 anos, por gostar de se fantasiar no Natal.

O metalúrgico Osvaldo Luiz Romão (PT-Suzano), conhecido como Gastão ostenta o apelido desde a infância. Nenhum problema, se o personagem em questão não fosse candidato a deputado estadual. O apelido, segundo ele, é resultado de suas constantes idas à mercearia quando era garoto. "Comprava muito doce e o dono da mercearia falou que eu era muito gastão. Aí pegou", conta, garantindo ser econômico hoje em dia.

Foi também na infância que outro concorrente a uma vaga na Assembléia deixou para trás seu nome de batismo. Carlos Roberto da Silva? "Não, é Pezão mesmo", diz o candidato do PL de Poá. A origem do apelido, segundo ele, é resultado dos tênis grandes que usava quando criança. "Para durar mais", justifica Pezão, que continua usando sapatos grandes. "Eu calço 44, o pé cresceu de verdade", afirma.

Artistas no pleito – Engana-se quem pensa que os pleitos fazem-se apenas de homens de terno e gravata. Que o digam Raul Seixas e Billy Jackson: ambos artistas, cantores e candidatos a estadual. Cecilio Garcia Espósito (PAN-Marília) canta Raul Seixas. "Tem muita gente que diz que somos parecidos", afirma o cover. A história se repete com Romildo dos Santos, ou melhor, Billy Jackson (PRTB-São Paulo). "Há 15 anos eu era o cover oficial do Michael Jackson no Brasil e esse era meu nome artístico." Os apelidos pegaram no rol familiar e entre amigos, resta saber se serão adotados pelos eleitores.

Urna eletrônica
"Aqui quem fala é o Amor Presente". É com essa frase que o candidato a deputado estadual pelo PL paulista, Mauro Inácio Alves atende o telefone da sua casa. Não trata-se de nenhum tipo de piada, mas de seu nome de campanha. Chamar a atenção é a estratégia do novato candidato. "Sou conhecido como 'É o Amor Presente' há 15 anos, virou um apelido", conta. Inevitável questioná-lo: Mas por quê? "É simples. Sou filho do Amor Total (Deus)", explica-se. Mauro garante, no entanto, que sua intenção não é atingir um eleitorado religioso.

Nem todos os apelidos surgem de forma espontânea, principalmente quando numa campanha política. Que o diga Douglas dos Santos, ou como ele mesmo intitula-se Douglas Sempre, que disputa uma vaga na Câmara dos Deputados pelo PDT de Embu. "Faz uns cinco anos que uso esse nome, mas não é propriamente um apelido. É que meu nome tem muitos homônimos e isso acaba me prejudicando, então agreguei isso ao nome de propósito", conta. Aluno de filosofia, Douglas Sempre, que já disputou sem sucesso a Câmara Municipal, acredita que esse apelido trará sorte. "Fiquei bem conhecido por aqui com esse nome", diz.

Há 12 anos tentando uma colocação política, Reynaldo Panella Junior aposta em uma nova estratégia de campanha para o pleito de outubro, no qual disputa uma vaga na Assembléia pelo PSC de São Paulo. Desta vez, o nome de batismo será deixado de lado para dar lugar ao vulgo eleitora criado por elel Boca da Verdade. "É só abrindo a boca que conseguimos mudanças", afirma. O apelido, segundo ele, existe há cerca de três anos, mas nunca foi utilizado em uma disputa eleitoral. Para ele, o nome é um "atrativo a mais". "É algo contra a corrupção, por isso que foi selecionado", revela.

Anis Rahal Maluf, mais conhecido como Doutor Maluf Médico do Coração diz quek, apesar do sobrenome remeter ao ex-prefeito e atual candidato à Câmara dos Deputados, Paulo Maluf, trata-se de pura coincidência. "Tenho um respeito muito grande pelo Maluf, mas é o sobrenome do meu pai e tenho muito orgulho dele", afirma. Os partidos não são os mesmos. Enquanto o lendário Maluf concorre pelo PP , o Doutor Maluf disputa o cargo de deputado estadual pelo PDT de Ferraz de Vasconcelos. "O sobre nome não atrapalha. A campanha é feita por meio do meu trabalho na região de 30 anos", diz.

José Carlos Gonçalves? "Não, aqui todo mundo só me chama de Pisqüila." O apelido surgiu na infância. "Quer dizer homem pequeno", conta. A situação agora é diferente. "Ah, virou nome de guerra", brinca o candidato a deputado federal pelo PP de São Paulo. Apesar de concentrar seu reduto político na Capital, Pisqüila garante que seu eleitorado encontra-se em Caieiras, cidade da qual é suplente de vereador. "Preciso usar esse nome senão as pessoas não me reconhecem", explica o novato na disputa por uma cadeira no Congresso.

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