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Costureiras reivindicam trocar produtividade por salário fixo


Frederico Rebello Nehme
Do Diário do Grande ABC

27/02/2005 | 16:47


Menor pressão por produtividade e maior estabilidade no orçamento doméstico. Esse é o objetivo do Sindicato das Costureiras do ABC (filiado à CUT – Central Única dos Trabalhadores), que vai negociar com a indústria têxtil Valisère, em Mauá, para que as 3,2 mil funcionárias ganhem somente salário fixo.

Atualmente, a principal parcela da remuneração mensal está relacionada à produção. A proposta é que elas passem a receber apenas valores fixos mensais. O calendário das negociações ainda não está definido. A intenção do sindicato é resolver a questão antes da data-base das costureiras, em maio. A empresa, uma das maiores empregadoras do setor têxtil na região, informou que não se manifestará sobre o assunto.

"Queremos acabar com esse sistema de produção. Não é justo que os trabalhadores tenham sua renda mensal definida por produtividade. Isso gera excessos por parte da empresa, que acaba exigindo uma alta produtividade, impondo metas impossíveis de se atingir”, afirma Francisca Trajano Rocha, presidente do Sindicato das Costureiras do ABC.

A remuneração média na Valisère é de R$ 650, segundo o sindicato. Na composição dos ganhos, as trabalhadoras – há pouquíssimos homens no setor de produção – recebem uma parcela fixa de R$ 481 e uma complementação de renda de acordo com a produtividade.

A sindicalista acredita que a proposta ganhe mais força em 2005 porque já foi discutida em anos anteriores. “Essa é uma demanda antiga da categoria, mas acredito que agora já amadurecemos bastante o diálogo, o que pode facilitar a mudança ainda este ano”, afirma.

Outro problema enfrentado pelas costureiras e que será tema das negociações com a indústria é a alta incidência de LER (Lesão por Esforços Repetitivos). O sindicato estima que 10% estejam afastadas da Valisère por esse motivo.

“Isso também é reflexo da alta exigência da empresa, que força os trabalhadores a tentarem ir além do que é possível. Temos um volume muito grande de afastamentos devido a doenças geradas por esforços repetitivos. Na Valisère, já possuímos um programa de ginástica laboral, mas parece que não está sendo suficiente para amenizar o problema”, afirma Francisca.

A pauta trabalhista de 2005 das costureiras ainda inclui aumento salarial. Apesar de não ter um índice definido, o sindicato buscará um dos objetivos traçados pela CUT para as campanhas deste ano: reajuste da inflação do período (maio de 2004 a abril de 2005) acrescido de aumento real.

“Vamos realizar assembléias até a nossa data-base para definir o percentual de aumento que será trabalhado. A questão do aumento real já se tornou uma pauta mínima para a nossa negociação”, afirma Francisca.

Pressão – Para a costureira Isabel Saraiva Pereira Silva, 25 anos, trabalhadora da Valisère, que tem cerca de 50% do salário pagos por produtividade, o atual sistema gera pressão excessiva sobre os trabalhadores. “Todo mês é a mesma pressão para conseguirmos alcançar os resultados, e isso vem aumentando nos últimos tempos. Poderíamos ter pelo menos mais condições de trabalho, para chegar às metas”, afirma.

A instabilidade dos salários também é apontada como mais um fator que gera insegurança na rotina das costureiras, já que os vencimentos variam quase todo mês, segundo Luciane Pereira, 28 anos, funcionária da empresa. “Acho que essa mudança melhoraria muito a nossa rotina, porque é bom ter um dinheiro certo no final do mês. A gente pode se programar melhor, fazer compras para a casa e outras coisas”, afirma.

Aprovação – Alguns trabalhadores da Valisère acham que será difícil a aprovação da proposta do sindicato, já que a empresa adota há anos o sistema de remuneração por produtividade. “Não sei se isso será aprovado, porque trabalho aqui há 16 anos e sempre foi assim. É complicado mudar isso de uma hora para a outra”, afirma Vanda Latte, 44 anos.

Madalena Mota, 50 anos, há 18 na Valisère, tem a mesma opinião. “O pagamento por produção é ruim, porque a gente nunca consegue fazer o que é preciso no mês. Não sei se a proposta vai para frente, mas seria bom. A gente teria mais estabilidade para trabalhar”, afirma.



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