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Marta e Maluf trocam ataques no debate para o 2º turno


Do Diário OnLine

17/10/2000 | 01:30


As promessas de Marta Suplicy (PT) e Paulo Maluf (PPB) de discutirem apenas programas de governo no debate da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisao para o segundo turno da eleiçao em Sao Paulo, nesta segunda-feira, nao foram cumpridas. Os ataques pessoais prevaleceram, beirando o bate-boca mais atrevido em alguns momentos. Já na abertura o clima pesou e Maluf mandou a rival "ficar quietinha". Marta retrucou e mandou-o diretamente "calar a boca".

Enquanto problemas como segurança e desemprego foram vastamente explorados, temas como educaçao e especialmente transporte foram praticamente omitidos.

Uma bandeira em comum para os dois candidatos foi a luta contra a corrupçao. Marta Suplicy citou problemas de desvios de dinheiro e uso indevido de recursos públicos nas administraçoes de Maluf e Celso Pitta (PTN); já o pepebista insistiu na idéia de que "combate à corrupçao nao é virtude. É obrigaçao".

Conforme Maluf já havia adiantado, a gestao de Luiza Erundina na Prefeitura de Sao Paulo, na época pelo PT, foi base para exemplificar a suposta falta de competência da legenda administrativamente. O pepebista citou inúmeras vezes a CMTC, empresa responsável pelos ônibus durante o comando do PT, a suposta pausa nas obras públicas do prefeito anterior, Jânio Quadros, e a segurança como pontos mais deficientes do Partido dos Trabalhadores - problemas que ele julga ser capaz de resolver.

Outra idéia largamente explorada por Maluf foi agregar o PT à "baderna". Ele vinculou a legenda ao Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra e às invasoes de propriedades privadas, tachando de ilusória a tendência "light" de um partido que teria saído do vermelho para o cor-de-rosa. Ele afirmou que a debanda de indústrias do Grande ABC, especialmente o ABCD, ocorreu devido ao movimento sindical, citando a Central Unica dos Trabalhadores (CUT) como cúmplice do PT na suposta desordem que afastou investimentos privados e oportunidades de emprego da regiao.

Marta teve nas "mentiras" do candidato a sua chave-mestra durante as discussoes. Ela repetiu os insultos "mitômano" (mentiroso compulsivo) e "mentiroso contumaz", já usados durante o feriado de 12 de outubro, para mostrar que Paulo Maluf nao está mais na preferência do eleitorado paulistano. "Nefasto" foi outro termo usado por ela como forma de provocar o opositor. O ex-prefeito aproveitou para lembrar que aquela expressao foi a causa de uma indenizaçao de R$ 300 mil ganha na Justiça por calúnia e injúrias da petista.

A corrupçao foi outro forte recurso da petista para atacar o candidato rival. Ela atrelou a falta de dinheiro nos cofres públicos aos supostos desvios de capital e às gastanças "pelo ralo" em obras como pontes e viadutos. Ela chegou a afirmar "fica até cansativo ser tao repetitiva", ao culpar a corrupçao pelo estrangulamento do orçamento da Prefeitura.

A dívida que Paulo Maluf recebeu da ex-prefeita Luiza Erundina e o montante a pagar que ele deixou para o sucessor foi um dos exemplos usados por Marta em sua argumentaçao. O candidato do PPB assumiu que recebeu uma dívida de R$ 3 bilhoes e repassou para Celso Pitta as cifras na casa dos R$ 7 bilhoes, mas colocou a culpa disso no "custo financeiro" dos juros impostos pelo PSDB - partido do governador do Estado, Mário Covas, e do presidente da República, Fernando Henrique Cardoso.

Um novo "round" da luta entre Marta e Maluf ocorreu dentro do tema segurança. Um projeto de Marta na Câmara dos Deputados para reduzir a pena de presidiários que estudarem foi explorado pelo pepebista para mostrar que "enquanto a dona Marta se preocupa com o bandido, eu me preocupo com a vítima". Ela criticou a visao de Maluf para a resoluçao dos problemas sociais e alegou que pensava como uma psicóloga que quer recuperar infratores por meio da educaçao.

Barraco - Logo no primeiro bloco, o mediador, jornalista Sérgio Rondino (Rede Bandeirantes), teve muito trabalho para acalmar os ânimos de Marta e Maluf. A briga verbal chegou a tal ponto que Rondino teve de cortar os dois microfones para poder retomar o controle do debate.

O barril de pólvora estourou quando Maluf perguntou qual o projeto de Marta para evitar os problemas das chuvas na cidade. A petista voltou a citar o termo "nefasto" e o ex-prefeito contra-atacou: "a senhora é desqualificada para administrar. Acha que mentindo pode ganhar debate. A senhora já foi condenada. A senhora é uma petista que nao perdeu o jeito para calúnia e mentira. E nao responde que é minha vez. A senhora fica quietinha", afirmou enquanto a rival tentava falar. Marta Suplicy se exaltou e mandou-o "calar a boca" com truculência e nervosismo.

No quarto bloco os ânimos voltaram a se acirrar e Marta ameaçou voltar a gritar com Maluf, mas o mediador cortou os microfones e evitou novos conflitos.

Ao final do debate, ambos acharam-se vencedores a alegaram que o encontro foi bom para que os eleitores pudessem comparar os perfis e propostas de governo. Enquanto Maluf insistiu na tese de que Marta quer diminuir a pena para os bandidos e colocá-los nas ruas, ela citou as "mentiras" do rival como uma impossibilidade de manter o nível da campanha.



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Marta e Maluf trocam ataques no debate para o 2º turno

Do Diário OnLine

17/10/2000 | 01:30


As promessas de Marta Suplicy (PT) e Paulo Maluf (PPB) de discutirem apenas programas de governo no debate da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisao para o segundo turno da eleiçao em Sao Paulo, nesta segunda-feira, nao foram cumpridas. Os ataques pessoais prevaleceram, beirando o bate-boca mais atrevido em alguns momentos. Já na abertura o clima pesou e Maluf mandou a rival "ficar quietinha". Marta retrucou e mandou-o diretamente "calar a boca".

Enquanto problemas como segurança e desemprego foram vastamente explorados, temas como educaçao e especialmente transporte foram praticamente omitidos.

Uma bandeira em comum para os dois candidatos foi a luta contra a corrupçao. Marta Suplicy citou problemas de desvios de dinheiro e uso indevido de recursos públicos nas administraçoes de Maluf e Celso Pitta (PTN); já o pepebista insistiu na idéia de que "combate à corrupçao nao é virtude. É obrigaçao".

Conforme Maluf já havia adiantado, a gestao de Luiza Erundina na Prefeitura de Sao Paulo, na época pelo PT, foi base para exemplificar a suposta falta de competência da legenda administrativamente. O pepebista citou inúmeras vezes a CMTC, empresa responsável pelos ônibus durante o comando do PT, a suposta pausa nas obras públicas do prefeito anterior, Jânio Quadros, e a segurança como pontos mais deficientes do Partido dos Trabalhadores - problemas que ele julga ser capaz de resolver.

Outra idéia largamente explorada por Maluf foi agregar o PT à "baderna". Ele vinculou a legenda ao Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra e às invasoes de propriedades privadas, tachando de ilusória a tendência "light" de um partido que teria saído do vermelho para o cor-de-rosa. Ele afirmou que a debanda de indústrias do Grande ABC, especialmente o ABCD, ocorreu devido ao movimento sindical, citando a Central Unica dos Trabalhadores (CUT) como cúmplice do PT na suposta desordem que afastou investimentos privados e oportunidades de emprego da regiao.

Marta teve nas "mentiras" do candidato a sua chave-mestra durante as discussoes. Ela repetiu os insultos "mitômano" (mentiroso compulsivo) e "mentiroso contumaz", já usados durante o feriado de 12 de outubro, para mostrar que Paulo Maluf nao está mais na preferência do eleitorado paulistano. "Nefasto" foi outro termo usado por ela como forma de provocar o opositor. O ex-prefeito aproveitou para lembrar que aquela expressao foi a causa de uma indenizaçao de R$ 300 mil ganha na Justiça por calúnia e injúrias da petista.

A corrupçao foi outro forte recurso da petista para atacar o candidato rival. Ela atrelou a falta de dinheiro nos cofres públicos aos supostos desvios de capital e às gastanças "pelo ralo" em obras como pontes e viadutos. Ela chegou a afirmar "fica até cansativo ser tao repetitiva", ao culpar a corrupçao pelo estrangulamento do orçamento da Prefeitura.

A dívida que Paulo Maluf recebeu da ex-prefeita Luiza Erundina e o montante a pagar que ele deixou para o sucessor foi um dos exemplos usados por Marta em sua argumentaçao. O candidato do PPB assumiu que recebeu uma dívida de R$ 3 bilhoes e repassou para Celso Pitta as cifras na casa dos R$ 7 bilhoes, mas colocou a culpa disso no "custo financeiro" dos juros impostos pelo PSDB - partido do governador do Estado, Mário Covas, e do presidente da República, Fernando Henrique Cardoso.

Um novo "round" da luta entre Marta e Maluf ocorreu dentro do tema segurança. Um projeto de Marta na Câmara dos Deputados para reduzir a pena de presidiários que estudarem foi explorado pelo pepebista para mostrar que "enquanto a dona Marta se preocupa com o bandido, eu me preocupo com a vítima". Ela criticou a visao de Maluf para a resoluçao dos problemas sociais e alegou que pensava como uma psicóloga que quer recuperar infratores por meio da educaçao.

Barraco - Logo no primeiro bloco, o mediador, jornalista Sérgio Rondino (Rede Bandeirantes), teve muito trabalho para acalmar os ânimos de Marta e Maluf. A briga verbal chegou a tal ponto que Rondino teve de cortar os dois microfones para poder retomar o controle do debate.

O barril de pólvora estourou quando Maluf perguntou qual o projeto de Marta para evitar os problemas das chuvas na cidade. A petista voltou a citar o termo "nefasto" e o ex-prefeito contra-atacou: "a senhora é desqualificada para administrar. Acha que mentindo pode ganhar debate. A senhora já foi condenada. A senhora é uma petista que nao perdeu o jeito para calúnia e mentira. E nao responde que é minha vez. A senhora fica quietinha", afirmou enquanto a rival tentava falar. Marta Suplicy se exaltou e mandou-o "calar a boca" com truculência e nervosismo.

No quarto bloco os ânimos voltaram a se acirrar e Marta ameaçou voltar a gritar com Maluf, mas o mediador cortou os microfones e evitou novos conflitos.

Ao final do debate, ambos acharam-se vencedores a alegaram que o encontro foi bom para que os eleitores pudessem comparar os perfis e propostas de governo. Enquanto Maluf insistiu na tese de que Marta quer diminuir a pena para os bandidos e colocá-los nas ruas, ela citou as "mentiras" do rival como uma impossibilidade de manter o nível da campanha.

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