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Plano de mobilidade da região estima R$ 8 bi em obras

Divulgação Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Estudo para reduzir impacto do trânsito foi apresentado no 1º dia de agendas do Consórcio com italianos


Humberto Domiciano
Do Diário do Grande ABC

27/02/2018 | 07:00


No primeiro dia de agendas em conjunto entre Consórcio Intermunicipal do Grande ABC e executivos da cidade italiana de Turim, por meio do Programa Internacional de Cooperação Urbana, da União Europeia, a entidade apresentou o Plano Regional de Mobilidade Urbana e destacou que todas as obras do estudo demandarão R$ 8 bilhões.

São intervenções espalhadas por 16 eixos estruturantes para melhoria do transporte no Grande ABC, seja individual ou coletivo. O levantamento contempla a execução da Linha 18-Bronze (Djalma Dutra-Tamanduateí) do Metrô, que visa interligar a região ao sistema metroviário da Capital. Por meio de PPP (Parceria Público-Privada), o projeto está estimado em R$ 4,26 bilhões e tem contrato assinado desde agosto de 2014, mas o governo do Estado ainda não conseguiu destravar a obra (depende de aval da União para obter empréstimo das desapropriações).

São obras que envolvem corredores de ônibus, construções de viadutos e alças de acesso, remodelação do sistema viário em áreas centrais e nevrálgicas e até duplicação de rodovia.

Conforme o secretário executivo do Consórcio, Fabio Palacio (PR), o planejamento é para os próximos 25 anos e a instituição regional trabalhará para intermediar a obtenção de recursos das prefeituras consorciadas – Diadema, por exemplo, que solicitou saída do colegiado no ano passado, está presente no plano, porém terá de buscar sozinha por financiamento para execução das propostas.

“O plano foi concebido para que o transporte coletivo seja mais utilizado na comparação com o transporte individual. E também é norte para o sistema viário da região. Serve para evitar que cada município pense em obras de maneira individual, sem conversar com os demais municípios”, disse.

Com o Plano de Mobilidade Urbana em mãos, as prefeituras agora precisam confeccionar projetos executivos (que servem para prever impactos da obra, como desapropriações). A ideia é buscar financiamento junto à União e também com organismos internacionais que possuam linha de crédito para essa finalidade.

Arlindo Fernandes, da Oficina Consultores, empresa responsável pelo projeto, elogiou o planejamento por pensar diferente na forma de estruturar o transporte. “Neste trabalho saímos um pouco de eixos radiais para transversais. Outro desafio posto é a integração dos municípios, passando pelo Rio Tamanduateí e as rodovias Anchieta e Imigrantes.”

A análise que serviu de base para estudo apontou que caso nenhuma das obras saia do papel até o ano de 2037 haverá aumento de vias totalmente congestionadas de 49 quilômetros para 89 quilômetros e redução de 20,2% na velocidade dos automóveis por conta do tráfego mais pesado.

Sincronização semafórica vira pauta inicial do encontro

Mobilidade Urbana será a pauta principal da visita de executivos da cidade italiana de Turim ao Grande ABC, como parte da parceria firmada com a União Europeia. O principal projeto a ser debatido é o da sincronização de semáforos nas principais vias da região.

Para o presidente do Consórcio, o prefeito de São Bernardo, Orlando Morando (PSDB), a escolha se deve ao tempo necessário para implantação. “Esse é o plano mais rápido e precisamos que se consolide dentro do mandato. A comunicação de semáforos é importante e temos como exemplo a Avenida Pereira Barreto, que passa por São Bernardo e Santo André e hoje não existe qualquer comunicação dos sistemas de cada cidade.”

A comissão, formada por funcionários do município europeu e pelo representante do organismo internacional, Stefan Unseld, foi apresentada ontem, na sede do Consórcio, e promete trocar experiências bem-sucedidas.

Em maio, será a vez do colegiado de prefeitos visitar Turim e farão parte da comitiva os chefes do Executivo de Santo André, Paulo Serra (PSDB), e de São Bernardo, Morando. Custos da viagem são bancados pela União Europeia.

Durante a apresentação do programa, o diretor-técnico da empresa pública 5T, que administra o sistema de trânsito de Turim, Fabrizio Arneodo, enumerou as ações que foram tomadas pela administração para a melhoria do sistema de transporte, como uma mudança no sistema de semáforos.

Seguindo a mesma linha, o representante da área de mobilidade e transportes da administração de Turim, Giuseppe Estivo, enalteceu a partilha de bicicletas, táxis e carros elétricos e a adoção de tecnologias ligadas ao conceito de smart cities, acabaram sendo fundamentais para o sucesso do projeto. Outro ponto destacado por Estivo foi o aumento do valor de estacionamento em áreas centrais da cidade para a média de 2,5 euros por hora (aproximadamente R$ 9,95), o que estimulou o uso do transporte público nos deslocamentos populacionais.

Comissão deve discutir efeitos da desindustrialização

A ocupação dos espaços deixados por indústrias na cidade de Turim, na Itália, deve ser debatida ao longo da visita dos italianos na região.

Na visão do presidente do Consórcio, o prefeito de São Bernardo, Orlando Morando (PSDB), será necessário entender qual foi o uso dado às propriedades que pertenciam às empresas, uma vez que a região sofre com processo semelhante de fuga das maiores indústrias.

“Com a visita que faremos em maio (a Turim), teremos uma ideia melhor de como se deu essa substituição, se os espaços viraram residências ou se abrigam modelos diferentes de indústria”, destacou o tucano.

Representante da área de mobilidade e transportes da administração de Turim, Giuseppe Estivo comentou que houve transformação da vocação da cidade, que tinha diversas indústrias automobilísticas e hoje está ligada às áreas de serviços e de tecnologia.

Em sua apresentação para jornalistas na sede do Consórcio, o italiano mencionou que a localidade passou a atrair diversos tipos de negócios, como firmas ligadas a tratamentos de Saúde, sedes de desenvolvimento e pesquisa de empresas multinacionais, serviços financeiros e ganhou até mesmo impulso ao turismo cultural.

No dia 18, o Diário mostrou que o Grande ABC perdeu, nos últimos 28 anos, 58,3% das grandes indústrias (com mais de 500 funcionários). Entre as principais consequências deste processo está a drástica redução no número de empregos no segmento, que caiu quase que pela metade, dos 363.333 postos de trabalho em 1989 para 186.378 em 2017. No domingo, especialista ouvido pelo Diário alegou que somente com políticas públicas agressivas é possível reverter o cenário.

Agenda inclui idas à Capital e a centros de monitoramento

A agenda da comitiva europeia que visita o Grande ABC teve início com um sobrevoo de helicóptero pela região. Hoje, o grupo terá três atividades em São Bernardo, sendo visitas técnicas à sede da Metra, ao CIM (Centro Integrado de Monitoramento) e também ao Centro de Controle Operacional da Ecovias.

Amanhã, o grupo terá atividades na Capital, onde foi marcada reunião na Escola Politécnica da USP (Universidade de São Paulo). Além disso, os representantes da cidade de Turim e da União Europeia terão encontro com o secretário de Mobilidade e Transporte do município de São Paulo, Sérgio Avelleda. Por fim, a comissão vai conhecer a estrutura da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego).

O encerramento da visita, na quinta-feira, contará com reuniões técnicas, que serão realizadas no Instituto Mauá de Tecnologia, em São Caetano. Este último encontro deve formatar os últimos detalhes dos projetos de mobilidade.

Ainda no último dia serão dados detalhes sobre a missão empresarial que acontecerá em Turim, no mês de maio.

FUNCIONAMENTO
Comissário da União Europeia, Stefan Unseld afirmou que os principais objetivos da parceria são identificar projetos que podem ser feitos em conjunto, quais atividades podem ser desenvolvidas e quais delas demandarão financiamentos. “É preciso entender as necessidades de cada área e elaborar um plano para que as duas partes atuem juntas. Trata-se de desenvolvimento regional. É um processo delicado, que só tem projeto, que não prevê financiamentos e avaliações por parte da União Europeia”, ponderou o executivo.

Em apresentação, Unseld informou que a primeira fase da parceria deve terminar em outubro deste ano. 



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