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A contrapropaganda da segurança

Você já se deu conta dos conceitos que as propagandas dos automóveis estão passando?


Cristina Baddini

12/11/2010 | 00:00


Você já se deu conta dos conceitos que as propagandas dos automóveis estão passando?
Robôs que se transformam em carros, pessoas que se livram do ‘fim do mundo' quando estão dentro de seus automóveis, alta velocidade explícita, conquista através do poder do carro e muito luxo. Filmes publicitários para a TV podem estimular comportamentos que comprometem a segurança no trânsito. É o aspecto mais nocivo das campanhas que trabalham o emocional do consumidor estimulando o individualismo e a competitividade de maneira exacerbada, em detrimento de valores como união, cooperação, solidariedade, inclusão e convivência, aspectos fundamentais para um trânsito mais humano e melhor qualidade de vida. Os consumidores também passam a adotar um comportamento de risco sob a falsa segurança propiciada pelas propagandas de automóveis. Como construir a mobilidade urbana sustentável quando, além de diversos obstáculos, ainda não há cooperação dos fabricantes de automóveis?

O que fazer?
A proporção dos investimentos governamentais que pregam atitudes seguras no trânsito é irrelevante frente ao volume de investimentos da indústria automobilística em suas propagandas no País. O poder da publicidade é avassalador e as três esferas de governo deveriam investir mais em educação no trânsito, que hoje está circunscrita e isolada em algumas iniciativas de campanhas.
Os recursos alocados pelos governos invariavelmente são muito reduzidos e uma alternativa possível será utilizar parte do valor arrecadado das multas e DPVAT com a finalidade de financiar campanhas de publicidade por meio da mídia. A melhor maneira de mudar a consciência do povo brasileiro seria usar nas criações publicitárias argumentos de venda de automóveis com apelos voltados à responsabilidade social.

Regulamentação
O Estado também deveria ser mais firme como agente regulador do setor publicitário, evidentemente que não atuando como órgão de censura, mas, sim, como já fazem outros países em que a regulamentação da publicidade certamente não permite anúncios como os do Brasil.
A sociedade organizada também deve participar ativamente do processo de busca da cidadania no esforço de reduzir acidentes de trânsito.
O que já foi feito sobre os conteúdos desse tipo na publicidade indevida da indústria automobilística agora será seguido de uma mensagem educativa. É o começo, mas já é melhor do que nada.

Pelo mundo
A Nova Zelândia é taxativa ao proibir anúncios que exaltem a velocidade excessiva e, na Inglaterra, também há restrições similares. Em muitos países, o que interessa é a segurança que o automóvel oferece, não o status que ele vai representar. Essa questão já está sendo discutida no Brasil e agora é lei que todos os carros do País tenham, até 2014, itens de segurança que venham de fábrica, como air bag e freios ABS. Os melhores carros não devem ser os mais rápidos e fortes, e sim os completos, com itens de segurança de série, mesmo nos veículos de menor valor e menor conforto.
É claro que não podemos atribuir exclusivamente à publicidade a responsabilidade pelo mau comportamento dos motoristas no trânsito, mas devemos tentar transformá-la em uma grande aliada na construção de uma sociedade mais harmônica, equânime, justa e responsável. Essa deve ser a função da comunicação social. Queremos veículos em que equipamentos de segurança não sejam meros acessórios e devemos rever a razão pela qual desejamos comprar veículos cada vez mais rápidos quando o limite de velocidade no Brasil é de 120 km/h.
A indústria, automobilística deveria se interessar pelo cliente vivo, até para manter seu mercado e seu consumidor!



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A contrapropaganda da segurança

Você já se deu conta dos conceitos que as propagandas dos automóveis estão passando?

Cristina Baddini

12/11/2010 | 00:00


Você já se deu conta dos conceitos que as propagandas dos automóveis estão passando?
Robôs que se transformam em carros, pessoas que se livram do ‘fim do mundo' quando estão dentro de seus automóveis, alta velocidade explícita, conquista através do poder do carro e muito luxo. Filmes publicitários para a TV podem estimular comportamentos que comprometem a segurança no trânsito. É o aspecto mais nocivo das campanhas que trabalham o emocional do consumidor estimulando o individualismo e a competitividade de maneira exacerbada, em detrimento de valores como união, cooperação, solidariedade, inclusão e convivência, aspectos fundamentais para um trânsito mais humano e melhor qualidade de vida. Os consumidores também passam a adotar um comportamento de risco sob a falsa segurança propiciada pelas propagandas de automóveis. Como construir a mobilidade urbana sustentável quando, além de diversos obstáculos, ainda não há cooperação dos fabricantes de automóveis?

O que fazer?
A proporção dos investimentos governamentais que pregam atitudes seguras no trânsito é irrelevante frente ao volume de investimentos da indústria automobilística em suas propagandas no País. O poder da publicidade é avassalador e as três esferas de governo deveriam investir mais em educação no trânsito, que hoje está circunscrita e isolada em algumas iniciativas de campanhas.
Os recursos alocados pelos governos invariavelmente são muito reduzidos e uma alternativa possível será utilizar parte do valor arrecadado das multas e DPVAT com a finalidade de financiar campanhas de publicidade por meio da mídia. A melhor maneira de mudar a consciência do povo brasileiro seria usar nas criações publicitárias argumentos de venda de automóveis com apelos voltados à responsabilidade social.

Regulamentação
O Estado também deveria ser mais firme como agente regulador do setor publicitário, evidentemente que não atuando como órgão de censura, mas, sim, como já fazem outros países em que a regulamentação da publicidade certamente não permite anúncios como os do Brasil.
A sociedade organizada também deve participar ativamente do processo de busca da cidadania no esforço de reduzir acidentes de trânsito.
O que já foi feito sobre os conteúdos desse tipo na publicidade indevida da indústria automobilística agora será seguido de uma mensagem educativa. É o começo, mas já é melhor do que nada.

Pelo mundo
A Nova Zelândia é taxativa ao proibir anúncios que exaltem a velocidade excessiva e, na Inglaterra, também há restrições similares. Em muitos países, o que interessa é a segurança que o automóvel oferece, não o status que ele vai representar. Essa questão já está sendo discutida no Brasil e agora é lei que todos os carros do País tenham, até 2014, itens de segurança que venham de fábrica, como air bag e freios ABS. Os melhores carros não devem ser os mais rápidos e fortes, e sim os completos, com itens de segurança de série, mesmo nos veículos de menor valor e menor conforto.
É claro que não podemos atribuir exclusivamente à publicidade a responsabilidade pelo mau comportamento dos motoristas no trânsito, mas devemos tentar transformá-la em uma grande aliada na construção de uma sociedade mais harmônica, equânime, justa e responsável. Essa deve ser a função da comunicação social. Queremos veículos em que equipamentos de segurança não sejam meros acessórios e devemos rever a razão pela qual desejamos comprar veículos cada vez mais rápidos quando o limite de velocidade no Brasil é de 120 km/h.
A indústria, automobilística deveria se interessar pelo cliente vivo, até para manter seu mercado e seu consumidor!

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