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Equipamento
medirá poluentes

Claudinei Plaza/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Substâncias emitidas pela Petroquímica serão
monitoradas para buscar causas de doenças


Vanessa de Oliveira
Do Diário do Grande ABC

27/10/2014 | 07:00


O laboratório de poluição da USP (Universidade de São Paulo) projeta, em breve, instalar equipamento na região do Polo Petroquímico, entre as cidades de Mauá e Santo André, para medir os poluentes liberados pela chaminé das empresas. Eles seriam a causa da grande incidência de doenças da tireoide na população residente próxima ao local.

A suspeita foi levantada em estudo de 20 anos feito pela professora de Endocrinologia da Faculdade de Medicina do ABC e pesquisadora da USP Maria Ângela Zaccarelli Marino. Ao comparar moradores em um raio de 500 metros da Petroquímica com os que residiam a 8,5 quilômetros da área industrial, observou-se que, na última amostra, 2,9% das pessoas avaliadas foram diagnosticadas com tireoidite crônica autoimune, enquanto que na primeira, foram 46%.

Conhecida também como tireoidite de Hashimoto, a doença se caracteriza pela fabricação de anticorpos contra as células da tireoide, provocando a destruição da glândula ou a redução da sua atividade. “Vamos medir os agentes provocadores da formação desses anticorpos. Identificando isso, vamos ver se conseguimos colher a própria substância no sangue das pessoas nas quais a doença já está definida”, disse a pesquisadora.

A data para que a implantação do aparelho ocorra ainda não está definida. Segundo Maria Ângela, o entrave ocorre em virtude da condição climática atual. “O clima está muito instável. Há várias coisas que interferem nas medições. Mas não acredito que demore muito, está previsto para começar logo.”

A assistente administrativa Kelly Martinez Maximiano, 35 anos, mora no Parque Capuava, bem próximo ao Polo, desde que nasceu. Há 15 anos, foi diagnosticada com tireoidite de Hashimoto. “Sinto moleza, as unhas ficam quebradiças, o cabelo cai, fico desanimada. Tenho que tomar medicação para o resto da vida.”

Em 1998, a web designer Viviane Aranha, 34, que na época também residia no Parque Capuava desde o nascimento, teve um nódulo de dois centímetros na tireoide, que foi retirado com cirurgia. Há dez meses, ela se mudou para Itupeva, no interior paulista. “A falta de qualidade de vida foi um dos principais motivos que me fizeram ir embora. Tenho que tomar hormônio da tireoide até morrer, mas depois que me mudei, não precisei mais de remédios para problemas respiratórios.”

Polo diz não ter relação com os problemas

O Sinproquim (Sindicato das Indústrias de Produtos Químicos), que responde por todas as empresas do Polo Petroquímico, afirma que, até o momento, não existe estudo conclusivo, reconhecido por órgão de Saúde ou autoridade médica, que comprove a relação entre as atividades industriais e a eventual incidência de doenças da tireoide.

“As unidades industriais do Polo Petroquímico do ABC operam estritamente dentro das normas existentes nas áreas de Saúde, Segurança e meio ambiente. As empresas investem regularmente em treinamentos e equipamentos, garantindo a atualização contínua dos processos e das equipes, seguindo as normas técnicas nacionais e internacionais, e as exigências legais”, disse, em nota.

“Estudos já publicados por instituições reconhecidas no tema não indicam a prevalência da tireoide crônica autoimune no entorno do Polo do ABC. A literatura médica relaciona os casos da doença a fatores como a ingestão de altos níveis de iodo e hereditariedade”, conclui.

“A pesquisa mostrou a incidência maior em moradores próximos do Polo. Quer dizer que só ali se consome mais sal que nos outros lugares?”, indaga Viviane Aranha, 34 anos, que há 16 trata da doença. 



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medirá poluentes

Substâncias emitidas pela Petroquímica serão
monitoradas para buscar causas de doenças

Vanessa de Oliveira
Do Diário do Grande ABC

27/10/2014 | 07:00


O laboratório de poluição da USP (Universidade de São Paulo) projeta, em breve, instalar equipamento na região do Polo Petroquímico, entre as cidades de Mauá e Santo André, para medir os poluentes liberados pela chaminé das empresas. Eles seriam a causa da grande incidência de doenças da tireoide na população residente próxima ao local.

A suspeita foi levantada em estudo de 20 anos feito pela professora de Endocrinologia da Faculdade de Medicina do ABC e pesquisadora da USP Maria Ângela Zaccarelli Marino. Ao comparar moradores em um raio de 500 metros da Petroquímica com os que residiam a 8,5 quilômetros da área industrial, observou-se que, na última amostra, 2,9% das pessoas avaliadas foram diagnosticadas com tireoidite crônica autoimune, enquanto que na primeira, foram 46%.

Conhecida também como tireoidite de Hashimoto, a doença se caracteriza pela fabricação de anticorpos contra as células da tireoide, provocando a destruição da glândula ou a redução da sua atividade. “Vamos medir os agentes provocadores da formação desses anticorpos. Identificando isso, vamos ver se conseguimos colher a própria substância no sangue das pessoas nas quais a doença já está definida”, disse a pesquisadora.

A data para que a implantação do aparelho ocorra ainda não está definida. Segundo Maria Ângela, o entrave ocorre em virtude da condição climática atual. “O clima está muito instável. Há várias coisas que interferem nas medições. Mas não acredito que demore muito, está previsto para começar logo.”

A assistente administrativa Kelly Martinez Maximiano, 35 anos, mora no Parque Capuava, bem próximo ao Polo, desde que nasceu. Há 15 anos, foi diagnosticada com tireoidite de Hashimoto. “Sinto moleza, as unhas ficam quebradiças, o cabelo cai, fico desanimada. Tenho que tomar medicação para o resto da vida.”

Em 1998, a web designer Viviane Aranha, 34, que na época também residia no Parque Capuava desde o nascimento, teve um nódulo de dois centímetros na tireoide, que foi retirado com cirurgia. Há dez meses, ela se mudou para Itupeva, no interior paulista. “A falta de qualidade de vida foi um dos principais motivos que me fizeram ir embora. Tenho que tomar hormônio da tireoide até morrer, mas depois que me mudei, não precisei mais de remédios para problemas respiratórios.”

Polo diz não ter relação com os problemas

O Sinproquim (Sindicato das Indústrias de Produtos Químicos), que responde por todas as empresas do Polo Petroquímico, afirma que, até o momento, não existe estudo conclusivo, reconhecido por órgão de Saúde ou autoridade médica, que comprove a relação entre as atividades industriais e a eventual incidência de doenças da tireoide.

“As unidades industriais do Polo Petroquímico do ABC operam estritamente dentro das normas existentes nas áreas de Saúde, Segurança e meio ambiente. As empresas investem regularmente em treinamentos e equipamentos, garantindo a atualização contínua dos processos e das equipes, seguindo as normas técnicas nacionais e internacionais, e as exigências legais”, disse, em nota.

“Estudos já publicados por instituições reconhecidas no tema não indicam a prevalência da tireoide crônica autoimune no entorno do Polo do ABC. A literatura médica relaciona os casos da doença a fatores como a ingestão de altos níveis de iodo e hereditariedade”, conclui.

“A pesquisa mostrou a incidência maior em moradores próximos do Polo. Quer dizer que só ali se consome mais sal que nos outros lugares?”, indaga Viviane Aranha, 34 anos, que há 16 trata da doença. 

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