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Indústria brasileira quer desconto em dólar



20/11/2008 | 07:00


A disparada do dólar e o enfraquecimento da economia mundial provocaram uma corrida das indústrias brasileiras dependentes de insumos importados para negociar descontos com os fornecedores no exterior. Diante da impossibilidade de substituir as importações por produção local, fabricantes de eletrônicos, eletrodomésticos e confecções, por exemplo, pleiteiam abatimento de até 30% no preço, o equivalente à valorização do dólar em relação ao real nos últimos dois meses.

Ao pedir descontos, a indústria quer aproveitar o acúmulo de estoques nos fornecedores internacionais e aliviar parte da alta de custos provocada pela elevação do câmbio. Apesar dos descontos, fabricantes brasileiros não descartam a intenção de subir os preços aqui.

"Estamos negociando descontos em dólar proporcionais à desvalorização do real para os próximos embarques de tecidos e rendas", afirma o presidente da Darling, fabricante de lingerie, Ronald Masijah.

Ele conta que o argumento usado para pedir abatimento é que, se o preço em dólar for mantido, o negócio ficará inviável. Com uma produção mensal 300 mil peças, 20% das matérias-primas usadas são importadas.

Stefanos Anastassiadis, diretor presidente da confecção de moda feminina Controvento, conta que as negociações com os fornecedores de tecidos sintéticos, hoje totalmente importados, estão muito mais duras. "Se o fornecedor não reduzir o preço para fazer frente à desvalorização do real, ameaço cortar pedidos", diz o empresário.

Ele lembra que recentemente, com a alta do petróleo, os tecidos sintéticos tiveram reajustes. Agora, com o recuo da commodity, é hora de os fabricantes asiáticos darem descontos. Cerca de 80% dos tecidos e aviamentos usados pela confecção são importados.

"O que importamos hoje é insubstituível por produtos locais", diz. O setor têxtil registrou no ano passado déficit de US$ 600 milhões em sua balança comercial. O quadro é semelhante na produção de eletrodomésticos e eletrônicos, segmentos altamente dependentes de peças e componentes fabricados na Ásia.

"Estamos fazendo pressão junto aos fornecedores para que os preços dos importados sejam reduzidos", afirma Edson Grottoli, presidente da BSH Continental para o Mercosul. "Pedir desconto faz sentido porque os preços das commodities caíram".



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