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Vendedor de poesia


Natane Tamasauskas
Do Diário do Grande ABC

30/10/2008 | 07:00


Aos 12 anos, o garoto José Paes de Lira subiu pela primeira vez em um palco. Assistido por centenas de pessoas, declamou versos inspirado por poetas como Manoel Chudu, Manoel Filó e Cancão. Vinte anos depois, o que era molecagem, cresceu. Cantor, compositor e líder do grupo Cordel do Fogo Encantado, Lirinha traz à região seu Mercadorias e Futuro, monólogo autoral. O Teatro Municipal de Santo André foi o escolhido para receber única apresentação, nesta quinta-feira, às 21h. A partir de 4 de novembro, a peça estréia no Espaço dos Parlapatões, em São Paulo.

Natural de Arcoverde, cidadezinha de Pernambuco, e levado por sua herança literária recheada de poetas populares, o cantor resolveu encenar uma narrativa escrita ao longo de cinco anos.

"Nesta história eu trago o Lirovsky. O próprio nome já entrega: é um pedaço de fantasia e um pedaço de memória da minha história", conta Lirinha em entrevista ao Diário, um pouco mais sério do que costuma ser à frente das impactantes apresentações de sua banda.

Em cena, um vendedor ambulante que não possui outro produto além de profecias. "A profecia surge como uma metáfora para tocar no assunto de venda da poesia", explica. "O espetáculo não vem com uma moral, mas levanta questões, coloca o público para pensar sobre o valor das coisas, o valor da poesia, o valor dessas coisas que são consideradas sublimes."

Para argumentar com possíveis compradores (no caso, o público), Lirovsky cita poetas nordestinos, além do grego Heráclito e alemão Karl Marx. "Falo de escritores que eu considero profetas, não por acertarem profecias, mas por escreverem sobre o futuro", coloca.

PARAFERNÁLIA
E quem pensa que a relação entre Lirinha e o tablado é solitária, engana-se. Para acompanhá-lo durante a venda, o personagem traz consigo um carrinho que dispara sons, imagens e luzes. "O personagem é auto-suficente. Ele se ilumina, ilumina suas ações e amplifica seu próprio som", lembra o também diretor da montagem. "Eu queria muito fazer algo ligado aos camelôs. O próprio personagem se diz inspirado nos velhos e atuais mercadores."

Construído por Maurício Castro, artista plástico recifense, o carro dá a Lirinha a chance de disparar 48 sons diferentes durante a peça, além de operar em cena a mesa de iluminação. A atriz Leandra Leal é co-diretora da produção.

O INÍCIO
Lançado pela Ateliê Editorial em agosto deste ano, o texto que originou o espetáculo narra a trajetória mais aprofundada do protagonista. "O livro fala sobre a função da venda que Lirovsky recebeu, a função ingrata de vender o que não se vende, de colocar preço no que não tem preço", conta o músico.

Na narrativa original, o personagem encontra três profetas: João Pedra Maior, Teresa Purpurina e Venedito Heráclito. Os três encarregam o moço de vender suas profecias.

Sem rodeios, Lirinha entrega que Mercadorias e Futuro nasceu como uma maneira de divulgar sua obra: "Vi aí uma chance de utilizar a linguagem do teatro para tocar no assunto do comércio da arte."
"Eu desejava criar um espetáculo que me devolvesse a essa coisa da palavra, de poder estar contando histórias, minha primeira atividade", completa o cantor.

Mercadorias e Futuro - Monólogo. No Teatro Municipal de Santo André - pça. IV Centenário, s/nº. Tel.: 4433-0789. Ingr.: R$ 15 (meia-entrada) e R$ 30. Hoje, às 21h.



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Vendedor de poesia

Natane Tamasauskas
Do Diário do Grande ABC

30/10/2008 | 07:00


Aos 12 anos, o garoto José Paes de Lira subiu pela primeira vez em um palco. Assistido por centenas de pessoas, declamou versos inspirado por poetas como Manoel Chudu, Manoel Filó e Cancão. Vinte anos depois, o que era molecagem, cresceu. Cantor, compositor e líder do grupo Cordel do Fogo Encantado, Lirinha traz à região seu Mercadorias e Futuro, monólogo autoral. O Teatro Municipal de Santo André foi o escolhido para receber única apresentação, nesta quinta-feira, às 21h. A partir de 4 de novembro, a peça estréia no Espaço dos Parlapatões, em São Paulo.

Natural de Arcoverde, cidadezinha de Pernambuco, e levado por sua herança literária recheada de poetas populares, o cantor resolveu encenar uma narrativa escrita ao longo de cinco anos.

"Nesta história eu trago o Lirovsky. O próprio nome já entrega: é um pedaço de fantasia e um pedaço de memória da minha história", conta Lirinha em entrevista ao Diário, um pouco mais sério do que costuma ser à frente das impactantes apresentações de sua banda.

Em cena, um vendedor ambulante que não possui outro produto além de profecias. "A profecia surge como uma metáfora para tocar no assunto de venda da poesia", explica. "O espetáculo não vem com uma moral, mas levanta questões, coloca o público para pensar sobre o valor das coisas, o valor da poesia, o valor dessas coisas que são consideradas sublimes."

Para argumentar com possíveis compradores (no caso, o público), Lirovsky cita poetas nordestinos, além do grego Heráclito e alemão Karl Marx. "Falo de escritores que eu considero profetas, não por acertarem profecias, mas por escreverem sobre o futuro", coloca.

PARAFERNÁLIA
E quem pensa que a relação entre Lirinha e o tablado é solitária, engana-se. Para acompanhá-lo durante a venda, o personagem traz consigo um carrinho que dispara sons, imagens e luzes. "O personagem é auto-suficente. Ele se ilumina, ilumina suas ações e amplifica seu próprio som", lembra o também diretor da montagem. "Eu queria muito fazer algo ligado aos camelôs. O próprio personagem se diz inspirado nos velhos e atuais mercadores."

Construído por Maurício Castro, artista plástico recifense, o carro dá a Lirinha a chance de disparar 48 sons diferentes durante a peça, além de operar em cena a mesa de iluminação. A atriz Leandra Leal é co-diretora da produção.

O INÍCIO
Lançado pela Ateliê Editorial em agosto deste ano, o texto que originou o espetáculo narra a trajetória mais aprofundada do protagonista. "O livro fala sobre a função da venda que Lirovsky recebeu, a função ingrata de vender o que não se vende, de colocar preço no que não tem preço", conta o músico.

Na narrativa original, o personagem encontra três profetas: João Pedra Maior, Teresa Purpurina e Venedito Heráclito. Os três encarregam o moço de vender suas profecias.

Sem rodeios, Lirinha entrega que Mercadorias e Futuro nasceu como uma maneira de divulgar sua obra: "Vi aí uma chance de utilizar a linguagem do teatro para tocar no assunto do comércio da arte."
"Eu desejava criar um espetáculo que me devolvesse a essa coisa da palavra, de poder estar contando histórias, minha primeira atividade", completa o cantor.

Mercadorias e Futuro - Monólogo. No Teatro Municipal de Santo André - pça. IV Centenário, s/nº. Tel.: 4433-0789. Ingr.: R$ 15 (meia-entrada) e R$ 30. Hoje, às 21h.

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