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Olhar viajante


Luís Felipe Soares
Do Diário do Grande ABC

28/02/2010 | 07:17


Eryk Rocha, filho de Glauber Rocha (1939-1981) e da colombiana Paula Gaetan, consolida cada vez mais sua carreira no meio cinematográfico. Ele recebeu a equipe do Diário em seu quarto de hotel durante rápida passagem por São Paulo, onde esteve presente na pré-estreia do documentário Pachamama, ocorrida na segunda.

Aos 32 anos, o jovem cineasta brasiliense lança o terceiro longa. O filme é fruto de uma viagem de 30 dias por regiões do Brasil, Bolívia e Peru raramente mostradas. "Tenho uma relação forte com a América Latina. A região faz parte da minha formação", explica Eryk. "Recebi convite de um amigo, cientista político, que iria fazer essa viagem. Levei a câmera comigo e filmei por onde passávamos. É o olhar de um viajante em movimento."

Um dos pontos principais é apresentar para o grande público brasileiro o que acontece nos países vizinhos. "Historicamente, o Brasil ficou de costas para o restante da América Latina. O filme é uma forma de conectar as culturas e aprender com elas", explica.

A paixão pelo cinema começou aos 16 anos. Os clássicos Outubro (1928), de Grigori Aleksandrov e Sergei Eisenstein, e Morte em Veneza (1971), de Luchino Visconti, o impactaram muito e "mostraram a potência do cinema". Aos 18, co-dirigiu série de documentários para a TV colombiana feitos pela mãe.

Foi para Cuba estudar cinema um ano depois, aspecto fundamental para sua formação. "Pelo fato de ser uma escola internacional, tive contato com pessoas de todo o mundo, o que me deu várias visões sobre o cinema."

No recém-lançado documentário, além da direção, Eryk assina roteiro, montagem e direção de fotografia. A falta de uma indústria do cinema sólida no Brasil o obriga a ter de "jogar nas 11 posições", ou seja, estar presente em diversas áreas que envolvem o projeto.

O fato de os pais serem reconhecidos como parte da história do cinema já é o bastante para o rapaz chamar a atenção. Mas parece que os tempos de conversas e comparações com os progenitores estão ficando para trás. "Não tenho nenhum problema em tocar no assunto porque amo meus pais, mas não tem motivo para reduzir a conversa a isso", comenta. "Eles são referência para mim. São inspirações maravilhosas para o que eu faço. Funcionam como estímulos de criação constante no meu trabalho e na minha vida."

O contato com o pai foi pouco, já que Glauber morreu quando o filho tinha apenas 3 anos. As lembranças são poucas, mas o interesse pelo trabalho do revolucionário cineasta baiano é enorme. Entre os trabalhos que mais gosta estão os menos comentados Câncer (1972) e A Idade da Terra (1980). Da mãe, destaca o recente Diário de Sintra (2009), documentário que mostra os últimos momentos do ex-marido com a família em Portugal.

Questionado se herdou alguma característica especial de ambos, analisou com calma. "Do meu pai, acho que puxei o desejo de estar sempre pensando, o interesse pelo meu povo latino-americano e brasileiro e pela realidade. Quanto a minha mãe, acho que também tenho carinho pelo trato com a imagem, com o vídeo arte, com a poesia."

Um dos destaques da nova safra do cinema nacional, Eryk é crítico em relação ao forte momento comercial vivido pela ramo cinematográfico. "O cinema nasceu com uma dupla vocação de ser arte e indústria ao mesmo tempo. Infelizmente, já não é uma arte popular. As poucas salas estão nos shoppings e nos centros para a burguesia das grandes cidades", afirma.

Após viajar e promover Pachamama, ele dá os últimos retoques em Transeunte, seu primeiro longa de ficção previsto para chegar às salas no ano que vem. A aventura nesse novo gênero só reforça seu amor pelo cinema. "Ouvi uma frase que sintetiza muito o que eu sinto sobre a área. Ela diz: ‘O cinema é acreditar naquilo que ainda não foi revelado'. É esclarecedor e confuso ao mesmo tempo, mas o cinema é assim", explica o rapaz - ou não.



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Olhar viajante

Luís Felipe Soares
Do Diário do Grande ABC

28/02/2010 | 07:17


Eryk Rocha, filho de Glauber Rocha (1939-1981) e da colombiana Paula Gaetan, consolida cada vez mais sua carreira no meio cinematográfico. Ele recebeu a equipe do Diário em seu quarto de hotel durante rápida passagem por São Paulo, onde esteve presente na pré-estreia do documentário Pachamama, ocorrida na segunda.

Aos 32 anos, o jovem cineasta brasiliense lança o terceiro longa. O filme é fruto de uma viagem de 30 dias por regiões do Brasil, Bolívia e Peru raramente mostradas. "Tenho uma relação forte com a América Latina. A região faz parte da minha formação", explica Eryk. "Recebi convite de um amigo, cientista político, que iria fazer essa viagem. Levei a câmera comigo e filmei por onde passávamos. É o olhar de um viajante em movimento."

Um dos pontos principais é apresentar para o grande público brasileiro o que acontece nos países vizinhos. "Historicamente, o Brasil ficou de costas para o restante da América Latina. O filme é uma forma de conectar as culturas e aprender com elas", explica.

A paixão pelo cinema começou aos 16 anos. Os clássicos Outubro (1928), de Grigori Aleksandrov e Sergei Eisenstein, e Morte em Veneza (1971), de Luchino Visconti, o impactaram muito e "mostraram a potência do cinema". Aos 18, co-dirigiu série de documentários para a TV colombiana feitos pela mãe.

Foi para Cuba estudar cinema um ano depois, aspecto fundamental para sua formação. "Pelo fato de ser uma escola internacional, tive contato com pessoas de todo o mundo, o que me deu várias visões sobre o cinema."

No recém-lançado documentário, além da direção, Eryk assina roteiro, montagem e direção de fotografia. A falta de uma indústria do cinema sólida no Brasil o obriga a ter de "jogar nas 11 posições", ou seja, estar presente em diversas áreas que envolvem o projeto.

O fato de os pais serem reconhecidos como parte da história do cinema já é o bastante para o rapaz chamar a atenção. Mas parece que os tempos de conversas e comparações com os progenitores estão ficando para trás. "Não tenho nenhum problema em tocar no assunto porque amo meus pais, mas não tem motivo para reduzir a conversa a isso", comenta. "Eles são referência para mim. São inspirações maravilhosas para o que eu faço. Funcionam como estímulos de criação constante no meu trabalho e na minha vida."

O contato com o pai foi pouco, já que Glauber morreu quando o filho tinha apenas 3 anos. As lembranças são poucas, mas o interesse pelo trabalho do revolucionário cineasta baiano é enorme. Entre os trabalhos que mais gosta estão os menos comentados Câncer (1972) e A Idade da Terra (1980). Da mãe, destaca o recente Diário de Sintra (2009), documentário que mostra os últimos momentos do ex-marido com a família em Portugal.

Questionado se herdou alguma característica especial de ambos, analisou com calma. "Do meu pai, acho que puxei o desejo de estar sempre pensando, o interesse pelo meu povo latino-americano e brasileiro e pela realidade. Quanto a minha mãe, acho que também tenho carinho pelo trato com a imagem, com o vídeo arte, com a poesia."

Um dos destaques da nova safra do cinema nacional, Eryk é crítico em relação ao forte momento comercial vivido pela ramo cinematográfico. "O cinema nasceu com uma dupla vocação de ser arte e indústria ao mesmo tempo. Infelizmente, já não é uma arte popular. As poucas salas estão nos shoppings e nos centros para a burguesia das grandes cidades", afirma.

Após viajar e promover Pachamama, ele dá os últimos retoques em Transeunte, seu primeiro longa de ficção previsto para chegar às salas no ano que vem. A aventura nesse novo gênero só reforça seu amor pelo cinema. "Ouvi uma frase que sintetiza muito o que eu sinto sobre a área. Ela diz: ‘O cinema é acreditar naquilo que ainda não foi revelado'. É esclarecedor e confuso ao mesmo tempo, mas o cinema é assim", explica o rapaz - ou não.

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