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Sonho de Natal

Bailarino Márcio Teixeira, de São Caetano, ganhou uma
bolsa para estudar no Canadá, porém necessita de ajuda

Sara Saar
Diário do Grande ABC
25/12/2011 | 07:00
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Disciplinado, o bailarino Márcio Teixeira, de São Caetano, viveu grandes conquistas em 2011. Além de prêmios em festivais, recebeu dois títulos: 1º Bailarino Jr. Promodança e 1º Bailarino Jr. Capezio. Hoje o jovem de 17 anos lida com a incerteza de realizar um dos maiores sonhos: aprofundar os estudos no Exterior, onde há mais oportunidades para ser visto.

Já conquistada a bolsa parcial da Pacific Dance Arts, escola sediada em Vancouver (Canadá), Márcio agora precisa de apoio financeiro para comprar as passagens aéreas (orçadas em R$ 3.600) e as roupas de frio. E assim poder fechar o ano com chaves de ouro.

O tempo é curto para Márcio, que foi selecionado por meio de vídeo e fotografias. As aulas começarão já no dia 3. "Eu vou estudar com o Li Yaming, um grande mestre de balé que é especialista em técnica masculina", diz o bailarino.

Como a bolsa de estudos dá direito à vivência artística e à hospedagem, Márcio ainda precisa de ajuda para se manter em terras estrangeiras durante os dois anos de estudo. "Não ganhei seguro-saúde, alimentação e transporte, mas oito amigos irão me ajudar enquanto eu estiver por lá", diz.

Esta é a segunda vez que o desempenho de Márcio é reconhecido no Exterior. "Primeiro, eu ganhei uma bolsa integral da English National Ballet School, que fica em Londres, mas não pude cursar porque não atingi os pontos suficientes para o teste de proficiência em inglês (necessário para obter o visto)", afirma. Mas o idioma já não é barreira para Márcio. "Agora eu falo e entendo bem a língua", comemora.

Mesmo sem nunca ter saído do País, o bailarino sabe que a experiência é decisiva para a sua carreira. "Quero melhorar a minha técnica, aperfeiçoar o inglês e conhecer outras culturas", diz. A opinião é compartilhada por sua professora de dança, Sandra Amaral, que o acompanha há seis anos. "Ele terá mais chances de ser contratado como bailarino em uma grande companhia", afirma. "Márcio é um bailarino totalmente dedicado e esforçado. Nasceu para dançar", diz.

HISTÓRIA
Ele tinha 12 anos quando deu os primeiros passos de dança no Núcleo de Convivência Menino Jesus, em São Caetano. "Eu comecei a estudar balé porque os meus pais trabalhavam muito e não tinham tempo para cuidar de mim. Quando não estava na escola, eu ficava no núcleo", recorda.

Desde o início, já se destacava no grupo. "Chegou do Maranhão pequenino e magrinho, mas logo já apresentava postura de bailarino, bonitas linhas de braços e pernas", lembra Amanda Loula, a sua primeira professora de dança.

Foi ela quem levou Márcio para a Escola de Ballet Sandra Amaral, onde recebeu bolsa integral para cursar jazz e balé clássico. "Pude melhorar a minha técnica", diz Márcio, que hoje está formado em jazz e estuda balé de segunda a quinta-feira, das 18h às 22h.

Desde então, Amanda acompanha o crescimento de Márcio. "É um menino muito esforçado que, para conseguir pagar figurinos e taxas de festivais, trabalha em bufês", exemplifica. Os festivais representam oportunidades para bailarinos serem vistos e obterem bolsas em coletivos.

Amanda se coloca na torcida pelo Marcinho. "No Exterior, terá contato com bailarinos e diretores de companhias de diversas partes do mundo", afirma. Para Márcio, que também sonha em ser professor, a dança representa a vida. "A partir dela eu posso expressar o que eu sinto sem falar uma só palavra", justifica. Para ajudar, é necessário escrever para o e-mail de Márcio (marcioteixeiraa@hotmail.com).

Brasileiros conquistam plateias do mundo

Juliana Ravelli

Apesar do árduo caminho, é possível vencer e se tornar grande artista. Para isso, no entanto, talento não basta; é preciso disciplina e trabalho, muito trabalho. Mas não faltam exemplos de brasileiros que abdicaram da família e do País para se aprofundar no estudo da dança clássica e conquistar plateias do mundo. Muitos foram recompensados e alguns até atingiram o posto mais alto em grandes companhias: o de primeiro bailarino.

A carioca Ady Addor está entre as precursoras que, ainda na década de 1950, obtiveram prestígio nos renomados Ballet Nacional de Cuba e American Ballet Theatre, de Nova York. Apesar de não ser muito conhecida pelos compatriotas, Márcia Haydée é uma das figuras mais respeitadas internacionalmente. Chamada de ‘Maria Callas da dança’, foi primeira bailarina do Ballet de Stuttgart, na Alemanha, do qual se tornou diretora após a morte de John Cranko.

Atualmente, existem outros brasileiros que possuem status de estrelas do balé no Exterior. Marcelo Gomes é um deles. O amazonense brilha como primeiro bailarino no American Ballet Theater. É extremamente elogiado pela crítica especializada por possuir todos os atributos de grande artista; além da técnica impecável, é ótimo partner e intérprete. Já foi chamado, inclusive, de Cary Grant do balé pelo New York Times.

O curioso é que, assim como o são-caetanense Márcio, Marcelo ganhou bolsas para estudar fora; primeiro nos Estados Unidos e depois em Paris. Tinha apenas 13 anos quando partiu sozinho e sem saber inglês. Venceu.

Há também os primeiros bailarinos do Royal Ballet, de Londres, Thiago Soares e Roberta Marquez. Ele começou no street dance e só passou a se dedicar realmente à dança clássica aos 16 anos. Sua trajetória, então, ascendeu meteoricamente. Roberta conquistou espaço na companhia inglesa após substituir uma bailarina machucada. Um ano depois da experiência foi contratada definitivamente.
Que outros Marcelos, Thiagos e Robertas recebam apoio para se transformar em astros da dança.

País oferece poucas oportunidades na área 

Sara Saar

“É complicadíssimo seguir carreira de bailarino no Brasil”, afirma o professor de dança Erinaldo Conrado, de Santo André. O número de companhias dedicadas ao balé clássico não comporta a quantidade de dançarinos. “O Brasil, apesar de ser País gigantesco, não deve ter mais do que dez companhias (clássicas)”, acredita.

A professora Helena Gawriljuk, que também atua em Santo André, concorda. “Quem fica no Brasil se direciona para capitais como São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba ou dança em escolas particulares e faz pas de deux”, afirma.

A maior dificuldade é o campo de trabalho. “Nós lamentamos porque perdemos nossos talentos, mas temos a esperança de que fiquem por lá. É preferível trabalhar fora com grandes companhias do que permanecer aqui dançando em navios”, compara Conrado. Para o professor, ninguém dedica longas horas ao balé clássico para depois dançar em navios.

Falta apoio à cultura no País. “Os bailarinos que ficam no Brasil precisam, ainda muito jovens, dar aulas para ganhar dinheiro e trabalhar como convidados em companhias. Eles acabam desistindo de dançar profissionalmente”, diz Conrado. Em contraponto, dançarinos firmam carreiras sólidas no Exterior. “Eles têm mais oportunidades e melhores salários”, diz Helena.

 

 




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