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Após 103 dias internado, paciente se recupera da Covid em São Caetano

André Henriques/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Servidor público ficou 28 dias entubado, teve duas paradas cardíacas, mas venceu doença, registrando a mais longa internação da instituição


Aline Melo
Do Diário do Grande ABC

18/07/2020 | 00:01


Imagine dormir e acordar 28 dias depois, achando que se passaram apenas algumas horas. Passar mais de três meses em um leito de hospital. Foi isso o que viveu o servidor público Airton Carlos Lauriano dos Santos, 65 anos. Contaminado pelo novo coronavírus, o morador de São Caetano foi internado no Hospital Santa Ana no dia 6 de abril. Como já chegou ao equipamento de saúde com 60% dos pulmões comprometidos pela infecção, poucas horas depois foi entubado e passou 28 dias em leitos de emergência. Após duas paradas cardíacas e a necessidade de realizar hemodiálise (procedimento adotado quando os rins não funcionam), Airton teve alta na manhã de ontem, 103 dias depois, com a certeza de ter vencido a doença.

“Cheguei aqui sendo o Airton de um jeito e hoje tenho o mesmo físico, mas com os meus valores totalmente mudados. Meus valores hoje são minha família, meus amigos e cuidar de mim”, afirmou. O munícipe recordou que quando resolveu procurar o médico, estava há alguns dias com tosse. “Tinha tomado a vacina da gripe alguns dias antes e pensei que pudesse ser alguma reação”, relatou. Airton contou que, ao acordar da sedação, perguntou qual era a hora, e pensou que tivesse dormido apenas de um dia para o outro. “Quanto me falaram que fiquei 28 dias sedado, nem acreditei”, completou.

Após mais de três meses internado, o servidor fez um pedido ao sair do hospital em alto-astral: que tocassem a música Do Lado Direito da Rua Direita, do grupo Originais do Samba. “Essa canção me faz lembrar de época boa da minha vida, me marcou e é importante para mim.” O hospital entrou em contato com o vocalista do conjunto, que gravou a música e uma mensagem para o paciente. “É muito especial receber essa notícia de que nosso fã se recuperou e mais, saber que uma música nossa emocionou e marcou sua vida para sempre”, declarou Juninho Originais. A despedida dos funcionários foi marcada por pequena celebração e queima de fogos (veja reportagem com o registro da saída do servidor abaixo).


“Peço para as pessoas tomarem cuidado, se prevenir, ficar em casa e do lado do bem. Quando voltei (da sedação) e me senti sozinho, a gente para e pensa o que é a vida. A vida é muito boa”, concluiu. Airton foi o primeiro paciente a ser internado no Hospital Santa Ana com confirmação de Covid-19 e também teve a maior internação da instituição em decorrência da doença até agora. “Brinco que fui a cobaia dos médicos. E graças a Deus e à equipe, agora estou curado”, afirmou.
O infectologista José Raphael Ruffato acompanhou o período de internação do paciente e destacou os desafios da doença. “A Covid-19 é como uma metralhadora, que atira para tudo que é lado. Cada paciente vai ter uma reação inflamatória de uma maneira, no sistema vascular, cardíaco, renal, gama grande de complicações, não tem padrão”, pontuou.

A falta de protocolo único, uma vez que ainda não existe medicação que seja comprovadamente eficaz contra Covid-19, é fator a mais de complicação, explicou o médico. “A gente procura manter contato constante com a família e acaba sendo bastante estressante.”

Ruffato destacou que o número de casos graves como o de Airton tem diminuído, mas, em contrapartida, a quantidade de pessoas internadas em enfermaria segue aumentando. “A gente atribui isso à liberação gradual e reforçamos que, quem pode, deve continuar em casa. O isolamento, a higienização das mãos ainda são os meios mais eficazes de não se contrair a doença”, concluiu.  



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Após 103 dias internado, paciente se recupera da Covid em São Caetano

Servidor público ficou 28 dias entubado, teve duas paradas cardíacas, mas venceu doença, registrando a mais longa internação da instituição

Aline Melo
Do Diário do Grande ABC

18/07/2020 | 00:01


Imagine dormir e acordar 28 dias depois, achando que se passaram apenas algumas horas. Passar mais de três meses em um leito de hospital. Foi isso o que viveu o servidor público Airton Carlos Lauriano dos Santos, 65 anos. Contaminado pelo novo coronavírus, o morador de São Caetano foi internado no Hospital Santa Ana no dia 6 de abril. Como já chegou ao equipamento de saúde com 60% dos pulmões comprometidos pela infecção, poucas horas depois foi entubado e passou 28 dias em leitos de emergência. Após duas paradas cardíacas e a necessidade de realizar hemodiálise (procedimento adotado quando os rins não funcionam), Airton teve alta na manhã de ontem, 103 dias depois, com a certeza de ter vencido a doença.

“Cheguei aqui sendo o Airton de um jeito e hoje tenho o mesmo físico, mas com os meus valores totalmente mudados. Meus valores hoje são minha família, meus amigos e cuidar de mim”, afirmou. O munícipe recordou que quando resolveu procurar o médico, estava há alguns dias com tosse. “Tinha tomado a vacina da gripe alguns dias antes e pensei que pudesse ser alguma reação”, relatou. Airton contou que, ao acordar da sedação, perguntou qual era a hora, e pensou que tivesse dormido apenas de um dia para o outro. “Quanto me falaram que fiquei 28 dias sedado, nem acreditei”, completou.

Após mais de três meses internado, o servidor fez um pedido ao sair do hospital em alto-astral: que tocassem a música Do Lado Direito da Rua Direita, do grupo Originais do Samba. “Essa canção me faz lembrar de época boa da minha vida, me marcou e é importante para mim.” O hospital entrou em contato com o vocalista do conjunto, que gravou a música e uma mensagem para o paciente. “É muito especial receber essa notícia de que nosso fã se recuperou e mais, saber que uma música nossa emocionou e marcou sua vida para sempre”, declarou Juninho Originais. A despedida dos funcionários foi marcada por pequena celebração e queima de fogos (veja reportagem com o registro da saída do servidor abaixo).


“Peço para as pessoas tomarem cuidado, se prevenir, ficar em casa e do lado do bem. Quando voltei (da sedação) e me senti sozinho, a gente para e pensa o que é a vida. A vida é muito boa”, concluiu. Airton foi o primeiro paciente a ser internado no Hospital Santa Ana com confirmação de Covid-19 e também teve a maior internação da instituição em decorrência da doença até agora. “Brinco que fui a cobaia dos médicos. E graças a Deus e à equipe, agora estou curado”, afirmou.
O infectologista José Raphael Ruffato acompanhou o período de internação do paciente e destacou os desafios da doença. “A Covid-19 é como uma metralhadora, que atira para tudo que é lado. Cada paciente vai ter uma reação inflamatória de uma maneira, no sistema vascular, cardíaco, renal, gama grande de complicações, não tem padrão”, pontuou.

A falta de protocolo único, uma vez que ainda não existe medicação que seja comprovadamente eficaz contra Covid-19, é fator a mais de complicação, explicou o médico. “A gente procura manter contato constante com a família e acaba sendo bastante estressante.”

Ruffato destacou que o número de casos graves como o de Airton tem diminuído, mas, em contrapartida, a quantidade de pessoas internadas em enfermaria segue aumentando. “A gente atribui isso à liberação gradual e reforçamos que, quem pode, deve continuar em casa. O isolamento, a higienização das mãos ainda são os meios mais eficazes de não se contrair a doença”, concluiu.  

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