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Guerra pode ser longa e fria para os EUA, dizem analistas


Das Agências

23/10/2001 | 11:36


A ofensiva norte-americana contra o Talibã, na avaliação de analistas, pode enfrentar dois grandes obstáculos que surgirão de maneira concomitante: o temível inverno afegão e o Ramadã, o mês de jejum religioso muçulmano.

As primeiras nevadas e as baixas temperaturas coincidirão com o início do Ramadã, em meados de novembro. Além do rigoroso frio que paralisa os transportes, os homens e as máquinas, se o conflito se prolongar pelo mês de jejum muçulmano, dará força a quem diz que os Estados Unidos iniciaram uma guerra contra o Islã.

O secretário de Estado norte-americanos, Colin Powell, surpreendeu vários analistas afegãos e diplomatas, desejando que as operações militares no Afeganistão terminem antes do inverno. "É de nosso interesse e da coalizão que este problema seja resolvido antes da chegada do inverno, que dificultaria muito nossas operações", declarou Powell. "Isto depende do que resta a ser feito, do ponto em que estarão as operações militares em meados de novembro.”

”Os principais objetivos podem ser alcançados, mas varrer toda a resistência é outra história", estimou Talad Masud, general da reserva e perito em defesa no governo paquistanês. Suspender a guerra durante o Ramadã, segundo sua opinião, terá um importante alcance psicológico porque mostrará que não se trata de uma guerra contra o Islã.

Os talibãs afirmaram que se forem expulsos das principais cidades, lançarão uma guerrilha de desgaste. O prazo do inverno para encerrar a ofensiva norte-americana parece ambicioso até membros da oposição ao Talibã.

Um deles, Ismail Jan, herói da luta contra os soviéticos, estima que serão necessários seis meses para assumir o controle dos principais objetivos. Por isso, descarta que isto possa ser conseguido antes da chegada do inverno. Segundo ele, a melhor maneira de proceder é não lutar com as armas, mas oferecer dinheiro aos chefes militares e aos civis que apóiam Bin Laden. "Se as pessoas não forem convencidas de que o Talibã e Bin Laden são seus inimigos, vencer a resistência será uma tarefa incomensurável", acrescentou.

Abdul Karim Jalili, um comandante da oposição da província de Bamiyan, na região de Hazarajat, no centro do Afeganistão, afasta também a idéia de uma vitória norte-americana antes do inverno. Segundo Jalili, um dos dirigentes da minoria étnica dos hazaras, o intenso frio do inverno representa uma vantagem para seus homens, que fazem parte da Aliança do Norte (oposição armada ao regime dos talibãs).

Em outro terreno, os talibãs desmentiram que suas capacidades militares e as de Al Qaeda, a rede fundamentalista de Bin Laden, tenham sido seriamente danificadas. "Os ataques norte-americanos podem ter tido algumas consequências, mas não mais de 10% de nossas capacidades foram destruídas", declarou Abdul Hanan Hemat, chefe da agência de notícias "Bajtar", órgão oficial do Talibã.



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Guerra pode ser longa e fria para os EUA, dizem analistas

Das Agências

23/10/2001 | 11:36


A ofensiva norte-americana contra o Talibã, na avaliação de analistas, pode enfrentar dois grandes obstáculos que surgirão de maneira concomitante: o temível inverno afegão e o Ramadã, o mês de jejum religioso muçulmano.

As primeiras nevadas e as baixas temperaturas coincidirão com o início do Ramadã, em meados de novembro. Além do rigoroso frio que paralisa os transportes, os homens e as máquinas, se o conflito se prolongar pelo mês de jejum muçulmano, dará força a quem diz que os Estados Unidos iniciaram uma guerra contra o Islã.

O secretário de Estado norte-americanos, Colin Powell, surpreendeu vários analistas afegãos e diplomatas, desejando que as operações militares no Afeganistão terminem antes do inverno. "É de nosso interesse e da coalizão que este problema seja resolvido antes da chegada do inverno, que dificultaria muito nossas operações", declarou Powell. "Isto depende do que resta a ser feito, do ponto em que estarão as operações militares em meados de novembro.”

”Os principais objetivos podem ser alcançados, mas varrer toda a resistência é outra história", estimou Talad Masud, general da reserva e perito em defesa no governo paquistanês. Suspender a guerra durante o Ramadã, segundo sua opinião, terá um importante alcance psicológico porque mostrará que não se trata de uma guerra contra o Islã.

Os talibãs afirmaram que se forem expulsos das principais cidades, lançarão uma guerrilha de desgaste. O prazo do inverno para encerrar a ofensiva norte-americana parece ambicioso até membros da oposição ao Talibã.

Um deles, Ismail Jan, herói da luta contra os soviéticos, estima que serão necessários seis meses para assumir o controle dos principais objetivos. Por isso, descarta que isto possa ser conseguido antes da chegada do inverno. Segundo ele, a melhor maneira de proceder é não lutar com as armas, mas oferecer dinheiro aos chefes militares e aos civis que apóiam Bin Laden. "Se as pessoas não forem convencidas de que o Talibã e Bin Laden são seus inimigos, vencer a resistência será uma tarefa incomensurável", acrescentou.

Abdul Karim Jalili, um comandante da oposição da província de Bamiyan, na região de Hazarajat, no centro do Afeganistão, afasta também a idéia de uma vitória norte-americana antes do inverno. Segundo Jalili, um dos dirigentes da minoria étnica dos hazaras, o intenso frio do inverno representa uma vantagem para seus homens, que fazem parte da Aliança do Norte (oposição armada ao regime dos talibãs).

Em outro terreno, os talibãs desmentiram que suas capacidades militares e as de Al Qaeda, a rede fundamentalista de Bin Laden, tenham sido seriamente danificadas. "Os ataques norte-americanos podem ter tido algumas consequências, mas não mais de 10% de nossas capacidades foram destruídas", declarou Abdul Hanan Hemat, chefe da agência de notícias "Bajtar", órgão oficial do Talibã.

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