Fechar
Publicidade

Segunda-Feira, 10 de Agosto

|

Max º Min º
Clima da Região Trânsito Assine Clube do Assinante Diário Virtual Login

Cultura & Lazer

cultura@dgabc.com.br | 4435-8364

Paixão dos trabalhadores


Natane Tamasauskas
Do Diário do Grande ABC

19/03/2008 | 07:00


Um líder negro, catador de sucata nas ruas da cidade grande. Bem diferente da figura alva que todos conhecem, tais características descrevem Jesus de Nazaré, na Paixão de Cristo encenada a partir de sexta-feira, no Teatro Municipal de Mauá.

 Nesta quarta edição do espetáculo que lembra a história da morte e ressurreição de Jesus Cristo, na visão do catolicismo, o grupo formado por atores do Projeto Criar resolveu ousar. “Fizemos uma transposição do mesmo conteúdo. O diferente é que tratamos Jesus como um indivíduo que poderia ser qualquer um de nós”, explica o diretor Carlos Meceni.

 Com um elenco compostos por 100 pessoas, 40 delas integrantes do Coral Municipal de Mauá, a Paixão Operária – como foi batizada a saga da Paixão de Cristo em tempos modernos – preocupa-se em retratar a miscigenação do povo brasileiro. “Aproximamos a história de pessoas reais. Queremos levar a idéia de que ainda há esperança”, explica Valter Carriel, diretor de cultura do Teatro Municipal da cidade e um dos idealizadores da encenação.

 A idéia do ‘operário’ nasceu da relação que a região tem com o operariado. “Todo mundo é operário. Operário não é aquele que está somente na linha de montagem. Somos todos nós, que batalhamos e não encontramos empregos no mercado de trabalho”, diz Meceni.

HISTÓRIA

 Com aproximadamente uma hora de duração, a peça começa quando Jesus, recolhendo sucata para sobreviver, encontra a Declaração dos Direitos Humanos. Então, descobre que todos têm direito à moradia, saúde, alimentação.

 Munido do documento, o homem começa a reunir seguidores, todos catadores de sucata que vêem na nova idéia uma esperança.

 Tudo vai bem até que as reuniões incomodam os vizinhos, que chamam a polícia para expulsá-los. Agora, sem moradia, o grupo volta-se contra Jesus, completando a trama original.

 Uma criação coletiva, o espetáculo traz também em cenários e figurinos referências à difícil vida dos catadores.

PROTAGONISTA

 Pelo terceiro ano consecutivo, Jason Martins Gomes, de 22 anos, participa do espetáculo. Desta vez, ele será Jesus. “Em 2006 fui Judas e, no ano passado, a consciência de Judas”, conta o ator. “Mas desta vez, a emoção é totalmente diferente”.

 Professor de teatro do Projeto Criar – mantido pelo poder público e que hoje oferece cursos de iniciação artística a 3.000 jovens do município –, Gomes fez dois meses de laboratório em uma cooperativa de catadores de sucata no Jardim Zaíra, bairro onde vive em Mauá. “Eu ficava com eles dois dias por semana. Ajudava o pessoal a separar o material, me alimentava com eles”, conta.

 O jovem revela também que, para viver Jesus, tem estudado muito. “Estudei a declaração, li muito sobre libertários e anarquistas”, diz. “Mas me inspirei, principalmente, em Gandhi”, completa.

Paixão Operária. Teatro. No Teatro Municipal de Mauá – r. Gabriel Marques, s/nº. Tel.: 4555-0086 . Sexta e sábado, às 21h; domingo, às 19h. Entrada franca.


Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.

Paixão dos trabalhadores

Natane Tamasauskas
Do Diário do Grande ABC

19/03/2008 | 07:00


Um líder negro, catador de sucata nas ruas da cidade grande. Bem diferente da figura alva que todos conhecem, tais características descrevem Jesus de Nazaré, na Paixão de Cristo encenada a partir de sexta-feira, no Teatro Municipal de Mauá.

 Nesta quarta edição do espetáculo que lembra a história da morte e ressurreição de Jesus Cristo, na visão do catolicismo, o grupo formado por atores do Projeto Criar resolveu ousar. “Fizemos uma transposição do mesmo conteúdo. O diferente é que tratamos Jesus como um indivíduo que poderia ser qualquer um de nós”, explica o diretor Carlos Meceni.

 Com um elenco compostos por 100 pessoas, 40 delas integrantes do Coral Municipal de Mauá, a Paixão Operária – como foi batizada a saga da Paixão de Cristo em tempos modernos – preocupa-se em retratar a miscigenação do povo brasileiro. “Aproximamos a história de pessoas reais. Queremos levar a idéia de que ainda há esperança”, explica Valter Carriel, diretor de cultura do Teatro Municipal da cidade e um dos idealizadores da encenação.

 A idéia do ‘operário’ nasceu da relação que a região tem com o operariado. “Todo mundo é operário. Operário não é aquele que está somente na linha de montagem. Somos todos nós, que batalhamos e não encontramos empregos no mercado de trabalho”, diz Meceni.

HISTÓRIA

 Com aproximadamente uma hora de duração, a peça começa quando Jesus, recolhendo sucata para sobreviver, encontra a Declaração dos Direitos Humanos. Então, descobre que todos têm direito à moradia, saúde, alimentação.

 Munido do documento, o homem começa a reunir seguidores, todos catadores de sucata que vêem na nova idéia uma esperança.

 Tudo vai bem até que as reuniões incomodam os vizinhos, que chamam a polícia para expulsá-los. Agora, sem moradia, o grupo volta-se contra Jesus, completando a trama original.

 Uma criação coletiva, o espetáculo traz também em cenários e figurinos referências à difícil vida dos catadores.

PROTAGONISTA

 Pelo terceiro ano consecutivo, Jason Martins Gomes, de 22 anos, participa do espetáculo. Desta vez, ele será Jesus. “Em 2006 fui Judas e, no ano passado, a consciência de Judas”, conta o ator. “Mas desta vez, a emoção é totalmente diferente”.

 Professor de teatro do Projeto Criar – mantido pelo poder público e que hoje oferece cursos de iniciação artística a 3.000 jovens do município –, Gomes fez dois meses de laboratório em uma cooperativa de catadores de sucata no Jardim Zaíra, bairro onde vive em Mauá. “Eu ficava com eles dois dias por semana. Ajudava o pessoal a separar o material, me alimentava com eles”, conta.

 O jovem revela também que, para viver Jesus, tem estudado muito. “Estudei a declaração, li muito sobre libertários e anarquistas”, diz. “Mas me inspirei, principalmente, em Gandhi”, completa.

Paixão Operária. Teatro. No Teatro Municipal de Mauá – r. Gabriel Marques, s/nº. Tel.: 4555-0086 . Sexta e sábado, às 21h; domingo, às 19h. Entrada franca.

Ao acessar você concorda com a nossa Política de Privacidade.


Para continuar, faça o seu login:


  • Aceito receber novidades e ofertas do Diário do Grande ABC e parceiros por
    correio eletrônico, mala direta, SMS ou outros meios de comunicação.


Ou acesse todo o conteúdo de forma ilimitada:

Veja como ter acesso a todo o conteúdo de forma ilimitada:

Copyright © 1995-2017 - Todos direitos reservados

;