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Morte da chimpanzé será investigada


Artur Rodrigues
Especial para o Diário

21/10/2004 | 09:08


A Delegacia de Crimes Contra o Meio Ambiente de São Bernardo vai abrir inquérito para investigar o caso da chimpanzé Chuca baleada por um PM na última segunda-feira no bairro Batistini, em São Bernado. "Vamos interrogar tanto o dono do animal, quanto o policial que atirou, e averiguar a responsabilidade de cada um", disse o delegado Antônio Mesquita.

O cabo da PM Josélio Zumba Gomes, 37 anos, que atirou na chimpanzé, pode ser indiciado por maus-tratos. Se condenado, deve pagar multa a ser calculada pelo juiz. Já o dono do animal, o adestrador Valdir Bonetti Oliveira, 42 anos, pode responder por omissão de cuidados. A pena para a contravenção também é multa.

O corpo da chimpanzé, que morreu na madrugada de terça-feira, está sendo conservado em uma clínica veterinária particular em São Bernardo. De lá, será enviado para a USP (Universidade de São Paulo) e passará por uma necrópsia. No exame, será averiguado se a bala que atingiu o animal é mesmo de uma arma da PM.

Apesar de depoimentos de testemunhas afirmando que a chimpanzé não atacou o policial que efetuou o disparo, a PM afirma que agiu em legítima defesa. O comando do 6º Batalhão da PM enviou o seguinte comunicado ao Diário: "Ao tentar conter o animal, o PM Zumba foi repelido pelo primata que avançou em sua direção tentando mordê-lo, momento em que não tendo mais como se defender veio a efetuar um disparo de arma de fogo." O mesmo comunicado ainda afirma que a corporação ficou sensibilizada ao saber da morte do animal, mas que "situações de emergência necessitam de medidas drásticas".

Em São Bernardo, casos de animais exóticos ou silvestres em fuga geralmente são atendidos pelos bombeiros. No entanto, o Corpo de Bombeiros só foi chamado cerca de duas horas depois do começo da ocorrência da fuga da chimpanzé Chuca. A Polícia Ambiental, oficialmente responsável pela contenção de animais silvestres ou exóticos, de acordo com o Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis), afirma que não está aparelhada para esse tipo operação.

Lei - O diretor de fauna do Ibama, Rômulo Mello, afirma que acidentes com animais selvagens ou exóticos são comuns. "Os donos desse tipo de animal não podem se dar ao luxo de serem descuidados. Isso pode gerar acidentes graves."

Chimpanzés não são vendidos por nenhum criador comercial regularizado. No entanto, esse tipo de animal acaba sendo adquirido porque a Lei Ambiental permite a posse de chimpanzés para "apresentações artísticas". "Há 14 projetos na Câmara para proibir o uso de animais para esse fim, já que, muitas vezes, eles sofrem maus-tratos", argumenta Mello.

A aprovação da lei que proíbe o uso de animais em circos é uma das bandeiras do Pedro Ynterian, do Grupo de Apoio aos Grandes Primatas, autor do livro Nossos Amigos Esquecidos, sobre sua experiência como criador conservacionista. Ynterian tem mais de 200 primatas em um "santuário", em Sorocaba (SP). "É fundamental que a lei seja aprovada para que acidentes como o da chimpanzé morta pelo policial não aconteçam mais."



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