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Pelé chama cartolas de corruptos e jogadores, de burros



15/09/2004 | 00:22


O Rei Pelé resolveu atacar alguns dos mais polêmicos dirigentes do país. Irritado com as recentes críticas à lei que leva seu nome, o Atleta do Século disparou nesta terça contra os cartolas dos grandes clubes do futebol brasileiro, acusando-os de corrupção e incompetência. Nem os jogadores escaparam: foram descritos como burros e desunidos. “O futebol brasileiro está nessa falência pela falta de profissionalismo e de honestidade dos dirigentes”, disse Pelé, em entrevista em São Paulo. “Os caras roubam os clubes, somem com o dinheiro e vêm por a culpa na Lei”.

Questionado, o ex-jogador, sem titubear, afirmou que a corrupção afeta a maioria dos cartolas nacionais e citou os do Flamengo, do Corinthians e do Vasco como exemplos de desonestidade. “Cadê o dinheiro que entrou no Flamengo, os R$ 80 milhões da ISL? E o do Corinthians, da Hicks Muse? No Vasco, com o Nations Bank, foram outros R$ 70 milhões. Era para pagar as dívidas, construir estádio... E aonde foi o dinheiro?”

O Rei falou com rispidez. Atacou os dois clubes de maior torcida do Rio e o mais popular de São Paulo como casos de times que receberam fortunas dos patrocinadores internacionais nos últimos anos e hoje estão cheios de dívida e alegam falta de dinheiro para manter times de qualidade.

Há um mês, dirigentes do Corinthians e do Flamengo culparam a Lei Pelé pelo fato de os principais jogadores brasileiros estarem em clubes do exterior. “Essa lei está destruindo o futebol brasileiro”, afirmou na época o vice-presidente do Corinthians, Antonio Roque Citadini, após a saída do lateral Rogério para jogar no Sporting de Portugal. Júnior, diretor do Flamengo, pediu uma reavaliação do texto e disse que a lei contribuiu decisivamente para o êxodo dos craques nacionais.

Para Pelé, a saída de grandes jogadores para a Europa existe desde a época em que ainda jogava, mas a penúria do futebol nacional é recente. “Os times já estavam falidos antes da Lei Pelé. Agora, porque têm de vender jogador, a culpa é da Lei Pelé”, afirmou, indignado, acrescentando que, nos seus cálculos, pelo menos R$ 500 milhões entraram nos grandes clubes desde que as empresas estrangeiras começaram a investir no futebol nacional, mas o dinheiro foi parar no bolso dos cartolas e nada foi aproveitado para melhorar a condição dos clubes.

Como exemplo de trabalho sério, Pelé citou apenas o Cruzeiro, dizendo que o clube mineiro usou os recursos que teve para fazer um novo centro de treinamento. “A Toca da Raposa 2 é uma das instalações mais modernas do mundo”, afirmou.

Sobre a Lei Pelé, número 9.615, promulgada em 25 de março de 1998, o ex-jogador defendeu o texto dizendo que foi um grande avanço para o esporte nacional, mas reconheceu que ele é incompleto e insuficiente. “A lei não é o que eu queria. É uma lei capenga. Falta, principalmente, a exigência de prestação de contas dos clubes”, disse. Outra falha da lei, segundo ele, seria não exigir transparência na venda de jogadores. “A autorização para vender jogadores deveria depender dos conselhos, com valores revelados.”

Pelé culpou principalmente os dirigentes dos clubes, mas não isentou os próprios jogadores pela situação do futebol nacional. Segundo ele, os atletas estão errados ao não se unir como classe trabalhadora e ao não aproveitar a liberdade permitida pela extinção do passe. “É um problema de burrice do jogador. Eles tiveram a liberdade, mas tiraram o clube e passaram a ficar nas mãos de empresários”, afirmou. “A classe de jogadores é muito desunida.”

Mundial – Edson Arantes do Nascimento também comentou a organização da Copa do Mundo de 2010 pela África do Sul. “Orgulho-me de ter ajudado a candidatura da África do Sul. O continente africano merecia há tempos realizar uma Copa e eles estão fazendo um trabalho maravilhoso de preparação”, disse Pelé, que visitou recentemente os locais onde estão em construção os estádios sul-africanos.

Sobre a possibilidade de o Brasil organizar o Mundial de 2014, disse que, no momento certo, a África do Sul também vai ajudar. Porém, após o recente prejuízo dos cofres públicos gregos pela realização da Olimpíada, Pelé não mostrou apoio incondicional ao Mundial brasileiro. “Acho que será sensacional, merecemos fazer uma Copa, mas devemos esperar que a iniciativa privada financie o investimento. Se for para sacrificar cidadãos para realizar um torneio de um mês, aí não vale.”



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Pelé chama cartolas de corruptos e jogadores, de burros


15/09/2004 | 00:22


O Rei Pelé resolveu atacar alguns dos mais polêmicos dirigentes do país. Irritado com as recentes críticas à lei que leva seu nome, o Atleta do Século disparou nesta terça contra os cartolas dos grandes clubes do futebol brasileiro, acusando-os de corrupção e incompetência. Nem os jogadores escaparam: foram descritos como burros e desunidos. “O futebol brasileiro está nessa falência pela falta de profissionalismo e de honestidade dos dirigentes”, disse Pelé, em entrevista em São Paulo. “Os caras roubam os clubes, somem com o dinheiro e vêm por a culpa na Lei”.

Questionado, o ex-jogador, sem titubear, afirmou que a corrupção afeta a maioria dos cartolas nacionais e citou os do Flamengo, do Corinthians e do Vasco como exemplos de desonestidade. “Cadê o dinheiro que entrou no Flamengo, os R$ 80 milhões da ISL? E o do Corinthians, da Hicks Muse? No Vasco, com o Nations Bank, foram outros R$ 70 milhões. Era para pagar as dívidas, construir estádio... E aonde foi o dinheiro?”

O Rei falou com rispidez. Atacou os dois clubes de maior torcida do Rio e o mais popular de São Paulo como casos de times que receberam fortunas dos patrocinadores internacionais nos últimos anos e hoje estão cheios de dívida e alegam falta de dinheiro para manter times de qualidade.

Há um mês, dirigentes do Corinthians e do Flamengo culparam a Lei Pelé pelo fato de os principais jogadores brasileiros estarem em clubes do exterior. “Essa lei está destruindo o futebol brasileiro”, afirmou na época o vice-presidente do Corinthians, Antonio Roque Citadini, após a saída do lateral Rogério para jogar no Sporting de Portugal. Júnior, diretor do Flamengo, pediu uma reavaliação do texto e disse que a lei contribuiu decisivamente para o êxodo dos craques nacionais.

Para Pelé, a saída de grandes jogadores para a Europa existe desde a época em que ainda jogava, mas a penúria do futebol nacional é recente. “Os times já estavam falidos antes da Lei Pelé. Agora, porque têm de vender jogador, a culpa é da Lei Pelé”, afirmou, indignado, acrescentando que, nos seus cálculos, pelo menos R$ 500 milhões entraram nos grandes clubes desde que as empresas estrangeiras começaram a investir no futebol nacional, mas o dinheiro foi parar no bolso dos cartolas e nada foi aproveitado para melhorar a condição dos clubes.

Como exemplo de trabalho sério, Pelé citou apenas o Cruzeiro, dizendo que o clube mineiro usou os recursos que teve para fazer um novo centro de treinamento. “A Toca da Raposa 2 é uma das instalações mais modernas do mundo”, afirmou.

Sobre a Lei Pelé, número 9.615, promulgada em 25 de março de 1998, o ex-jogador defendeu o texto dizendo que foi um grande avanço para o esporte nacional, mas reconheceu que ele é incompleto e insuficiente. “A lei não é o que eu queria. É uma lei capenga. Falta, principalmente, a exigência de prestação de contas dos clubes”, disse. Outra falha da lei, segundo ele, seria não exigir transparência na venda de jogadores. “A autorização para vender jogadores deveria depender dos conselhos, com valores revelados.”

Pelé culpou principalmente os dirigentes dos clubes, mas não isentou os próprios jogadores pela situação do futebol nacional. Segundo ele, os atletas estão errados ao não se unir como classe trabalhadora e ao não aproveitar a liberdade permitida pela extinção do passe. “É um problema de burrice do jogador. Eles tiveram a liberdade, mas tiraram o clube e passaram a ficar nas mãos de empresários”, afirmou. “A classe de jogadores é muito desunida.”

Mundial – Edson Arantes do Nascimento também comentou a organização da Copa do Mundo de 2010 pela África do Sul. “Orgulho-me de ter ajudado a candidatura da África do Sul. O continente africano merecia há tempos realizar uma Copa e eles estão fazendo um trabalho maravilhoso de preparação”, disse Pelé, que visitou recentemente os locais onde estão em construção os estádios sul-africanos.

Sobre a possibilidade de o Brasil organizar o Mundial de 2014, disse que, no momento certo, a África do Sul também vai ajudar. Porém, após o recente prejuízo dos cofres públicos gregos pela realização da Olimpíada, Pelé não mostrou apoio incondicional ao Mundial brasileiro. “Acho que será sensacional, merecemos fazer uma Copa, mas devemos esperar que a iniciativa privada financie o investimento. Se for para sacrificar cidadãos para realizar um torneio de um mês, aí não vale.”

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