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A cada dia, três armas saem das ruas

Denis Maciel/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Fábio Munhoz
Do Diário do Grande ABC

22/06/2012 | 07:00


O Grande ABC retira das ruas cerca de três armas de fogo por dia. Apesar da região ter aderido à Campanha do Desarmamento, organizada pelo Ministério da Justiça, a maior parte dos artefatos saiu de circulação em operações de apreensão das polícias.

Desde setembro, quando as sete prefeituras da região aderiram à campanha, 223 armas foram entregues voluntariamente nos postos de arrecadação de Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema e Ribeirão Pires. Mauá e Rio Grande da Serra não informaram a quantidade coletada. Ao todo, a região conta com 13 pontos de entrega, localizados em quartéis da Polícia Militar e bases da GCM (Guarda Civil Municipal) (veja relação completa no quadro abaixo).

O total arrecadado pela campanha corresponde a 27 armas por mês, aproximadamente. Desde janeiro do ano passado, a Polícia Militar apreendeu 971 armamentos, o equivalente a cerca de 57 a cada mês.

Na opinião do coordenador do GT (Grupo de Trabalho) de Segurança do Consórcio Intermunicipal, Benedito Mariano, os números da campanha são baixos. "Na primeira fase, entre 2005 e 2006, Diadema arrecadou sozinha 1.930 armas. Na segunda fase, em 2007, foram 238", compara Mariano, que é secretário de Segurança Pública de São Bernardo. Desde setembro, Diadema angariou 21 artefatos.

O coordenador avalia que falta divulgação por parte do Ministério da Justiça. "Paradoxalmente, essa fase da ação oferece mais facilidade para o cidadão, e a entrega da indenização está mais ágil", comenta. Nas campanhas anteriores, o voluntário precisava fornecer o número do CPF e da conta bancária para que o governo depositasse o valor da indenização. Agora, a identificação não é mais necessária e, no momento da entrega, o ex-proprietário recebe protocolo para retirada do dinheiro no Banco do Brasil ou em caixas eletrônicos. A indenização varia entre R$ 100 e R$ 300. O valor é definido conforme o tipo do armamento.

Mariano explica que, se a arma estiver identificada, é destruída no ato da entrega. Caso esteja com numeração raspada, é enviada para a Polícia Federal.

Grande ABC votou pela permissão do comércio

No referendo realizado em 2005, a população do Grande ABC votou contra a proibição do comércio de armas de fogo e munição no Brasil. Dos 1.427.153 votos válidos registrados, 806.083 (56,5%) eleitores disseram ‘não'. A restrição foi a opção escolhida por 621.070 (43,5%) pessoas.

Em todo o território nacional, 63,9% dos eleitores se posicionaram contra a proibição.

A única cidade da região onde o ‘sim' teve a maior parte dos votos foi Diadema, com 50,22%. Na época, especialistas avaliaram o resultado como consequência dos altos índices de violência que eram registrados no município. O ‘sim' também foi maioria no distrito do Jardim Ângela, na Zona Sul da Capital. O bairro era conhecido como um dos mais perigosos da cidade.

São Caetano e Ribeirão Pires foram as cidades onde a maior parte da população se manifestou contra a restrição. Os índices registrados foram de 64,7% e 61,72%, respectivamente.

Em 2010, tiros mataram 330 na região

No ano passado, 330 pessoas morreram no Grande ABC após serem atingidas por disparos de armas de fogo, revelam dados do Ministério da Saúde. Além de homicídios, as estatísticas incluem tiros acidentais e suicídios.

Apesar do número ser alto - quase uma morte por dia - houve queda de 69,5% desde o início da década. Em 2001, 1.084 pessoas foram mortas por armas de fogo.

Para o coordenador de armas do Instituto Sou da Paz, Bruno Langeani, o desarmamento evita assassinatos motivados por brigas. "A cada dez homicídios, sete são causados por desentendimentos banais. Se a pessoa tem um revólver disponível, a probabilidade do crime aumenta mais que com a arma branca", avalia.

Outro fator positivo apontado pelo especialista é a diminuição do risco de o artefato chegar aos infratores. "Sessenta e oito por cento das armas apreendidas nas mãos de criminosos, um dia foram adquiridas legalmente." Segundo Langeani, a cada 18 armas retiradas da rua, uma morte é evitada.

Em relação ao número baixo de arrecadações da Campanha do Desarmamento na região, Langeani sugere a criação de mais postos de entrega. "Em São Paulo, são cerca de 70 pontos. Quanto mais a entrega for facilitada, maior o estímulo." Na Capital, os artefatos podem ser levados a delegacias, inspetorias regionais da GCM (Guarda Civil Metropolitana) e até paróquias. O especialista informa que a média de arrecadação na Capital é de 190 unidades ao mês.



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A cada dia, três armas saem das ruas

Fábio Munhoz
Do Diário do Grande ABC

22/06/2012 | 07:00


O Grande ABC retira das ruas cerca de três armas de fogo por dia. Apesar da região ter aderido à Campanha do Desarmamento, organizada pelo Ministério da Justiça, a maior parte dos artefatos saiu de circulação em operações de apreensão das polícias.

Desde setembro, quando as sete prefeituras da região aderiram à campanha, 223 armas foram entregues voluntariamente nos postos de arrecadação de Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema e Ribeirão Pires. Mauá e Rio Grande da Serra não informaram a quantidade coletada. Ao todo, a região conta com 13 pontos de entrega, localizados em quartéis da Polícia Militar e bases da GCM (Guarda Civil Municipal) (veja relação completa no quadro abaixo).

O total arrecadado pela campanha corresponde a 27 armas por mês, aproximadamente. Desde janeiro do ano passado, a Polícia Militar apreendeu 971 armamentos, o equivalente a cerca de 57 a cada mês.

Na opinião do coordenador do GT (Grupo de Trabalho) de Segurança do Consórcio Intermunicipal, Benedito Mariano, os números da campanha são baixos. "Na primeira fase, entre 2005 e 2006, Diadema arrecadou sozinha 1.930 armas. Na segunda fase, em 2007, foram 238", compara Mariano, que é secretário de Segurança Pública de São Bernardo. Desde setembro, Diadema angariou 21 artefatos.

O coordenador avalia que falta divulgação por parte do Ministério da Justiça. "Paradoxalmente, essa fase da ação oferece mais facilidade para o cidadão, e a entrega da indenização está mais ágil", comenta. Nas campanhas anteriores, o voluntário precisava fornecer o número do CPF e da conta bancária para que o governo depositasse o valor da indenização. Agora, a identificação não é mais necessária e, no momento da entrega, o ex-proprietário recebe protocolo para retirada do dinheiro no Banco do Brasil ou em caixas eletrônicos. A indenização varia entre R$ 100 e R$ 300. O valor é definido conforme o tipo do armamento.

Mariano explica que, se a arma estiver identificada, é destruída no ato da entrega. Caso esteja com numeração raspada, é enviada para a Polícia Federal.

Grande ABC votou pela permissão do comércio

No referendo realizado em 2005, a população do Grande ABC votou contra a proibição do comércio de armas de fogo e munição no Brasil. Dos 1.427.153 votos válidos registrados, 806.083 (56,5%) eleitores disseram ‘não'. A restrição foi a opção escolhida por 621.070 (43,5%) pessoas.

Em todo o território nacional, 63,9% dos eleitores se posicionaram contra a proibição.

A única cidade da região onde o ‘sim' teve a maior parte dos votos foi Diadema, com 50,22%. Na época, especialistas avaliaram o resultado como consequência dos altos índices de violência que eram registrados no município. O ‘sim' também foi maioria no distrito do Jardim Ângela, na Zona Sul da Capital. O bairro era conhecido como um dos mais perigosos da cidade.

São Caetano e Ribeirão Pires foram as cidades onde a maior parte da população se manifestou contra a restrição. Os índices registrados foram de 64,7% e 61,72%, respectivamente.

Em 2010, tiros mataram 330 na região

No ano passado, 330 pessoas morreram no Grande ABC após serem atingidas por disparos de armas de fogo, revelam dados do Ministério da Saúde. Além de homicídios, as estatísticas incluem tiros acidentais e suicídios.

Apesar do número ser alto - quase uma morte por dia - houve queda de 69,5% desde o início da década. Em 2001, 1.084 pessoas foram mortas por armas de fogo.

Para o coordenador de armas do Instituto Sou da Paz, Bruno Langeani, o desarmamento evita assassinatos motivados por brigas. "A cada dez homicídios, sete são causados por desentendimentos banais. Se a pessoa tem um revólver disponível, a probabilidade do crime aumenta mais que com a arma branca", avalia.

Outro fator positivo apontado pelo especialista é a diminuição do risco de o artefato chegar aos infratores. "Sessenta e oito por cento das armas apreendidas nas mãos de criminosos, um dia foram adquiridas legalmente." Segundo Langeani, a cada 18 armas retiradas da rua, uma morte é evitada.

Em relação ao número baixo de arrecadações da Campanha do Desarmamento na região, Langeani sugere a criação de mais postos de entrega. "Em São Paulo, são cerca de 70 pontos. Quanto mais a entrega for facilitada, maior o estímulo." Na Capital, os artefatos podem ser levados a delegacias, inspetorias regionais da GCM (Guarda Civil Metropolitana) e até paróquias. O especialista informa que a média de arrecadação na Capital é de 190 unidades ao mês.

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