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Pichação: a arte do vandalismo

Três prefeituras da região têm leis, mas fiscalização é falha


Elaine Granconato
Do Diário do Grande ABC

17/06/2012 | 07:00


Eles chegam de mansinho, geralmente na madrugada. A ação é rápida, eficaz e em locais proibidos, sejam públicos ou privados. Segundos depois, deixam os rastros registrados em sinais e frases de protesto ou insultos para contribuir com a degradação da paisagem urbana. No Grande ABC, Santo André, São Bernardo e Diadema possuem leis municipais para coibir a pichação desenfreada. No entanto, a fiscalização dos órgãos competentes nos sete municípios é visivelmente falha.

A equipe do Diário circulou pelas cidades, mas registrou imagens apenas em Santo André, São Bernardo e São Caetano. A pichação está por todos os lados e cantos, sejam prédios e equipamentos públicos ou privados, além de imóveis residenciais e comerciais. Não há distinção de bairros nobres ou periferia. "Você acha que vou gastar o meu dinheiro suado?", respondeu, de bate-pronto, a professora aposentada Ercília Pereira Borba, 78 anos, ao ser questionada se já tinha restaurado o seu sobrado totalmente pichado, localizado na Rua São Paulo, no bairro Santa Paula, em São Caetano. Além do spray e da tinta, as paredes e pedras foram alvo do giz de cera - nova mania entre os grupos.

Com apenas 15 quilômetros quadrados de território, São Caetano está entre as mais atingidas, apesar da Prefeitura ter informado que "são poucos os casos" na cidade. A administração José Auricchio Júnior (PTB) não possui legislação nem projeto que iniba a prática.

Em São Bernardo, a demarcação de territórios entre os grupos, muitos deles de gangues rivais, pode ser vista a céu aberto. E o mais curioso: diante dos olhos da GCM (Guarda Civil Municipal). Se não bastasse a sede da corporação ter o muro externo pichado, o Edifício Senador, que teve desabamento parcial e provocou a morte de duas pessoas no dia 6 de fevereiro, até hoje interditado pela polícia, a cada dia apresenta mais uma pichação.
"Isso é coisa de pessoas que não são do bem", afirmou, convicto, o porteiro Gilberto Gonçalves, 56, mais conhecido como Gilberto da Bicicleta, morador do Jardim Ipê, em São Bernardo.

Procurado para falar se há algum projeto em parceria com as GCMs da região para coibir a pichação, o coordenador do Grupo de Trabalho de Segurança no Consórcio Intermunicipal do Grande ABC, Benedito Domingos Mariano, que também é Secretário de Segurança Urbana de São Bernardo, estava em reunião na sexta-feira, em Brasília, e não se manifestou.

Curitiba é exemplo para ser copiado

Mais uma vez, Curitiba sai na frente em políticas públicas bem sucedidas. Junto do Ministério Público, Poder Judiciário, Polícias Militar e Civil, além da população, a Prefeitura investiu em série de ações na recuperação do patrimônio público alvo de pichações.

Não é só o trabalho repressivo da GMC (Guarda Municipal de Curitiba), que implica em multa administrativa de R$ 714,20 ao infrator em flagrante, conforme legislação municipal, que tem diminuído o número de casos na cidade. "As ações sociais e de conscientização surtiram efeito", garantiu Odgar Nunes Cardoso, diretor da corporação, vinculada à Secretaria de Defesa Social.

Entre elas está o Disque-Denúncia 153, serviço criado pela Prefeitura de Curitiba. As denúncias são importante arma no combate às pichações. "A população tem dado o retorno", ressaltou Cardoso. Em novembro de 2011, quando foi feito o lançamento da campanha, houve 714 registros de pichadores, dos quais 199 detidos em flagrante.

Neste ano, 200 ações de pichadores resultaram em pelo menos 50 detenções em flagrante, segundo números da GMC. De 80 viaturas, dez delas, além de cerca de 20 guardas (do total de 1.570), participam da patrulha diária para coibir os atos de vandalismo pela cidade.

Em parceria firmada em 2011 entre a guarda municipal e a 3ª Vara da Infância e Juventude, o adolescente flagrado em atos de infração e delito contra a ordem urbana e patrimônio cultural, passa, obrigatoriamente, por palestra de conscientização. Desde maio de 2011, cerca de 200 pessoas - a maioria adolescentes pichadores - participaram da ação.

Outras frentes são as 116 câmeras de monitoramento instaladas no município, das quais 43 estão localizadas na região central, e o pente-fino realizado pela GCM nas redes sociais, onde os encontros das gangues pichadoras são monitorados. "Em um deles, 32 pessoas foram detidas em flagrante", afirmou o diretor.

Desde 2006, a corporação levanta os custos despendidos pela Prefeitura para reparação dos danos - o governo Luciano Ducci (PTB) gasta cerca de R$ 1 milhão. "Resolvemos unir forças", afirmou Cardoso. A ONG Despiche também é parceira no projeto.



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Pichação: a arte do vandalismo

Três prefeituras da região têm leis, mas fiscalização é falha

Elaine Granconato
Do Diário do Grande ABC

17/06/2012 | 07:00


Eles chegam de mansinho, geralmente na madrugada. A ação é rápida, eficaz e em locais proibidos, sejam públicos ou privados. Segundos depois, deixam os rastros registrados em sinais e frases de protesto ou insultos para contribuir com a degradação da paisagem urbana. No Grande ABC, Santo André, São Bernardo e Diadema possuem leis municipais para coibir a pichação desenfreada. No entanto, a fiscalização dos órgãos competentes nos sete municípios é visivelmente falha.

A equipe do Diário circulou pelas cidades, mas registrou imagens apenas em Santo André, São Bernardo e São Caetano. A pichação está por todos os lados e cantos, sejam prédios e equipamentos públicos ou privados, além de imóveis residenciais e comerciais. Não há distinção de bairros nobres ou periferia. "Você acha que vou gastar o meu dinheiro suado?", respondeu, de bate-pronto, a professora aposentada Ercília Pereira Borba, 78 anos, ao ser questionada se já tinha restaurado o seu sobrado totalmente pichado, localizado na Rua São Paulo, no bairro Santa Paula, em São Caetano. Além do spray e da tinta, as paredes e pedras foram alvo do giz de cera - nova mania entre os grupos.

Com apenas 15 quilômetros quadrados de território, São Caetano está entre as mais atingidas, apesar da Prefeitura ter informado que "são poucos os casos" na cidade. A administração José Auricchio Júnior (PTB) não possui legislação nem projeto que iniba a prática.

Em São Bernardo, a demarcação de territórios entre os grupos, muitos deles de gangues rivais, pode ser vista a céu aberto. E o mais curioso: diante dos olhos da GCM (Guarda Civil Municipal). Se não bastasse a sede da corporação ter o muro externo pichado, o Edifício Senador, que teve desabamento parcial e provocou a morte de duas pessoas no dia 6 de fevereiro, até hoje interditado pela polícia, a cada dia apresenta mais uma pichação.
"Isso é coisa de pessoas que não são do bem", afirmou, convicto, o porteiro Gilberto Gonçalves, 56, mais conhecido como Gilberto da Bicicleta, morador do Jardim Ipê, em São Bernardo.

Procurado para falar se há algum projeto em parceria com as GCMs da região para coibir a pichação, o coordenador do Grupo de Trabalho de Segurança no Consórcio Intermunicipal do Grande ABC, Benedito Domingos Mariano, que também é Secretário de Segurança Urbana de São Bernardo, estava em reunião na sexta-feira, em Brasília, e não se manifestou.

Curitiba é exemplo para ser copiado

Mais uma vez, Curitiba sai na frente em políticas públicas bem sucedidas. Junto do Ministério Público, Poder Judiciário, Polícias Militar e Civil, além da população, a Prefeitura investiu em série de ações na recuperação do patrimônio público alvo de pichações.

Não é só o trabalho repressivo da GMC (Guarda Municipal de Curitiba), que implica em multa administrativa de R$ 714,20 ao infrator em flagrante, conforme legislação municipal, que tem diminuído o número de casos na cidade. "As ações sociais e de conscientização surtiram efeito", garantiu Odgar Nunes Cardoso, diretor da corporação, vinculada à Secretaria de Defesa Social.

Entre elas está o Disque-Denúncia 153, serviço criado pela Prefeitura de Curitiba. As denúncias são importante arma no combate às pichações. "A população tem dado o retorno", ressaltou Cardoso. Em novembro de 2011, quando foi feito o lançamento da campanha, houve 714 registros de pichadores, dos quais 199 detidos em flagrante.

Neste ano, 200 ações de pichadores resultaram em pelo menos 50 detenções em flagrante, segundo números da GMC. De 80 viaturas, dez delas, além de cerca de 20 guardas (do total de 1.570), participam da patrulha diária para coibir os atos de vandalismo pela cidade.

Em parceria firmada em 2011 entre a guarda municipal e a 3ª Vara da Infância e Juventude, o adolescente flagrado em atos de infração e delito contra a ordem urbana e patrimônio cultural, passa, obrigatoriamente, por palestra de conscientização. Desde maio de 2011, cerca de 200 pessoas - a maioria adolescentes pichadores - participaram da ação.

Outras frentes são as 116 câmeras de monitoramento instaladas no município, das quais 43 estão localizadas na região central, e o pente-fino realizado pela GCM nas redes sociais, onde os encontros das gangues pichadoras são monitorados. "Em um deles, 32 pessoas foram detidas em flagrante", afirmou o diretor.

Desde 2006, a corporação levanta os custos despendidos pela Prefeitura para reparação dos danos - o governo Luciano Ducci (PTB) gasta cerca de R$ 1 milhão. "Resolvemos unir forças", afirmou Cardoso. A ONG Despiche também é parceira no projeto.

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