Fechar
Publicidade

Sábado, 8 de Agosto

|

Max º Min º
Clima da Região Trânsito Assine Clube do Assinante Diário Virtual Login

Setecidades

setecidades@dgabc.com.br | 4435-8319

Campeã das águas desafia o tempo


Do Diário do Grande ABC

16/01/2005 | 17:52


"Nossa Senhora, vamos para a água. Chegou a nossa hora. Por favor, não sai do meu lado, vamos nadando juntas, até a linha de chegada." É assim, convidando a padroeira do Brasil para dar braçadas, que a nadadora Olga Dalarovera Arsuffi, 70 anos, inicia as travessias das quais participa no mar, no rio, na represa. Sempre ao ar livre. Devota de Nossa Senhora Aparecida, o pedido da aposentada, em forma de reza, parece ter sido abençoado todas as vezes em que caiu na água para vencer os 3 quilômetros de prova. Ela, que até perto dos 50 anos nunca havia entrado numa piscina, hoje é hexacampeã paulista de maratonas aquáticas. É a mais velha participante inscrita na Federação Paulista de Natação, rumo ao sétimo título da carreira meteórica: dos 11 campeonatos que disputou, ganhou seis.

Dona Olga aparenta ter duas décadas a menos do que realmente tem, não abandona os treinos nem quando o frio racha a pele e não se lembra da última vez que pegou um resfriado. "Nem tosse eu tenho. Minha saúde é excelente." Mas nem sempre foi assim. Quando completou 48 anos, sentia fortes dores nas articulações de mãos e pés. O médico receitou natação como remédio. A medicação não só fez efeito como virou prazer, lazer e estímulo. Desde então, nada pelo menos três vezes por semana. No começo, tinha tanto medo da água que evitava ir até a parte mais funda da piscina. "Demorei uns bons meses para ter coragem de afundar a cabeça".

Aos poucos, os movimentos foram ficando mais leves e, sem perceber, dona Olga se tornou íntima da água. As competições só apareceram mais tarde, quando ela chegava perto dos 60 anos. Incentivada pelos filhos, os três atletas profissionais, ela se inscreveu pela primeira vez numa maratona aquática em 1993, que seria realizada na represa Billings, pertinho de sua casa, que fica no Ferrazópolis. "Meu filho mais velho nadou comigo, do meu lado.

Tinha medo de nadar ao ar livre. Estava tão concentrada que nem me dei conta de que estava no meio da represa. Meu filho perguntava ‘tá cansada, mãe?’, e eu respondia ‘vamos continuar’.

Desde então, pegou gostou pela natação praticada ao ar livre e se tornou uma atleta da Federação. O circuito de maratonas é realizado em todo o Estado, interior e litoral. São dez provas de 3 quilômetros por ano. Virou exemplo para os mais novos e se orgulha de dizer que nunca "subiu no barco" no meio de nenhuma travessia. Nem por causa do mau tempo, nem quando foi atropelada por um caiaque. Muito menos por cansaço. "Uma vez quase desisti de competir porque estava chovendo muito. Na última hora, subi no ônibus que leva os atletas daqui para as provas. Quando entrei, um garoto me disse: ‘Dona Olga, eu só enfrento essa chuva porque tinha certeza que a senhora vinha’. É um estímulo e tanto para continuar’.

Da prática esportiva, dona Olga aprendeu que tudo na vida precisa de esforço e paciência. "Às vezes estou no meio de uma maratona difícil. Parece que nado, nado, e não chego nunca. Aí eu penso: ‘o que uma senhora está fazendo no meio dessa água gelada? De repente, tudo melhora. Avisto a terra e as pessoas que estão me esperando chegar’.

O marido, Felício, com o qual é casada há 49 anos, acompanha a mulher na maioria das provas. Ao contrário de dona Olga e dos três filhos – que montaram uma academia vizinha à casa da família –, ele gosta mesmo é de assistir. Praticar, definitivamente, não é com ele, avisa. "Minha esposa nada. Meus filhos nadam. E eu faço nada", brinca seu Felício.

O circuito de maratonas aquáticas deste ano começa antes do Carnaval. A primeira prova será em Campinas. No ano passado, dona Olga não teve concorrentes da sua idade e levou sozinha o título da categoria. Este ano, espera que outras competidoras completem 70 anos, para que façam companhia na disputa. Ao todo, a campeã já nadou mais de 300 quilômetros se somadas todas as travessias que cumpriu. Cruzou mais de cem vezes a linha de chegada. Ela e a santa. E garante que a dupla está mais do que preparada para o campeonato. "Se tiver que cair na água agora, garanto que não faço feio." Com a bênção de Nossa Senhora Aparecida.



Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.

Campeã das águas desafia o tempo

Do Diário do Grande ABC

16/01/2005 | 17:52


"Nossa Senhora, vamos para a água. Chegou a nossa hora. Por favor, não sai do meu lado, vamos nadando juntas, até a linha de chegada." É assim, convidando a padroeira do Brasil para dar braçadas, que a nadadora Olga Dalarovera Arsuffi, 70 anos, inicia as travessias das quais participa no mar, no rio, na represa. Sempre ao ar livre. Devota de Nossa Senhora Aparecida, o pedido da aposentada, em forma de reza, parece ter sido abençoado todas as vezes em que caiu na água para vencer os 3 quilômetros de prova. Ela, que até perto dos 50 anos nunca havia entrado numa piscina, hoje é hexacampeã paulista de maratonas aquáticas. É a mais velha participante inscrita na Federação Paulista de Natação, rumo ao sétimo título da carreira meteórica: dos 11 campeonatos que disputou, ganhou seis.

Dona Olga aparenta ter duas décadas a menos do que realmente tem, não abandona os treinos nem quando o frio racha a pele e não se lembra da última vez que pegou um resfriado. "Nem tosse eu tenho. Minha saúde é excelente." Mas nem sempre foi assim. Quando completou 48 anos, sentia fortes dores nas articulações de mãos e pés. O médico receitou natação como remédio. A medicação não só fez efeito como virou prazer, lazer e estímulo. Desde então, nada pelo menos três vezes por semana. No começo, tinha tanto medo da água que evitava ir até a parte mais funda da piscina. "Demorei uns bons meses para ter coragem de afundar a cabeça".

Aos poucos, os movimentos foram ficando mais leves e, sem perceber, dona Olga se tornou íntima da água. As competições só apareceram mais tarde, quando ela chegava perto dos 60 anos. Incentivada pelos filhos, os três atletas profissionais, ela se inscreveu pela primeira vez numa maratona aquática em 1993, que seria realizada na represa Billings, pertinho de sua casa, que fica no Ferrazópolis. "Meu filho mais velho nadou comigo, do meu lado.

Tinha medo de nadar ao ar livre. Estava tão concentrada que nem me dei conta de que estava no meio da represa. Meu filho perguntava ‘tá cansada, mãe?’, e eu respondia ‘vamos continuar’.

Desde então, pegou gostou pela natação praticada ao ar livre e se tornou uma atleta da Federação. O circuito de maratonas é realizado em todo o Estado, interior e litoral. São dez provas de 3 quilômetros por ano. Virou exemplo para os mais novos e se orgulha de dizer que nunca "subiu no barco" no meio de nenhuma travessia. Nem por causa do mau tempo, nem quando foi atropelada por um caiaque. Muito menos por cansaço. "Uma vez quase desisti de competir porque estava chovendo muito. Na última hora, subi no ônibus que leva os atletas daqui para as provas. Quando entrei, um garoto me disse: ‘Dona Olga, eu só enfrento essa chuva porque tinha certeza que a senhora vinha’. É um estímulo e tanto para continuar’.

Da prática esportiva, dona Olga aprendeu que tudo na vida precisa de esforço e paciência. "Às vezes estou no meio de uma maratona difícil. Parece que nado, nado, e não chego nunca. Aí eu penso: ‘o que uma senhora está fazendo no meio dessa água gelada? De repente, tudo melhora. Avisto a terra e as pessoas que estão me esperando chegar’.

O marido, Felício, com o qual é casada há 49 anos, acompanha a mulher na maioria das provas. Ao contrário de dona Olga e dos três filhos – que montaram uma academia vizinha à casa da família –, ele gosta mesmo é de assistir. Praticar, definitivamente, não é com ele, avisa. "Minha esposa nada. Meus filhos nadam. E eu faço nada", brinca seu Felício.

O circuito de maratonas aquáticas deste ano começa antes do Carnaval. A primeira prova será em Campinas. No ano passado, dona Olga não teve concorrentes da sua idade e levou sozinha o título da categoria. Este ano, espera que outras competidoras completem 70 anos, para que façam companhia na disputa. Ao todo, a campeã já nadou mais de 300 quilômetros se somadas todas as travessias que cumpriu. Cruzou mais de cem vezes a linha de chegada. Ela e a santa. E garante que a dupla está mais do que preparada para o campeonato. "Se tiver que cair na água agora, garanto que não faço feio." Com a bênção de Nossa Senhora Aparecida.

Ao acessar você concorda com a nossa Política de Privacidade.


Para continuar, faça o seu login:


  • Aceito receber novidades e ofertas do Diário do Grande ABC e parceiros por
    correio eletrônico, mala direta, SMS ou outros meios de comunicação.


Ou acesse todo o conteúdo de forma ilimitada:

Veja como ter acesso a todo o conteúdo de forma ilimitada:

Copyright © 1995-2017 - Todos direitos reservados

;