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Restauração da vila dá novo passo

Claudinei Plaza/DGABC: Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Recuperação ocorre em seis imóveis de
madeira; obras integram programa federal


Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

28/08/2016 | 07:00


O processo de restauração da Vila de Paranapiacaba, em Santo André, deu mais um passo no caminho de devolver ao local, que concentra 1.000 habitantes, suas características originais. Por meio do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) Cidades Históricas, do governo federal, – que tem verba de R$ 41 milhões – teve início o trabalho de recuperação de seis residências feitas com madeira, intervenção complexa e que deve ser concluída em outubro, conforme a equipe que atua nas obras. A finalização de todo o processo de melhoria da Vila está programada para ocorrer em 2018.

A recuperação das residências contou com trabalho de pesquisa que durou 50 dias. Isso porque a equipe responsável pelo restauro precisou encontrar madeira similar à das construções originais. “A maioria das casas é feita de pinho de riga e peroba. Hoje, é proibido fazer a extração dessas árvores, de forma que tivemos de nos readequar. Utilizamos a madeira da garapeira, que tem características semelhantes”, explicou o mestre de restauro da PCS Services Restauro, empresa responsável pela execução das obras, Sidney Fischer.

Segundo o técnico, o índice de reaproveitamento das madeiras antigas das casas é de apenas 30%, tendo em vista o comprometimento do material. Além de insetos e cupins, os imóveis sofreram devido à má conservação dos moradores, explica o secretário de Gestão de Recursos naturais de Paranapiacaba e Parque Andreense, Ricardo Di Giorgio. “Durante todos esses anos, era bastante comum que os moradores lavassem a casa, o que contribuiu para o estado de conservação.” Para evitar problemas futuros, a Prefeitura planeja a distribuição de manual de cuidados, além de ampliar a fiscalização.

Ainda segundo Di Giorgio, com o fim das obras, em 2018, a ideia é que as máquinas, que foram doadas ao município para a instalação de madeireira para auxiliar nas intervenções, sejam destinadas aos moradores. “Nossa ideia é retomar projeto de oficinas de manutenção que existia em 2009. Dessa forma, quando os moradores precisarem repor as janelas, eles poderão produzir e comprar aqui mesmo.”

A estrutura padrão dos imóveis, que serviam de abrigo para os trabalhadores da São Paulo Railway a partir de 1890, era composta por três cômodos. O banheiro ficava em casinha do lado de fora, o que será mantido para os restaurantes e comércios. Já nas residências será adaptado no interior e a construção externa será usada para outras finalidades. As chaminés, que antigamente eram necessárias devido à presença dos fogões a lenha, também fazem parte do projeto.

“Nesse processo, a gente procura reaproveitar o máximo de material possível, porém, a dos chamados puxadinhos precisa ser descartada. A ideia é recuperar a volumetria original de cada casa de madeira, assim como as de alvenaria”, explicou o secretário.<EM>

No total, oito casas de alvenaria já passaram por restauro. A previsão é que, em 20 dias, mais quatro imóveis do mesmo material comecem a ser recuperados. No total, 242 residências vão passar pelo processo de melhoria.

HISTÓRIA

As pequenas construções, visíveis para os visitantes assim que ultrapassam a passarela, eram entregues aos trabalhadores da companhia de acordo com o cargo que exerciam. As casas de madeira eram construídas em cima de porões com respiradouros, estrutura para que as madeiras não estragassem e também para que as construções ficassem niveladas.

Conforme Di Giorgio, em 1946 os ingleses foram embora da vila e a Ferrovia Santos-Jundiaí passou a ser controlada pelo governo federal. Até aí, as casas eram mantidas. Em 1970, o sistema ferroviário entrou em declínio, já que o investimento em mobilidade passou a ser voltado para as rodovias. Nas décadas de 1980 e 1990, foram iniciadas as construções dos anexos e a vila começou a perder a sua arquitetura original.

GARAGEM

A estrutura de 900 metros quadrados que vai abrigar o Expresso Turístico tem previsão para ser entregue no fim deste ano. Anteriormente, o prédio funcionava como garagem para os trens e agora vai contar com prédio de apoio ao turista (também original da vila).

“Foram cerca de 50 dias para que encontrássemos o tipo de tijolo mais próximo do utilizado. Fizemos contato com diversas olarias, até conseguirmos chegar nesse, que tem a cor mais próxima”, afirmou o engenheiro responsável pelas obras, Wanderlei Junior.

Bar da Zilda funciona em outro local

Um dos principais restaurantes do local, o Bar da Zilda, está de cara nova. O imóvel anterior, que não pertencia à parte histórica da vila, foi demolido e o estabelecimento está funcionando em antigo galpão onde era um almoxarifado.

A construção, que ficava escondida atrás do restaurante, é de madeira e tem cerca de 600 metros quadrados. Ela era utilizada para que peças fossem guardadas e não ficava visível ao público.

As portas, janelas e o teto foram totalmente reconstruídos. Sob as telhas de zinco, que substituíram o teto de madeira, foi colocada manta acústica. O espaço acomoda atualmente 150 pessoas.

A proprietária, Zilda Maria Bergamini, 59 anos, que é uma das mais conhecidas moradoras e comerciantes da vila, aprovou a construção. A estreia do prédio foi no Festival de Inverno de Paranapiacaba. “As pessoas gostaram bastante. Antes, elas ficavam no nível da rua e diziam que não se sentiam tão confortáveis. Agora, elas estão em um ambiente mais acolhedor”, afirmou.

Além disso, a estrutura é acessível, já que não tem escadas e sim rampas que também dão acesso ao deck. As prateleiras onde as peças dos trens eram colocadas, agora são utilizadas para as tradicionais cachaças e geleias de cambuci.

O PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) Cidades Históricas, programa do governo federal, disponibilizou R$ 41 milhões para o projeto de preservação e restauração da Vila de Paranapiacaba, aprovado pelo Iphan (Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). Do total, já foram utilizados R$ 4 milhões da verba, que é liberada aos poucos.  



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Restauração da vila dá novo passo

Recuperação ocorre em seis imóveis de
madeira; obras integram programa federal

Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

28/08/2016 | 07:00


O processo de restauração da Vila de Paranapiacaba, em Santo André, deu mais um passo no caminho de devolver ao local, que concentra 1.000 habitantes, suas características originais. Por meio do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) Cidades Históricas, do governo federal, – que tem verba de R$ 41 milhões – teve início o trabalho de recuperação de seis residências feitas com madeira, intervenção complexa e que deve ser concluída em outubro, conforme a equipe que atua nas obras. A finalização de todo o processo de melhoria da Vila está programada para ocorrer em 2018.

A recuperação das residências contou com trabalho de pesquisa que durou 50 dias. Isso porque a equipe responsável pelo restauro precisou encontrar madeira similar à das construções originais. “A maioria das casas é feita de pinho de riga e peroba. Hoje, é proibido fazer a extração dessas árvores, de forma que tivemos de nos readequar. Utilizamos a madeira da garapeira, que tem características semelhantes”, explicou o mestre de restauro da PCS Services Restauro, empresa responsável pela execução das obras, Sidney Fischer.

Segundo o técnico, o índice de reaproveitamento das madeiras antigas das casas é de apenas 30%, tendo em vista o comprometimento do material. Além de insetos e cupins, os imóveis sofreram devido à má conservação dos moradores, explica o secretário de Gestão de Recursos naturais de Paranapiacaba e Parque Andreense, Ricardo Di Giorgio. “Durante todos esses anos, era bastante comum que os moradores lavassem a casa, o que contribuiu para o estado de conservação.” Para evitar problemas futuros, a Prefeitura planeja a distribuição de manual de cuidados, além de ampliar a fiscalização.

Ainda segundo Di Giorgio, com o fim das obras, em 2018, a ideia é que as máquinas, que foram doadas ao município para a instalação de madeireira para auxiliar nas intervenções, sejam destinadas aos moradores. “Nossa ideia é retomar projeto de oficinas de manutenção que existia em 2009. Dessa forma, quando os moradores precisarem repor as janelas, eles poderão produzir e comprar aqui mesmo.”

A estrutura padrão dos imóveis, que serviam de abrigo para os trabalhadores da São Paulo Railway a partir de 1890, era composta por três cômodos. O banheiro ficava em casinha do lado de fora, o que será mantido para os restaurantes e comércios. Já nas residências será adaptado no interior e a construção externa será usada para outras finalidades. As chaminés, que antigamente eram necessárias devido à presença dos fogões a lenha, também fazem parte do projeto.

“Nesse processo, a gente procura reaproveitar o máximo de material possível, porém, a dos chamados puxadinhos precisa ser descartada. A ideia é recuperar a volumetria original de cada casa de madeira, assim como as de alvenaria”, explicou o secretário.<EM>

No total, oito casas de alvenaria já passaram por restauro. A previsão é que, em 20 dias, mais quatro imóveis do mesmo material comecem a ser recuperados. No total, 242 residências vão passar pelo processo de melhoria.

HISTÓRIA

As pequenas construções, visíveis para os visitantes assim que ultrapassam a passarela, eram entregues aos trabalhadores da companhia de acordo com o cargo que exerciam. As casas de madeira eram construídas em cima de porões com respiradouros, estrutura para que as madeiras não estragassem e também para que as construções ficassem niveladas.

Conforme Di Giorgio, em 1946 os ingleses foram embora da vila e a Ferrovia Santos-Jundiaí passou a ser controlada pelo governo federal. Até aí, as casas eram mantidas. Em 1970, o sistema ferroviário entrou em declínio, já que o investimento em mobilidade passou a ser voltado para as rodovias. Nas décadas de 1980 e 1990, foram iniciadas as construções dos anexos e a vila começou a perder a sua arquitetura original.

GARAGEM

A estrutura de 900 metros quadrados que vai abrigar o Expresso Turístico tem previsão para ser entregue no fim deste ano. Anteriormente, o prédio funcionava como garagem para os trens e agora vai contar com prédio de apoio ao turista (também original da vila).

“Foram cerca de 50 dias para que encontrássemos o tipo de tijolo mais próximo do utilizado. Fizemos contato com diversas olarias, até conseguirmos chegar nesse, que tem a cor mais próxima”, afirmou o engenheiro responsável pelas obras, Wanderlei Junior.

Bar da Zilda funciona em outro local

Um dos principais restaurantes do local, o Bar da Zilda, está de cara nova. O imóvel anterior, que não pertencia à parte histórica da vila, foi demolido e o estabelecimento está funcionando em antigo galpão onde era um almoxarifado.

A construção, que ficava escondida atrás do restaurante, é de madeira e tem cerca de 600 metros quadrados. Ela era utilizada para que peças fossem guardadas e não ficava visível ao público.

As portas, janelas e o teto foram totalmente reconstruídos. Sob as telhas de zinco, que substituíram o teto de madeira, foi colocada manta acústica. O espaço acomoda atualmente 150 pessoas.

A proprietária, Zilda Maria Bergamini, 59 anos, que é uma das mais conhecidas moradoras e comerciantes da vila, aprovou a construção. A estreia do prédio foi no Festival de Inverno de Paranapiacaba. “As pessoas gostaram bastante. Antes, elas ficavam no nível da rua e diziam que não se sentiam tão confortáveis. Agora, elas estão em um ambiente mais acolhedor”, afirmou.

Além disso, a estrutura é acessível, já que não tem escadas e sim rampas que também dão acesso ao deck. As prateleiras onde as peças dos trens eram colocadas, agora são utilizadas para as tradicionais cachaças e geleias de cambuci.

O PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) Cidades Históricas, programa do governo federal, disponibilizou R$ 41 milhões para o projeto de preservação e restauração da Vila de Paranapiacaba, aprovado pelo Iphan (Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). Do total, já foram utilizados R$ 4 milhões da verba, que é liberada aos poucos.  

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