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Figurinhas repetidas


Gabriela Germano
Da TV Press

04/07/2006 | 08:59


Em geral, um bom papel é visto como uma bênção para um ator. Mas, na prática, pode ser uma maldição. Não são poucos os atores que se saem tão bem ao fazer um certo tipo de personagem que, a partir daí, só são chamados para fazer papéis parecidos. Mas há também o caso oposto. Como quando os atores até têm carisma, mas o pouco talento acaba limitando o leque de personagens na hora da escalação.

Seja qual for o caso, a tendência nas produções de TV é encaixar os atores em papéis manjados, que facilitem o trabalho do público na hora de identificar que tipo de personagem é aquele. Por isso, entra novela, sai novela, muitos atores sempre aparecem como mocinhos, vilões ou simplesmente símbolos sexuais. “Meus papéis sempre têm alguma sensualidade. Sou grandona e extravagante, não dá para negar”, constata Cláudia Raia, que costuma ainda acrescentar uma pitada cômica em seus personagens.

Danielle Winits também não consegue escapar do estereótipo da mulher voluptuosa. E a incontestável beleza da atriz é explorada em todas as criações que representa. Isso ocorre desde a estréia na carreira, como a sugestiva Eva, na minissérie global Sex Appeal, em 1993. Essa imagem foi reforçada por aparições com corpo à mostra e conotação sexy em suas inúmeras parcerias com o autor Carlos Lombardi. A atriz, no entanto, prefere enxergar seus papéis pelas diferenças que têm um do outro e encarar a marca da sensualidade como algo natural, que ela garante que não chega a incomodar. “O lado sensual é só um detalhe. Trabalho componentes diferentes na hora de interpretar cada papel”, justifica.

O próprio Carlos Lombardi usa argumentos parecidos com os da atriz para defender os personagens que cria. Segundo ele, a preocupação em estigmatizar determinados atores já o assombrou um dia. Atualmente, o autor afirma que não está nem aí. Segundo Lombardi, muito se disse que a virgem e ingênua Manoela, feita por Danielle Winits em O Quinto dos Infernos, era igual à personagem que ela fez em Uga Uga. “Todos diziam que ela era igual à pândega loira burra. Eu sei que não era e, honestamente, deixei de me preocupar com isso”, conforma-se. O autor também chama a atenção para o fato de que só repete atores em suas diversas novelas quando acredita ter plena certeza de que está dando oportunidade a eles de fazer algo diferente do que já fizeram. “Em Vira-Lata inverti o elenco pensando nisso. Pus o Humberto Martins para fazer o papel do Marcelo Novaes e vice-versa justamente para evitar o estigma”, defende-se.

Já Tiago Santiago julga que é perigoso repetir profissionais em papéis semelhantes justamente por acreditar que eles podem ficar marcados. Apesar de ter levado boa parte do elenco de seu trabalho de estréia da Record, A Escrava Isaura, para atuar em Prova de Amor, ele se preocupou em criar personagens diferentes para o elenco. “Todos os atores das duas novelas tiveram em papéis sem qualquer semelhança”, diz.

Tiago Santiago diz que, por causa da repercussão de Lopo em Prova de Amor, não quer mais ver Leonardo Vieira como vilão. “O interessante agora é experimentá-lo como mocinho”, afirma.

Outro bom exemplo é Beatriz Segall, sempre identificada por personagens ricas e elegantes, de Lurdes Mesquita, em Água Viva, a Odete Roitman, de Vale Tudo – as duas de Gilberto Braga. Em Bicho do Mato, próxima trama da Record, a atriz volta a interpretar uma mulher chique, a matriarca Bárbara.

Quem também sofreu com o repeteco de tipo foi Humberto Martins. O ator, que hoje faz o feitor Bruno, em Sinhá Moça, era um dos “descamisados” obrigatórios nas tramas de Carlos Lombardi. “Na minha novela o Humberto está fazendo um papel que talvez nunca tenha feito”, defende o autor, Benedito Ruy Barbosa. Na época de Kubanacan, de Lombardi, Humberto ficou tão incomodado com a condição de descamisado que ameaçou abandonar a carreira. Agora não aceita nenhum papel que explore seu corpo – em América, sua última novela, se recusava até a aparecer de braços nus.

Juliana Paes, famosa por papéis sensuais, é outra que não quer mais aparecer com pouca roupa na TV. Tanto que recusou participar de um quadro do Casseta & Planeta, Urgente!, da Globo, em que apareceria apenas de biquíni.

Em Sinhá Moça, quem não escapou de um velho estigma foi Elias Gleizer. O Frei José, personagem que ele faz na trama de Benedito, é o sexto padre que o ator interpreta na TV em seus 47 anos de carreira. Antes, ele já tinha incorporado religiosos em Terra Nostra, Salomé, da Globo, Dona Santa, O Meu Pé de Laranja Lima, ambas da Band e Rosa-dos-Ventos, da Tupi.

Não são só atores com muito tempo de estrada que enfrentam a repetição de papéis. Marcela Barrozo, a Antônia, de Malhação, está apenas em seu quarto trabalho na TV. E desde a estréia, em Sabor da Paixão, de 2002, até agora só interpreta meninas precoces. Mas Marcela está longe de se incomodar com isso. “Tento sempre fazer de maneira diferente para que não digam que são iguais”, reconhece.

Personalidade – O mais costumeiro é que mulheres tenham sua beleza ou boa imagem aproveitadas nas tramas. Mas os atores não estão livres desse destino. Alguns, como Danton Mello, acabam sempre assumindo os papéis de mocinho. Atualmente o ator interpreta o Rodolfo, de Sinhá Moça, mais um galã para sua coleção. De fato, todos os grandes personagens que fez na tevê até hoje são bondosos e de caráter admirável. “Não tenho só cara, mas jeito de bom moço. Minha personalidade é parecida com a dos mocinhos e acho que os autores identificam isso em mim”, afirma. O fato é que para fazer o único vilão de sua carreira na telinha, Danton Mello precisou mudar de emissora. Foi em Jamais Te Esquecerei, novela do SBT de 2003, em que viveu o maldoso Eduardo.

O tipo físico realmente pode ser fonte de estigmas. Caso, por exemplo, de grande parte dos atores negros, que ainda hoje vêem suas imagens ligadas a papéis de empregados ou de marginalizados. Mas, Sérgio Menezes, o Fulgêncio, de Sinhá Moça, tenta, e consegue, fugir desse rótulo. Apesar de atualmente viver um escravo na trama, ele já interpretou profissionais bem-sucedidos como o médico Carlos, de O Beijo do Vampiro e o fotógrafo Bruno, de Celebridade, que chegou a despertar paixão em algumas mulheres da trama e a ter uma relação rápida e caliente com a loura vilã Laura (Cláudia Abreu). “É bacana ver atores negros sendo mostrados de diferentes formas e não só como escravos”, diz.


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Figurinhas repetidas

Gabriela Germano
Da TV Press

04/07/2006 | 08:59


Em geral, um bom papel é visto como uma bênção para um ator. Mas, na prática, pode ser uma maldição. Não são poucos os atores que se saem tão bem ao fazer um certo tipo de personagem que, a partir daí, só são chamados para fazer papéis parecidos. Mas há também o caso oposto. Como quando os atores até têm carisma, mas o pouco talento acaba limitando o leque de personagens na hora da escalação.

Seja qual for o caso, a tendência nas produções de TV é encaixar os atores em papéis manjados, que facilitem o trabalho do público na hora de identificar que tipo de personagem é aquele. Por isso, entra novela, sai novela, muitos atores sempre aparecem como mocinhos, vilões ou simplesmente símbolos sexuais. “Meus papéis sempre têm alguma sensualidade. Sou grandona e extravagante, não dá para negar”, constata Cláudia Raia, que costuma ainda acrescentar uma pitada cômica em seus personagens.

Danielle Winits também não consegue escapar do estereótipo da mulher voluptuosa. E a incontestável beleza da atriz é explorada em todas as criações que representa. Isso ocorre desde a estréia na carreira, como a sugestiva Eva, na minissérie global Sex Appeal, em 1993. Essa imagem foi reforçada por aparições com corpo à mostra e conotação sexy em suas inúmeras parcerias com o autor Carlos Lombardi. A atriz, no entanto, prefere enxergar seus papéis pelas diferenças que têm um do outro e encarar a marca da sensualidade como algo natural, que ela garante que não chega a incomodar. “O lado sensual é só um detalhe. Trabalho componentes diferentes na hora de interpretar cada papel”, justifica.

O próprio Carlos Lombardi usa argumentos parecidos com os da atriz para defender os personagens que cria. Segundo ele, a preocupação em estigmatizar determinados atores já o assombrou um dia. Atualmente, o autor afirma que não está nem aí. Segundo Lombardi, muito se disse que a virgem e ingênua Manoela, feita por Danielle Winits em O Quinto dos Infernos, era igual à personagem que ela fez em Uga Uga. “Todos diziam que ela era igual à pândega loira burra. Eu sei que não era e, honestamente, deixei de me preocupar com isso”, conforma-se. O autor também chama a atenção para o fato de que só repete atores em suas diversas novelas quando acredita ter plena certeza de que está dando oportunidade a eles de fazer algo diferente do que já fizeram. “Em Vira-Lata inverti o elenco pensando nisso. Pus o Humberto Martins para fazer o papel do Marcelo Novaes e vice-versa justamente para evitar o estigma”, defende-se.

Já Tiago Santiago julga que é perigoso repetir profissionais em papéis semelhantes justamente por acreditar que eles podem ficar marcados. Apesar de ter levado boa parte do elenco de seu trabalho de estréia da Record, A Escrava Isaura, para atuar em Prova de Amor, ele se preocupou em criar personagens diferentes para o elenco. “Todos os atores das duas novelas tiveram em papéis sem qualquer semelhança”, diz.

Tiago Santiago diz que, por causa da repercussão de Lopo em Prova de Amor, não quer mais ver Leonardo Vieira como vilão. “O interessante agora é experimentá-lo como mocinho”, afirma.

Outro bom exemplo é Beatriz Segall, sempre identificada por personagens ricas e elegantes, de Lurdes Mesquita, em Água Viva, a Odete Roitman, de Vale Tudo – as duas de Gilberto Braga. Em Bicho do Mato, próxima trama da Record, a atriz volta a interpretar uma mulher chique, a matriarca Bárbara.

Quem também sofreu com o repeteco de tipo foi Humberto Martins. O ator, que hoje faz o feitor Bruno, em Sinhá Moça, era um dos “descamisados” obrigatórios nas tramas de Carlos Lombardi. “Na minha novela o Humberto está fazendo um papel que talvez nunca tenha feito”, defende o autor, Benedito Ruy Barbosa. Na época de Kubanacan, de Lombardi, Humberto ficou tão incomodado com a condição de descamisado que ameaçou abandonar a carreira. Agora não aceita nenhum papel que explore seu corpo – em América, sua última novela, se recusava até a aparecer de braços nus.

Juliana Paes, famosa por papéis sensuais, é outra que não quer mais aparecer com pouca roupa na TV. Tanto que recusou participar de um quadro do Casseta & Planeta, Urgente!, da Globo, em que apareceria apenas de biquíni.

Em Sinhá Moça, quem não escapou de um velho estigma foi Elias Gleizer. O Frei José, personagem que ele faz na trama de Benedito, é o sexto padre que o ator interpreta na TV em seus 47 anos de carreira. Antes, ele já tinha incorporado religiosos em Terra Nostra, Salomé, da Globo, Dona Santa, O Meu Pé de Laranja Lima, ambas da Band e Rosa-dos-Ventos, da Tupi.

Não são só atores com muito tempo de estrada que enfrentam a repetição de papéis. Marcela Barrozo, a Antônia, de Malhação, está apenas em seu quarto trabalho na TV. E desde a estréia, em Sabor da Paixão, de 2002, até agora só interpreta meninas precoces. Mas Marcela está longe de se incomodar com isso. “Tento sempre fazer de maneira diferente para que não digam que são iguais”, reconhece.

Personalidade – O mais costumeiro é que mulheres tenham sua beleza ou boa imagem aproveitadas nas tramas. Mas os atores não estão livres desse destino. Alguns, como Danton Mello, acabam sempre assumindo os papéis de mocinho. Atualmente o ator interpreta o Rodolfo, de Sinhá Moça, mais um galã para sua coleção. De fato, todos os grandes personagens que fez na tevê até hoje são bondosos e de caráter admirável. “Não tenho só cara, mas jeito de bom moço. Minha personalidade é parecida com a dos mocinhos e acho que os autores identificam isso em mim”, afirma. O fato é que para fazer o único vilão de sua carreira na telinha, Danton Mello precisou mudar de emissora. Foi em Jamais Te Esquecerei, novela do SBT de 2003, em que viveu o maldoso Eduardo.

O tipo físico realmente pode ser fonte de estigmas. Caso, por exemplo, de grande parte dos atores negros, que ainda hoje vêem suas imagens ligadas a papéis de empregados ou de marginalizados. Mas, Sérgio Menezes, o Fulgêncio, de Sinhá Moça, tenta, e consegue, fugir desse rótulo. Apesar de atualmente viver um escravo na trama, ele já interpretou profissionais bem-sucedidos como o médico Carlos, de O Beijo do Vampiro e o fotógrafo Bruno, de Celebridade, que chegou a despertar paixão em algumas mulheres da trama e a ter uma relação rápida e caliente com a loura vilã Laura (Cláudia Abreu). “É bacana ver atores negros sendo mostrados de diferentes formas e não só como escravos”, diz.

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