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Nova onda de boatos de ataques nas delegacias


Gabriel Batista e
Rodrigo Cipriano
Do Diário do Grande ABC
Com AE

18/05/2006 | 08:20


Uma nova onda de boatos iniciada no início da noite de quarta-feira trouxe mais uma vez o pânico a São Paulo. Desta vez, a notícia dava conta de que a mãe de Marcelo Vieira, 34 anos, havia sido morta. Capetinha, como é conhecido, integra a cúpula do PCC (Primeiro Comando da Capital) e comandou algumas das ações mais violentas já protagonizadas pela facção. Temendo provável represália, policiais voltaram a isolar as vias de acessos a delegacias. Nesta quarta-feira, a Polícia Civil revelou que, paralelamente à guerra entre polícia e criminosos, existe uma luta entre facções rivais. Da noite de terça-feira à manhã de quarta-feira ocorreram três chacinas na Grande São Paulo, que fizeram dez mortos.

Policiais da capital e diretores de presídios do interior do Estado de São Paulo teriam recebido recados de detentos da facção de que ataques deveriam recomeçar a partir da 0h desta quinta-feira.

A mensagem, transmitida por “salves” – espécie de comunicado interno das cadeias passado por líderes a outros detentos –, teria sido ouvida por agentes e presos e levado a direção de presídios a pôr efetivo em alerta. Em algumas, diretores teriam feito grandes pedidos de munição para guardas de muralha.

As mensagens pediam “para ninguém voltar”, em possível menção a indultados que receberam “tarefa” de praticar atentados. Também diziam “ônibus não”, para que fossem evitados mais ataques a ônibus, mas orientariam para “chegar chegando nos azuis, cinza, preto e branco”, referindo-se a policiais e autoridades, e “voltar-se para a caminhada até a meia-noite”.

Assim como ocorreu nos três primeiros dias de atentados, policiais ficaram de prontidão na frente dos distritos com armamento pesado. A cena se repetiu em várias cidades da região. As portas do 1º DP de Diadema foram fechadas. Em São Bernardo, as luzes da base comunitária da avenida Robert Kennedy foram apagadas, para dificultar a visualização de possíveis alvos. Em Santo André, as delegacias de plantão, o 10º Batalhão da PM e a Cadeia Pública tiveram seus acessos completamente isolados. “A gente sabe que isso tudo é boato, mas fizemos esse bloqueio por precaução caso alguma coisa realmente ocorra”, disse um delegado do Grande ABC que pediu para ter a identidade preservada.

Capetinha foi preso no mês passado, acusado de comandar uma chacina que terminou com a morte de quatro integrantes do CRBC (Comando Revolucionário Brasileiro da Criminalidade), principal rival do PCC. As vítimas foram atraídas para uma emboscada em Guarulhos, na Grande São Paulo, e levadas por cerca de 15 homens armados para um cativeiro. Após três dias de isolamento, o grupo foi levado para uma mata na Serra da Cantareira, amarrados e mortos a golpes de machado.

Apenas dois integrantes do CRBC que caíram na emboscada sobreviveram. Eles se fingiram de mortos e, mais tarde, auxiliaram a polícia na identificação dos integrantes do PCC que participaram da chacina.

O delegado-geral da Polícia Civil, Marco Antônio Desgualdo, afirmou nesta quarta-feira que existe um conflito permanente entre os membros do CRBC e do PCC. “Eles disputam o domínio do crime dentro e fora dos presídios. Muitas vezes, ganham dinheiro extorquindo famílias de criminosos. Mas esses dois grupos se unem na hora de atacar a polícia”, disse o delegado-geral.


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