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Lula de novo, mas diferente de 2003


Leandro Laranjeira
Do Diário do Grande ABC

31/12/2006 | 20:04


Reeleito em outubro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) inicia hoje, de forma oficial, o seu segundo mandato. A cerimônia de posse, porém, promete ser bem mais humilde e com algumas diferenças pontuais em comparação à festa que parou o País há exatos quatro anos. A começar pelo primeiro escalão do governo. Desta vez, o petista é empossado sem anunciar o seu ministério.

Outro ponto a ser destacado é o considerável corte de gastos promovido pelo partido para a solenidade, em resposta às críticas recebidas em decorrência dos festejos da primeira posse de Lula (que custaram cerca de R$ 2,5 milhões aos cofres do PT). Os artistas que aceitaram se apresentar na festa de hoje não receberão cachê. Outra mudança diz respeito aos chefes de Estado estrangeiros. Ao contrário de 2003, nenhum deles foi convidado.

A maior diferença deve ser quanto à mobilização popular. A tendência é que menos da metade da população que participara da festa da primeira posse acompanhe o presidente desta vez. O público presente às ruas de Brasília nesta segunda-feira não deve ultrapassar 50 mil pessoas, mesmo contabilizando os beneficiários de programas federais como o Bolsa Família, convidados a participar da festa. Vale lembrar que em 2003 aproximadamente 110 mil pessoas acompanharam o evento in loco.

O esvaziamento da solenidade tem reflexo, inclusive, no Grande ABC. Apenas um dos dois prefeitos do partido pretende ir a Brasília. Enquanto João Avamileno (Santo André) já confirmou que assistirá à posse de longe, o chefe do Executivo de Diadema, José de Filippi Júnior, é presença garantida. Tesoureiro da campanha de reeleição de Lula, Filippi pretende até suspender as férias para acompanhar a festa.

Mas o fato é que independentemente das atividades que marcarão o início oficial do segundo mandato de Lula, a verdade é que o presidente terá pela frente nos próximos quatro anos uma tarefa talvez até mais árdua do que enfrentara em seu primeiro mandato. Apesar de praticamente repetir a votação conquistada em 2002 (pouco mais de 58 milhões de votos), quando era depositário da esperança do povo e considerado a salvação do país, o petista terá trabalho para apagar as manchas deixadas pelos sucessivos desmandos de companheiros durante os últimos quatro anos, que desencadearam a maior crise política da Nação.

FESTEJOS

A cerimônia de hoje está marcada para começar às 16h, com o desfile em carro aberto até o Congresso, onde o presidente fará o juramento da Constituição e um discurso. De lá, Lula segue para o Planalto para conceder entrevista coletiva e posar para foto oficial com os ministros.

O discurso no Parlatório está previsto para as 19h. Após o ato, haverá um show com os artistas Geraldo Azevedo, Zezé di Camargo e Wanessa Camargo. Diferentemente de 2003, quando quatro palcos foram montados na Esplanada dos Ministérios, o show de hoje será modesto: em um palco na Praça dos Três Poderes.

Lula nasceu em Caetés (Pernambuco), em 27 de outubro de 1945. Chegou a São Paulo em 1952. Onze anos depois formou-se torneiro-mecânico, profissão que o fez perder o dedo mínimo da mão esquerda. Está casado com Marisa Letícia desde 1974, com quem teve três filhos, além de dois de uniões anteriores do casal. A primeira mulher do petista, Maria de Lourdes, morreu durante o parto.

Durante a ditadura militar, Lula, que à época já tinha adotado o Grande ABC para viver, ingressou na vida sindical influenciado pelo irmão José Ferreira da Silva, o Frei Chico. Em 1972, foi eleito primeiro-secretário do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo e Diadema, chegando à presidência da entidade três anos depois.

A luta em prol dos trabalhadores fez Lula ganhar notoriedade. Após diversas manifestações, foi preso em 1979. Na mesma época em que estava detido, perdeu a mãe, vítima de câncer. Com a anistia, Lula inicia de fato a carreira política. Em 10 de fevereiro de 1980 ajuda a fundar o PT.

Disputa sua primeira eleição em 1982, perde a disputa pelo governo de São Paulo. Quatro anos depois elege-se deputado federal com votação histórica. Os anos seguintes foram marcados por sucessivos fracassos. Perdeu três eleições consecutivas (1989, 1994 e 1998) à Presidência.

Persistente, vence a disputa com o tucano José Serra em 2002 e é reeleito este ano.

Petista prestigiou seu berço político: o Grande ABC

Assim que confirmou sua candidatura à reeleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez questão de marcar presença no Grande ABC: em São Bernardo, seu domicílio eleitoral, promoveu um jantar no bairro Demarchi, marcando o pontapé inicial da campanha. Na mesma cidade fez o último comício antes do primeiro turno e caminhou com correlegionários pelas ruas principais do Centro. Também esteve em Diadema, onde fez comício na Praça da Moça.

Bom de improviso, ‘virou o jogo’ contra Alckmin

Com o tropeço no primeiro turno, quando a vitória era dada como certa, Lula mudou de tática e decidiu comparecer aos debates promovidos pelas emissoras de TV. Tanto na Bandeirantes, quanto no SBT, Record e Globo, o presidente ‘encurralou’ seu adversário, Geraldo Alckmin, ao bater na tecla das privatizações promovidas pelo PSDB, principalmente nos dois governos de FHC. Bom de oratória popular, o petista foi para o segundo turno com a vitória assegurada.

Em 29 de outubro, a reeleição confirmadaLuiz Inácio Lula da Silva saiu de seu apartamento, em São Bernardo, na manhã de 29 de outubro, confiante na resposta do povo sobre seu governo. Foi até o local de votação acompanhado por uma multidão e depois se concentrou em São Paulo, à espera do resultado final. Às 20h, o STE (Superior Tribunal Eleitoral) anunciava, antes mesmo da apuração de todas as urnas, o resultado: Lula comandará o Brasil por mais quatro anos. Assim decidiu o eleitorado.


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Lula de novo, mas diferente de 2003

Leandro Laranjeira
Do Diário do Grande ABC

31/12/2006 | 20:04


Reeleito em outubro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) inicia hoje, de forma oficial, o seu segundo mandato. A cerimônia de posse, porém, promete ser bem mais humilde e com algumas diferenças pontuais em comparação à festa que parou o País há exatos quatro anos. A começar pelo primeiro escalão do governo. Desta vez, o petista é empossado sem anunciar o seu ministério.

Outro ponto a ser destacado é o considerável corte de gastos promovido pelo partido para a solenidade, em resposta às críticas recebidas em decorrência dos festejos da primeira posse de Lula (que custaram cerca de R$ 2,5 milhões aos cofres do PT). Os artistas que aceitaram se apresentar na festa de hoje não receberão cachê. Outra mudança diz respeito aos chefes de Estado estrangeiros. Ao contrário de 2003, nenhum deles foi convidado.

A maior diferença deve ser quanto à mobilização popular. A tendência é que menos da metade da população que participara da festa da primeira posse acompanhe o presidente desta vez. O público presente às ruas de Brasília nesta segunda-feira não deve ultrapassar 50 mil pessoas, mesmo contabilizando os beneficiários de programas federais como o Bolsa Família, convidados a participar da festa. Vale lembrar que em 2003 aproximadamente 110 mil pessoas acompanharam o evento in loco.

O esvaziamento da solenidade tem reflexo, inclusive, no Grande ABC. Apenas um dos dois prefeitos do partido pretende ir a Brasília. Enquanto João Avamileno (Santo André) já confirmou que assistirá à posse de longe, o chefe do Executivo de Diadema, José de Filippi Júnior, é presença garantida. Tesoureiro da campanha de reeleição de Lula, Filippi pretende até suspender as férias para acompanhar a festa.

Mas o fato é que independentemente das atividades que marcarão o início oficial do segundo mandato de Lula, a verdade é que o presidente terá pela frente nos próximos quatro anos uma tarefa talvez até mais árdua do que enfrentara em seu primeiro mandato. Apesar de praticamente repetir a votação conquistada em 2002 (pouco mais de 58 milhões de votos), quando era depositário da esperança do povo e considerado a salvação do país, o petista terá trabalho para apagar as manchas deixadas pelos sucessivos desmandos de companheiros durante os últimos quatro anos, que desencadearam a maior crise política da Nação.

FESTEJOS

A cerimônia de hoje está marcada para começar às 16h, com o desfile em carro aberto até o Congresso, onde o presidente fará o juramento da Constituição e um discurso. De lá, Lula segue para o Planalto para conceder entrevista coletiva e posar para foto oficial com os ministros.

O discurso no Parlatório está previsto para as 19h. Após o ato, haverá um show com os artistas Geraldo Azevedo, Zezé di Camargo e Wanessa Camargo. Diferentemente de 2003, quando quatro palcos foram montados na Esplanada dos Ministérios, o show de hoje será modesto: em um palco na Praça dos Três Poderes.

Lula nasceu em Caetés (Pernambuco), em 27 de outubro de 1945. Chegou a São Paulo em 1952. Onze anos depois formou-se torneiro-mecânico, profissão que o fez perder o dedo mínimo da mão esquerda. Está casado com Marisa Letícia desde 1974, com quem teve três filhos, além de dois de uniões anteriores do casal. A primeira mulher do petista, Maria de Lourdes, morreu durante o parto.

Durante a ditadura militar, Lula, que à época já tinha adotado o Grande ABC para viver, ingressou na vida sindical influenciado pelo irmão José Ferreira da Silva, o Frei Chico. Em 1972, foi eleito primeiro-secretário do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo e Diadema, chegando à presidência da entidade três anos depois.

A luta em prol dos trabalhadores fez Lula ganhar notoriedade. Após diversas manifestações, foi preso em 1979. Na mesma época em que estava detido, perdeu a mãe, vítima de câncer. Com a anistia, Lula inicia de fato a carreira política. Em 10 de fevereiro de 1980 ajuda a fundar o PT.

Disputa sua primeira eleição em 1982, perde a disputa pelo governo de São Paulo. Quatro anos depois elege-se deputado federal com votação histórica. Os anos seguintes foram marcados por sucessivos fracassos. Perdeu três eleições consecutivas (1989, 1994 e 1998) à Presidência.

Persistente, vence a disputa com o tucano José Serra em 2002 e é reeleito este ano.

Petista prestigiou seu berço político: o Grande ABC

Assim que confirmou sua candidatura à reeleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez questão de marcar presença no Grande ABC: em São Bernardo, seu domicílio eleitoral, promoveu um jantar no bairro Demarchi, marcando o pontapé inicial da campanha. Na mesma cidade fez o último comício antes do primeiro turno e caminhou com correlegionários pelas ruas principais do Centro. Também esteve em Diadema, onde fez comício na Praça da Moça.

Bom de improviso, ‘virou o jogo’ contra Alckmin

Com o tropeço no primeiro turno, quando a vitória era dada como certa, Lula mudou de tática e decidiu comparecer aos debates promovidos pelas emissoras de TV. Tanto na Bandeirantes, quanto no SBT, Record e Globo, o presidente ‘encurralou’ seu adversário, Geraldo Alckmin, ao bater na tecla das privatizações promovidas pelo PSDB, principalmente nos dois governos de FHC. Bom de oratória popular, o petista foi para o segundo turno com a vitória assegurada.

Em 29 de outubro, a reeleição confirmadaLuiz Inácio Lula da Silva saiu de seu apartamento, em São Bernardo, na manhã de 29 de outubro, confiante na resposta do povo sobre seu governo. Foi até o local de votação acompanhado por uma multidão e depois se concentrou em São Paulo, à espera do resultado final. Às 20h, o STE (Superior Tribunal Eleitoral) anunciava, antes mesmo da apuração de todas as urnas, o resultado: Lula comandará o Brasil por mais quatro anos. Assim decidiu o eleitorado.

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