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Sete mulheres são
agredidas por dia

Entre janeiro e outubro de 2011, as Delegacias de Defesa
da Mulher localizadas na região registraram 1.998 casos


Angela Martins
Do Diário do Grande ABC

08/12/2011 | 07:00


Há dois meses, a desempregada Vitória (nome fictício), moradora de Diadema, foi vítima de agressão do marido. Foram socos, tentativa de estrangulamento e xingamentos que ainda ecoam na lembrança. "Eu não conhecia o caráter do meu marido", afirma. O casamento acabou após nove meses de muitas brigas e situações humilhantes.

"No início do namoro ele era muito carinhoso. Mas depois de um tempo as coisas mudaram e ele se transformou em outra pessoa. Mas foi após as agressões que decidi pôr fim em tudo. Procurei ajuda psicológica e estou em busca de emprego para recomeçar."

Assim como Vitória, sete mulheres sofrem algum tipo de agressão física todos os dias na região. Entre janeiro e outubro de 2011, as quatro Delegacias de Defesa da Mulher localizadas no Grande ABC - Santo André, São Bernardo, Diadema e Mauá - registraram 1.998 casos de lesão corporal dolosa. Ainda de acordo com o levantamento, um estupro é cometido diariamente nos municípios.

Mesmo após a sanção da Lei 11.340 em 2006, conhecida popularmente como Lei Maria da Penha, que aumentou o rigor das punições contra as agressões, muitas mulheres ainda se sentem intimidadas ou inseguras em procurar a polícia para registrar boletim de ocorrência. De acordo com a delegada titular da Delegacia de Defesa da Mulher de Diadema, Bárbara Lisboa Travassos, os números não refletem a realidade.

"Acredito que muitos casos não chegam às delegacias por medo, vergonha ou incerteza do que vai acontecer. Embora seja notório que as mulheres estão mais informadas sobre seus direitos, muitas optam por não procurar a polícia", revela.

A falta de estrutura para realizar o trabalho de investigação também atrapalha - não há efetivo suficiente ou casas de passagem, locais para onde são encaminhadas as mulheres agredidas até que se consiga vagas em abrigos.

Na Delegacia de Defesa da Mulher de São Bernardo, a maior parte das mulheres que fazem o BO opta por não dar seguimento ao processo criminal. "Elas fazem o registro para dar um susto no companheiro ou tentar uma conversa depois. Poucas processam o agressor", explica a delegada Francine Pereira Sanches. Em casos de ameaça à vida, as mulheres são direcionadas para abrigos da Prefeitura.

De janeiro a outubro, foram registrados 346 estupros nas cidades da região, sendo que o maior número de ocorrências é de São Bernardo, com 113 casos, seguido por Santo André (79) e Mauá (65). Para Francine, a cifra se deve à mudança ocorrida na lei que tipifica a ação, reformulada em 2009. "Hoje qualquer ato libidinoso pode ser enquadrado como estupro", afirma.

 

Campanhas ajudam na conscientização

 

As constantes campanhas de conscientização sobre a violência contra a mulher e a Lei Maria da Penha são apontadas como grande reforço na luta pela diminuição dos índices de crimes praticados. Para o psicólogo e sociólogo Flávio Urra, que trabalha desde 2001 com casos de violência contra a mulher nas cidades da região, a sociedade passa por mudança cultural. "Essa transformação, porém, é muito lenta. Antigamente, a violência não era vista como problema social e sim legitimada por pensamento machista", destaca.



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