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'Elephant' ganha Palma de Ouro de Cannes


Da AFP

25/05/2003 | 19:00


O diretor norte-americano Gus Van Sant foi o grande vencedor da 56ª edição do badalado Festival Internacional de Cinema de Cannes, encerrado neste domingo com a cerimônia de entrega de prêmios. Por Elephant, ele recebeu a Palma de Ouro de melhor filme e melhor diretor. O tão falado Dogville, de Lars Von Trier e com Nicole Kidman no elenco, favorito em todas as listas de críticos, saiu de mãos abanando. Com a derrota de Carandiru, de Hector Babenco, O Pagador de Promessas (1962), de Anselmo Duarte, continua sendo o único brasileiro a ganhar o prêmio máximo do mais prestigiado festival de cinema do mundo.

Ao receber a Palma de Ouro, Van Sant afirmou que durante anos quis apresentar um filme em Cannes e terminou seu agradecimento com o brado: “Viva a França!.” A referência, óbvia, são os entreveros ocorridos entre Estados Unidos e França durante a Guerra do Iraque.

O filme volta ao tema da matança em um colégio norte-americano cometida por alunos da própria escola, um caso que traumatizou os Estados Unidos e que foi abordado pelo documentário Tiros em Columbine, de Michael Moore, premiado ano passado em Cannes (este ano com o Oscar) e que está em cartaz em São Paulo.

A busca da compreensão dos jovens é uma constante na obra de Van Sant, indicado ao Oscar de direção em 1997 por Gênio Indomável. Desta vez, o diretor reconhece a dificuldade de entender tal explosão de violência. O nome do filme faz referência a uma parábola budista na qual vários cegos tocam um elefante, e cada um o descreve de acordo com a parte que tocou – a pata, a cauda, a orelha ou a tromba –, mas nenhum é capaz de imaginar o animal em sua totalidade.

O filme retrata um dia como qualquer outro em um colégio secundário dos Estados Unidos. Alguns estudantes praticam esportes, outros se dirigem a suas salas, alguns assistem uma aula de Física e uns tantos comem e conversam no refeitório. A tragédia está perto de acontecer, mas nada permite prevê-la.

Van Sant faz uma apresentação superficial dos personagens. O espectador nada sabe sobre eles. O diretor cita brevemente a ausência e a irresponsabilidade dos pais – um dos jovens precisa dirigir o carro porque seu pai, que o leva ao colégio, está bêbado –, a violência dos videogames, a facilidade para comprar uma arma e a falta de comunicação. Mas esses males da sociedade envolvem a todos e não explicam o que leva um adolescente a, em determinado momento, tocar sonatas de Beethoven no piano e, no outro, massacrar com armas de guerra seus colegas de colégio.

A comparação com Tiros em Columbine é inevitável, apesar do filme de Moore ser um documentário e o de Van Sant, uma ficção. Moore analisa, com seu humor cáustico, a sociedade norte-americana e a compara com outras para buscar explicações sociais à violência irracional e à loucura assassina. Van Sant não se aprofunda no tema social, mas também não tenta descobrir as razões psicológicas que podem levar um adolescente aparentemente igual aos demais a se tornar um assassino. Sua parábola do elefante causa medo. Somos, como os cegos, incapazes de compreender? E, se a compreensão é impossível, como enfrentar o problema?

Outros prêmios – O filme Uzak, de Nujri Bilge Ceylan, foi agraciado com o Grande Prêmio do Júri em Cannes. Era o único longa-metragem turco em competição. O ator amador Muzaffer Ozdemir, 49 anos, e Mehmet Emin Toprak, que morreu no ano passado em um acidente de carro aos 28 anos, receberam a Palma de Ouro de interpretação masculina. “Ele é muito tímido e não quis aparecer”, disse a mulher de Toprak, também atriz do filme, ao receber o prêmio.

A Palma de Ouro de melhor atriz foi surpreendentemente concedida a Marie-Josée Croze, de As Invasões Bárbaras, do canadense Denys Arcand, filme que também levou o prêmio de melhor roteiro. O iraniano Panj E Asr, de Samira Majmalbaf, recebeu o Prêmio do Júri. A cineasta dedicou o prêmio “a todas as mulheres do mundo” e citando a personagem de seu filme, que sonha em ser presidente, disse: “O presidente mais poderoso do mundo é George W. Bush, eu prefiro continuar sendo cineasta”.

Confira a lista de todos os premiados:

Palma de Ouro: Elephant, de Gus Van Sant (EUA).

Grande Prêmio do Júri: Uzak, de Nuri Bilge Ceylan (Turquia).

Melhor atriz: Marie-Josée Croze por Les Invasions Barbares (Canadá).

Melhor ator: Muzaffer Ozdemir e Mehmet Emin Toprak por Uzak (Turquia).

Melhor Diretor: Gus Van Sant por Elephant (EUA).

Melhor Roteiro: Denys Arcand por Les Invasions Barbares (Canadá).

Prêmio do Júri: Panj E Asr, de Samira Majbalbaf (Irã).

Palma de Ouro de curta-metragem: Cracker bag, de Glendyn Ivin (Austrália).

Prêmio do Júri de curta-metragem: L'homme sans tête, de Juan Solanas (França).

Câmara de Ouro: Reconstruction, de Christopher Boe (Dinamarca).



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'Elephant' ganha Palma de Ouro de Cannes

Da AFP

25/05/2003 | 19:00


O diretor norte-americano Gus Van Sant foi o grande vencedor da 56ª edição do badalado Festival Internacional de Cinema de Cannes, encerrado neste domingo com a cerimônia de entrega de prêmios. Por Elephant, ele recebeu a Palma de Ouro de melhor filme e melhor diretor. O tão falado Dogville, de Lars Von Trier e com Nicole Kidman no elenco, favorito em todas as listas de críticos, saiu de mãos abanando. Com a derrota de Carandiru, de Hector Babenco, O Pagador de Promessas (1962), de Anselmo Duarte, continua sendo o único brasileiro a ganhar o prêmio máximo do mais prestigiado festival de cinema do mundo.

Ao receber a Palma de Ouro, Van Sant afirmou que durante anos quis apresentar um filme em Cannes e terminou seu agradecimento com o brado: “Viva a França!.” A referência, óbvia, são os entreveros ocorridos entre Estados Unidos e França durante a Guerra do Iraque.

O filme volta ao tema da matança em um colégio norte-americano cometida por alunos da própria escola, um caso que traumatizou os Estados Unidos e que foi abordado pelo documentário Tiros em Columbine, de Michael Moore, premiado ano passado em Cannes (este ano com o Oscar) e que está em cartaz em São Paulo.

A busca da compreensão dos jovens é uma constante na obra de Van Sant, indicado ao Oscar de direção em 1997 por Gênio Indomável. Desta vez, o diretor reconhece a dificuldade de entender tal explosão de violência. O nome do filme faz referência a uma parábola budista na qual vários cegos tocam um elefante, e cada um o descreve de acordo com a parte que tocou – a pata, a cauda, a orelha ou a tromba –, mas nenhum é capaz de imaginar o animal em sua totalidade.

O filme retrata um dia como qualquer outro em um colégio secundário dos Estados Unidos. Alguns estudantes praticam esportes, outros se dirigem a suas salas, alguns assistem uma aula de Física e uns tantos comem e conversam no refeitório. A tragédia está perto de acontecer, mas nada permite prevê-la.

Van Sant faz uma apresentação superficial dos personagens. O espectador nada sabe sobre eles. O diretor cita brevemente a ausência e a irresponsabilidade dos pais – um dos jovens precisa dirigir o carro porque seu pai, que o leva ao colégio, está bêbado –, a violência dos videogames, a facilidade para comprar uma arma e a falta de comunicação. Mas esses males da sociedade envolvem a todos e não explicam o que leva um adolescente a, em determinado momento, tocar sonatas de Beethoven no piano e, no outro, massacrar com armas de guerra seus colegas de colégio.

A comparação com Tiros em Columbine é inevitável, apesar do filme de Moore ser um documentário e o de Van Sant, uma ficção. Moore analisa, com seu humor cáustico, a sociedade norte-americana e a compara com outras para buscar explicações sociais à violência irracional e à loucura assassina. Van Sant não se aprofunda no tema social, mas também não tenta descobrir as razões psicológicas que podem levar um adolescente aparentemente igual aos demais a se tornar um assassino. Sua parábola do elefante causa medo. Somos, como os cegos, incapazes de compreender? E, se a compreensão é impossível, como enfrentar o problema?

Outros prêmios – O filme Uzak, de Nujri Bilge Ceylan, foi agraciado com o Grande Prêmio do Júri em Cannes. Era o único longa-metragem turco em competição. O ator amador Muzaffer Ozdemir, 49 anos, e Mehmet Emin Toprak, que morreu no ano passado em um acidente de carro aos 28 anos, receberam a Palma de Ouro de interpretação masculina. “Ele é muito tímido e não quis aparecer”, disse a mulher de Toprak, também atriz do filme, ao receber o prêmio.

A Palma de Ouro de melhor atriz foi surpreendentemente concedida a Marie-Josée Croze, de As Invasões Bárbaras, do canadense Denys Arcand, filme que também levou o prêmio de melhor roteiro. O iraniano Panj E Asr, de Samira Majmalbaf, recebeu o Prêmio do Júri. A cineasta dedicou o prêmio “a todas as mulheres do mundo” e citando a personagem de seu filme, que sonha em ser presidente, disse: “O presidente mais poderoso do mundo é George W. Bush, eu prefiro continuar sendo cineasta”.

Confira a lista de todos os premiados:

Palma de Ouro: Elephant, de Gus Van Sant (EUA).

Grande Prêmio do Júri: Uzak, de Nuri Bilge Ceylan (Turquia).

Melhor atriz: Marie-Josée Croze por Les Invasions Barbares (Canadá).

Melhor ator: Muzaffer Ozdemir e Mehmet Emin Toprak por Uzak (Turquia).

Melhor Diretor: Gus Van Sant por Elephant (EUA).

Melhor Roteiro: Denys Arcand por Les Invasions Barbares (Canadá).

Prêmio do Júri: Panj E Asr, de Samira Majbalbaf (Irã).

Palma de Ouro de curta-metragem: Cracker bag, de Glendyn Ivin (Austrália).

Prêmio do Júri de curta-metragem: L'homme sans tête, de Juan Solanas (França).

Câmara de Ouro: Reconstruction, de Christopher Boe (Dinamarca).

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