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Corleone luta contra símbolo de máfia


Do Diário do Grande ABC

02/10/2000 | 11:09


Um filme contra a máfia teve sua pré-estréia em Corleone, bastiao histórico da Cosa Nostra. O simbolismo da apresentaçao se junta às recentes manifestaçoes destinadas a romper a imagem mafiosa desta pequena cidade siciliana, mostrando sua determinaçao em combater o crime organizado.

A projeçao do ''Placido Rizzotto'', filme do diretor siciliano Pasquale Scimeca que narra a história verídica de um sindicalista assassinado pela máfia em 1948, reuniu no sábado à noite umas 200 pessoas na grande sala de cinema de Corleone. Familiares do sindicalista, representantes das autoridades locais e a Comissao Antimáfia assistiram ao filme.

''Em 1992, antes da prisao de Toto Riina (chefe da máfia capturado em janeiro de 1993) um ato deste tipo seria inimaginável'', declarou à imprensa o prefeito de Corleone, Giuseppe Cipriani.

''Até mesmo em 1995'', acrescentou depois de refletir. Nesta época, Leoluca Bagarella nao estava preso. ''E este era um homem sanguinário, que matava por qualquer coisa'', afirmou Cipriani.

A história de Placido Rizzotto, na qual estao figuras históricas da máfia e da luta contra ela, como o ''capo'' Luciano Liggio e o entao capitao dos soldados que perseguiam os criminosos Alberto Dalla Chiesa, fez com que Corleone voltasse a olhar para o seu passado.

''Existem sicilianos que nao se inclinam diante da máfia'', declarou emocionado um oficial deste grupo de soldados, ao terminar a projeçao.

''Que a máfia está presente em Corleone, nao é nenhuma novidade. O que é novo é que seus opositores sejam a maioria'', disse o otimista chefe da Comissao Antimáfia, Giuseppe Lumia, citando como prova as recentes manifestaçoes organizadas em Corleone.

No dia 3 de setembro, a cidade lembrou o assassinato do general Alberto Dalla Chiesa, o homem que deteve os assassinos de Rizzoto e que foi assassinado em Palermo em 1982. ''Uma multidao de pessoas assistiu à cerimônia', afirmou Lumia.

Apesar da profusao de manifestaçoes, os responsáveis pela luta antimáfia estao mais preocupados com a importância de combater financeiramente a organizaçao criminal e aplicar a lei de confisco de bens.

Em 1999, as autoridades confiscaram uma mansao pertencente a Toto Riina e a transformaram em escola.

Segundo um recente estudo das autoridades financeiras, o prazo médio entre a emissao de uma ordem de confisco e a expropriaçao efetiva por parte do estado é de onze anos. Além disso, dos 250 bilhoes de liras de bens imobiliários confiscados até hoje, somente 15% foram destinados a um fim público.

Finalmente, segundo reconhece o próprio Giuseppe Lumia, a credibilidade da luta contra a máfia depende da detençao de Bernardo Provenzano, corleonês considerado como chefe da Cosa Nostra desde a prisao de Riina. Provenzano, que sem dúvida se esconde na Sicília, está foragido há 30 anos.



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