Fechar
Publicidade

Domingo, 23 de Janeiro

|

Max º Min º
Clima da Região Trânsito Assine Clube do Assinante Diário Virtual Login

economia@dgabc.com.br | 4435-8057

Entidades e governo discutem como aperfeiçoar o leasing


Leone Farias
Do Diário do Grande ABC

28/11/2004 | 14:06


Tornar o leasing uma ferramenta mais efetiva que ajude a impulsionar a venda de veículos no país é objetivo de diversas entidades, entre elas a ACSP (Associação Comercial de São Paulo), a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) e a Anef (Associação Nacional das Empresas Financeiras de Montadoras). As associações discutem com o governo alterações na legislação do leasing – conhecido também por arrendamento mercantil ou locação com opção de compra ao final do contrato – para garantir agilidade à retomada do bem no caso de não-pagamento.

A avaliação das entidades é de que as normas atuais dão margem a diversas interpretações e fazem com que a retomada do veículo e a venda posterior seja muito demorada. Com um tempo extenso no aguardo de decisão da Justiça, o veículo se deteriora, o que repercute nos custos do sistema. "Uma retomada mais ágil permitiria custos menores e um volume maior de transações", afirmou o economista da ACSP Marcel Solimeo.

A associação comercial encabeça conversações com a Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda para mudar a legislação sobre o tema, o que faz parte de um conjunto de propostas para redução do spread bancário. Na próxima sexta-feira, a ACSP deve receber a visita do secretário de Política Econômica, Marcos Lisboa, para fechar uma minuta sobre o tema. Depois disso, deverá haver uma audiência pública para que o governo envie projeto de lei ao Congresso.

Os números do mercado de financiamento de veículos mostram que o leasing ainda tem participação restrita. Do total de 1,05 milhão de veículos licenciados neste ano até setembro, 40% foram comercializados à vista, 46% financiados por meio de CDC (Crédito Direto ao Consumidor), 9% entregues por consórcio e apenas 5% arrendados. Dessa forma, do total de R$ 7,4 bilhões financiados neste ano até setembro, a maior parte foi por CDC.

Luiz Montenegro, novo presidente da Anef empossado recentemente, afirmou que um dos desafios de sua gestão à frente da entidade é criar mecanismos de financiamento para o grande público consumidor, para tornar mais fácil o acesso aos bens de consumo duráveis. Ele entende que não há problemas para os bancos liberarem mais recursos. "O dinheiro é disponibilizado à medida em que há demanda. O desafio é aumentar a massa dos que adquirem veículos e converter as vendas à vista em financiadas", disse.

Para Montenegro, além do cenário macroeconômico – necessidade de estabilidade inflacionária, de melhora do nível de emprego e redução das taxas básicas de juros – para o arrendamento decolar precisaria haver uma regulamentação mais adequada para atingir o púbico consumidor e não apenas para financiar máquinas e equipamentos ou frotas de veículos para empresas.

Operacional – Para o dirigente da Anef, com a manutenção da estabilização econômica, pode crescer uma prática que é comum em outros países, como nos EUA, em que o usufruto – dado pelo arrendamento – tem mais força do que a aquisição da propriedade do veículo. O arrendamento mercantil difundido no mercado brasileiro é o financeiro. O BC (Banco Central) criou há alguns anos normas para o leasing operacional. Uma das diferenças fundamentais é que, no operacional, o preço para o exercício da opção de compra deverá ser o valor de mercado do bem arrendado. Outra é que nesta modalidade as prestações incluem serviços (assistência técnica, por exemplo).

Montenegro afirma que para o leasing operacional passar a ser adotado na área de veículos também é preciso uma legislação mais clara (o que ainda não está sendo discutido) que vai além de resoluções do BC, e que haja estabilidade. Isso porque o consumidor poderia fazer um arrendamento e trocar de veículo a cada dois anos, mas para tanto seria necessário calcular o preço futuro do carro no mercado de usados. "Para fazer projeção é preciso estabilidade", disse.

Respaldo – Para o consultor automotivo André Beer, nos EUA há o respaldo do sistema creditício porque os custos são baixos e paga-se quase zero de juros, enquanto no Brasil a poupança interna é pequena, um empecilho para a expansão do arrendamento. O professor da FEA-USP (Faculdade de Economia e Administração) Eduardo Padilha avalia ainda que as taxas de juros muito elevadas tornam difícil o acesso a esse produto.

O presidente do Sincodives (Sindicato das Concessionárias e Distribuidoras de Veículos de São Paulo), Octávio Vallejo, afirmou que também é preciso vencer um trauma: no início do Plano Real, foram feitos muitos contratos de leasing em dólar na venda de veículos financiados, e com a maxidesvalorização, em 1999, muita gente teve de recorrer à Justiça porque os financiamentos ficaram proibitivos.



Quer receber em primeira mão as notícias das sete cidades do Grande ABC?

Entre no nosso grupo de WhatsApp. 
Clique aqui.
 

Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.


Copyright © 1995-2017 - Todos direitos reservados

;