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Política

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Rodoanel será objeto de disputa política nas eleições deste ano


Leandro Laranjeira
Do Diário do Grande ABC

25/01/2010 | 07:00


Um dos projetos públicos mais audaciosos do País, o Rodoanel Mário Covas, cuja inauguração do Trecho Sul está prevista para o fim de março, desempenhará papel fundamental na campanha eleitoral deste ano, especialmente no que diz respeito à briga particular entre PSDB e PT. Tornada realidade pelas mãos dos tucanos, a grandiosa obra viária que passará pelo Grande ABC recebeu aporte financeiro do governo federal petista. Lideranças partidárias da região avaliam que o Rodoanel será objeto de disputa entre as mais diferentes candidaturas, seja na corrida majoritária ou no pleito proporcional.

"Sem dúvida, essa obra tem peso no que diz respeito ao comprometimento e ao pagamento de promessa. Obviamente que colocaremos essa questão para a sociedade. Não sei se terá influência na eleição, mas temos o direito de mostrar que estabelecemos a meta de algo que estava paralisado havia décadas e cumprimos", exemplificou o coordenador regional do PSDB no Grande ABC, Cezar de Carvalho. "Noventa por cento dos louros são do PSDB, que idealizou e executou a obra", completou.

O deputado estadual Orlando Morando (PSDB-São Bernardo) reforça. "Houve ajuda, mas seria como se o governo estadual dissesse que o projeto Minha Casa, Minha Vida, ao qual apoia, fosse de sua autoria", comparou.

O PT admite que o Rodoanel tem a ‘impressão digital' dos tucanos, mas cita o que classifica de "fundamental participação do governo Lula na viabilização" da obra. "A responsabilidade é do Estado, mas a União não mediu esforços para viabilizar o recurso. Isso não acontecia quando o PSDB governava o País e o Estado. O (ex-presidente) Fernando Henrique Cardoso virou as costas para o governo de São Paulo. Talvez eles não assumam isso porque o calendário eleitoral foi inaugurado, mas é incomparável a relação que o governo federal estabelece com o Estado hoje", afirmou o deputado estadual Donisete Braga (PT-Mauá), para quem "é natural" que os tucanos tentem colocar o Rodoanel como espelho para o Brasil. "Farão isso, até porque não podem defender a Segurança Pública, cuja situação é caótica. O cartão postal deles em São Paulo será o Rodoanel."

Segundo o coordenador da macrorregião do PT no ABC, Humberto Tobé, o Rodoanel virou realidade graças ao presidente Lula. "Há tempos o projeto vinha sendo discutido pelo PSDB. A verdade é que o Rodoanel tornou-se viável apenas com o Lula na Presidência. Quando o FHC governava o País e os tucanos estavam à frente do Estado, não existia Rodoanel."

Tobé afirmou ainda não temer suposta supervalorização dos tucanos em relação à obra viária. "Eles estão há muito tempo governando São Paulo para ter apenas o Rodoanel como referência. Sendo essa a arma deles para as eleições será fácil desconstruir o discurso de campanha, até porque a obra saiu após a parceria com o governo Lula."

Para o PSDB, a ajuda veio "minguada". "A contrapartida existiu, mas começou lá atrás, no governo FHC. O Lula apenas deu sequência, e não como deveria. Tivesse ele ajudado mais, teríamos concluído o Rodoanel há muito mais tempo", rebateu Carvalho, referindo-se à liberação petista de R$ 1,2 bilhão para a obra, cujo valor deve ficar entre R$ 4,5 bilhões e R$ 5 bilhões.

Deputados estaduais divergem quanto à exploração do assunto

Interessados diretos no ‘efeito Rodoanel', os deputados estaduais do Grande ABC - cuja maioria tentará a reeleição em outubro - opinam sobre a situação com mais cautela. Além de considerar a obra de grande importância à região, avaliam que tanto governo estadual quanto federal têm seus méritos na viabilização do projeto.

"Não é possível mensurar o valor eleitoral para os candidatos. Mas todos têm legitimidade para explorar a questão na campanha. Embora os tucanos sejam os idealizadores da obra, não podem falar que o meu partido não ajudou. Todos os deputados da região, independentemente da cor partidária, estiveram empenhados nessa obra. Não tem como dizer quem fez mais ou menos", ressaltou Donisete Braga (PT-Mauá), segundo o qual o ‘empenho' da bancada do Grande ABC na questão Rodoanel valeria nota "6,5 ou 7" em escala de zero a dez.

O petista não nega possível utilização na campanha de seu empenho na viabilização da obra. "Não há como não falar, pois ajudamos a concretizá-la, ainda que de maneira indireta", justificou.

O tucano Orlando Morando (São Bernardo), deputado que, ao menos publicamente, mais assumiu a briga pelo Rodoanel na região, é outro político que acredita na possibilidade de reverter seu empenho em votos.

"A obra não foi feita pensando nisso, mas é lógico que pode haver impacto positivo na eleição, especialmente no meu caso. Há muito tempo me dedico ao Rodoanel. Participei de todo o processo, mesmo quando não se falava muito nesta questão no Grande ABC. Obtive conquistas, como a inclusão do trevo da Imigrantes. É inegável meu histórico de trabalho e fiscalização por esta obra. Então, por tudo o que fiz, acredito que a minha imagem esteja associada ao Rodoanel", justificou.

CÉTICOS - Com opiniões diferentes a dos colegas, Alex Manente (PPS-São Bernardo) e José Bittencourt (PDT-Santo André) avaliam que a discussão em cima do Rodoanel ficará mais restrita aos candidatos majoritários.

"O deputado não tem participação ativa em uma obra como essa, prevista para ocorrer em décadas. Não modifica o ritmo ou a execução. Dificilmente o eleitor acreditará no deputado que adotar este discurso. Quem utilizar o Rodoanel como ponto de campanha errará. Essa briga se dará entre os governos estadual e federal, executores da obra. Agora temos de pensar no impacto econômico que a obra trará à região e discutir novos investimentos. Esse é o papel do deputado", ressaltou Manente.

Sem citar nomes, Bittencourt reclamou de "deputado na região que tenta tirar vantagem política do Rodoanel". "Todos ajudamos o governo a buscar recursos para serem aplicados. Não existe pai da criança. Esse debate estará fora da minha campanha, que a meu ver tem de ser principiológica. Qualquer situação contrária é equivocada."

Os demais deputados estaduais da região - Ana do Carmo (PT-São Bernardo), José Augusto (PSDB-Diadema), Vanderlei Siraque (PT-Santo André) e Vanessa Damo (PMDB-Mauá) - não retornaram as ligações feitas pela reportagem.



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Rodoanel será objeto de disputa política nas eleições deste ano

Leandro Laranjeira
Do Diário do Grande ABC

25/01/2010 | 07:00


Um dos projetos públicos mais audaciosos do País, o Rodoanel Mário Covas, cuja inauguração do Trecho Sul está prevista para o fim de março, desempenhará papel fundamental na campanha eleitoral deste ano, especialmente no que diz respeito à briga particular entre PSDB e PT. Tornada realidade pelas mãos dos tucanos, a grandiosa obra viária que passará pelo Grande ABC recebeu aporte financeiro do governo federal petista. Lideranças partidárias da região avaliam que o Rodoanel será objeto de disputa entre as mais diferentes candidaturas, seja na corrida majoritária ou no pleito proporcional.

"Sem dúvida, essa obra tem peso no que diz respeito ao comprometimento e ao pagamento de promessa. Obviamente que colocaremos essa questão para a sociedade. Não sei se terá influência na eleição, mas temos o direito de mostrar que estabelecemos a meta de algo que estava paralisado havia décadas e cumprimos", exemplificou o coordenador regional do PSDB no Grande ABC, Cezar de Carvalho. "Noventa por cento dos louros são do PSDB, que idealizou e executou a obra", completou.

O deputado estadual Orlando Morando (PSDB-São Bernardo) reforça. "Houve ajuda, mas seria como se o governo estadual dissesse que o projeto Minha Casa, Minha Vida, ao qual apoia, fosse de sua autoria", comparou.

O PT admite que o Rodoanel tem a ‘impressão digital' dos tucanos, mas cita o que classifica de "fundamental participação do governo Lula na viabilização" da obra. "A responsabilidade é do Estado, mas a União não mediu esforços para viabilizar o recurso. Isso não acontecia quando o PSDB governava o País e o Estado. O (ex-presidente) Fernando Henrique Cardoso virou as costas para o governo de São Paulo. Talvez eles não assumam isso porque o calendário eleitoral foi inaugurado, mas é incomparável a relação que o governo federal estabelece com o Estado hoje", afirmou o deputado estadual Donisete Braga (PT-Mauá), para quem "é natural" que os tucanos tentem colocar o Rodoanel como espelho para o Brasil. "Farão isso, até porque não podem defender a Segurança Pública, cuja situação é caótica. O cartão postal deles em São Paulo será o Rodoanel."

Segundo o coordenador da macrorregião do PT no ABC, Humberto Tobé, o Rodoanel virou realidade graças ao presidente Lula. "Há tempos o projeto vinha sendo discutido pelo PSDB. A verdade é que o Rodoanel tornou-se viável apenas com o Lula na Presidência. Quando o FHC governava o País e os tucanos estavam à frente do Estado, não existia Rodoanel."

Tobé afirmou ainda não temer suposta supervalorização dos tucanos em relação à obra viária. "Eles estão há muito tempo governando São Paulo para ter apenas o Rodoanel como referência. Sendo essa a arma deles para as eleições será fácil desconstruir o discurso de campanha, até porque a obra saiu após a parceria com o governo Lula."

Para o PSDB, a ajuda veio "minguada". "A contrapartida existiu, mas começou lá atrás, no governo FHC. O Lula apenas deu sequência, e não como deveria. Tivesse ele ajudado mais, teríamos concluído o Rodoanel há muito mais tempo", rebateu Carvalho, referindo-se à liberação petista de R$ 1,2 bilhão para a obra, cujo valor deve ficar entre R$ 4,5 bilhões e R$ 5 bilhões.

Deputados estaduais divergem quanto à exploração do assunto

Interessados diretos no ‘efeito Rodoanel', os deputados estaduais do Grande ABC - cuja maioria tentará a reeleição em outubro - opinam sobre a situação com mais cautela. Além de considerar a obra de grande importância à região, avaliam que tanto governo estadual quanto federal têm seus méritos na viabilização do projeto.

"Não é possível mensurar o valor eleitoral para os candidatos. Mas todos têm legitimidade para explorar a questão na campanha. Embora os tucanos sejam os idealizadores da obra, não podem falar que o meu partido não ajudou. Todos os deputados da região, independentemente da cor partidária, estiveram empenhados nessa obra. Não tem como dizer quem fez mais ou menos", ressaltou Donisete Braga (PT-Mauá), segundo o qual o ‘empenho' da bancada do Grande ABC na questão Rodoanel valeria nota "6,5 ou 7" em escala de zero a dez.

O petista não nega possível utilização na campanha de seu empenho na viabilização da obra. "Não há como não falar, pois ajudamos a concretizá-la, ainda que de maneira indireta", justificou.

O tucano Orlando Morando (São Bernardo), deputado que, ao menos publicamente, mais assumiu a briga pelo Rodoanel na região, é outro político que acredita na possibilidade de reverter seu empenho em votos.

"A obra não foi feita pensando nisso, mas é lógico que pode haver impacto positivo na eleição, especialmente no meu caso. Há muito tempo me dedico ao Rodoanel. Participei de todo o processo, mesmo quando não se falava muito nesta questão no Grande ABC. Obtive conquistas, como a inclusão do trevo da Imigrantes. É inegável meu histórico de trabalho e fiscalização por esta obra. Então, por tudo o que fiz, acredito que a minha imagem esteja associada ao Rodoanel", justificou.

CÉTICOS - Com opiniões diferentes a dos colegas, Alex Manente (PPS-São Bernardo) e José Bittencourt (PDT-Santo André) avaliam que a discussão em cima do Rodoanel ficará mais restrita aos candidatos majoritários.

"O deputado não tem participação ativa em uma obra como essa, prevista para ocorrer em décadas. Não modifica o ritmo ou a execução. Dificilmente o eleitor acreditará no deputado que adotar este discurso. Quem utilizar o Rodoanel como ponto de campanha errará. Essa briga se dará entre os governos estadual e federal, executores da obra. Agora temos de pensar no impacto econômico que a obra trará à região e discutir novos investimentos. Esse é o papel do deputado", ressaltou Manente.

Sem citar nomes, Bittencourt reclamou de "deputado na região que tenta tirar vantagem política do Rodoanel". "Todos ajudamos o governo a buscar recursos para serem aplicados. Não existe pai da criança. Esse debate estará fora da minha campanha, que a meu ver tem de ser principiológica. Qualquer situação contrária é equivocada."

Os demais deputados estaduais da região - Ana do Carmo (PT-São Bernardo), José Augusto (PSDB-Diadema), Vanderlei Siraque (PT-Santo André) e Vanessa Damo (PMDB-Mauá) - não retornaram as ligações feitas pela reportagem.

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