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Atuação pró-S.Caetano provoca crise na FUABC


Fabio Martins
Raphael Rocha

10/12/2020 | 06:13


Crise interna ameaça o futuro e a unidade em torno da FUABC (Fundação do ABC). A atuação da presidente da Fundação, Adriana Berringer Stephan, em especial o olhar quase exclusivo para São Caetano, cidade que lhe indicou, tem intensificado atrito entre as mantenedoras, a ponto de voltar a crescer a possibilidade de dissolução da parceria entre as prefeituras de Santo André, São Bernardo e São Caetano para manter a organização de saúde.

Alçada à presidência no começo do ano, Adriana era vista como quadro técnico que poderia pacificar a Fundação, envolta a polêmica depois que o advogado Carlos Maciel foi alvo da Operação Prato Feito, conduzida pela PF (Polícia Federal) e que apontava existência de esquema para forjar emergencialidade de contratos. Um deles, na área da saúde, vinculado à FUABC. Sucessor de Maciel, Luiz Mario Pereira de Souza Gomes não conseguiu acalmar os ânimos.

Porém, aos poucos, ela foi imprimindo um ritmo mais são-caetanense à gestão da Fundação. À medida em que essa marca se expandia, aumentava a crítica das demais cidades. A adoção de auditoria externa para apurar documentação de antigos presidentes transformou a FUABC em uma bomba-relógio. O estopim da crise aconteceu no fim do mês passado.

O juiz Marcelo Franzin Paulo, da 2ª Vara da Fazenda Pública de Santo André, determinou o imediato afastamento do diretor-geral da Central de Convênios da FUABC, Carlos Eduardo Fava, em atendimento a um pedido do Ministério Público, que identificou “desmazelo com o dinheiro público” na contratação de fornecedores durante a pandemia. Indicado por Santo André, Fava foi acusado pelo MP de sonegar e adulterar documentos para prejudicar investigação de irregularidades feita por auditoria externa contratada pela FUABC. Internamente, comenta-se que Adriana muniu o MP de informações contra Fava.

A Central de Convênios é uma das meninas dos olhos da FUABC, por onde passam os principais contratos da organização social e onde está vinculada boa parcela dos 22 mil funcionários abraçados pela Fundação. E quem está à frente do departamento é Patrícia Veronesi, diretora do Complexo Hospitalar Municipal de São Caetano e conselheira de saúde do município que apadrinhou a indicação de Adriana.

O Diário já mostrou que a Prefeitura de Santo André lançou edital (hoje suspenso) com objetivo de contratar nova OS (Organização Social) a partir do ano que vem – a FUABC pode concorrer – e que há, internamente, estudo em andamento para que a Faisa (Fundação de Assistência à Infância de Santo André) se encorpe juridicamente para absorver serviços hoje a cargo da FUABC.

Em nota, a Fundação refutou a existência de crise interna. “Pelo contrário. Hoje a Fundação do ABC trabalha em estreita relação com o Ministério Público do Estado de São Paulo e está respaldada por um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta), que dá total tranquilidade a seus dirigentes na condução dos trabalhos com ética, transparência e rigorosa observância aos princípios constitucionais da administração pública”.

A entidade negou que tenha exonerado compulsoriamente Fava, alegando que cumpriu determinação judicial. Porém, sustentou que “mantém em andamento duas comissões de sindicância tratando justamente da investigação das acusações e adotará todas as medidas legais cabíveis, caso sejam confirmadas irregularidades”. “(Fava) Foi substituído interinamente pela então diretora adjunta da Central de Convênios, Patrícia Veronesi, após aprovação unânime do conselho de curadores da Fundação do ABC, inclusive com a concordância da representação da Prefeitura de Santo André, o que refuta a suposição deste Diário sobre eventual mal-estar com a administração andreense.”



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