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Exposição no CCBB resgata os últimos 50 anos de realismo na arte



06/11/2018 | 07:00


Momentos após membros da produção do evento retirarem o papel que envolvia a obra Nikutai, do brasileiro Giovani Caramello, posta no hall de entrada do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), em São Paulo, alguns curiosos já sacavam celulares para fotografá-la. A peça, de fato, chama a atenção. Um homem, contorcido, de olhos fechados, com cerca de dois metros de altura. As veias saltam à pele.

A obra é a maior figura já feita pelo artista até hoje, comissionada especialmente para a nova exposição do CCBB, 50 Anos de Realismo - Do Fotorrealismo à Realidade Virtual, que será aberta ao público nesta quarta-feira, 7. Para convidados, a mostra será aberta já nesta terça, 6.

Na peça, o artista buscou inspiração na dança japonesa Nikutai. "Estava fazendo uma pesquisa sobre expressão corporal e me deparei com essa dança", ele explica. "É a primeira que faço nessa escala, então é um desafio bem grande." Atrás da sua escultura, estão os quadros Up Close and Personal (2006), do britânico Simon Hennessey, e AB (prayer) (2011-2013), do também britânico, mas de origem zimbabuana, Craig Wylie. Todas são obras hiper-realistas, uma corrente que seguiu a tendência do fotorrealismo, movimento surgido há cerca de 50 anos.

A mostra, com 90 obras de cerca de 30 artistas, tem curadoria de Tereza de Arruda, que destaca o caráter de ineditismo da exposição, pois, segundo ela, a representação da realidade na arte contemporânea nunca foi tratada a partir do fotorrealismo. "No período pós-guerra, o mundo estava devastado, cansado da massificação de imagens, e houve um apogeu da arte abstrata", explica a curadora. Nas décadas de 1960 e 70, o fotorrealismo, pinturas baseadas em cenas fotográficas, surgiu em oposição à abstração.

Um ponto de partida da exposição é uma das mostras pioneiras sobre o tema, a Documenta de Kassel, na Alemanha, em 1972. Nomes que estiveram por lá, como Ralph Goings e John Salt, estão representados no CCBB com alguns quadros. "São artistas da primeira geração", diz Arruda. "Para a nossa curadoria, era importante resgatar esses nomes, como um testemunho desse primeiro momento, para comparar o percurso dos outros artistas."

Outro nome da Documenta de Kassel aparece em outra sala, já abordando a corrente hiper-realista. O escultor americano John De Andrea aparece na mostra 50 Anos com as obras Christine I (2011) e Mother and Child (2016). Além dele, o outro escultor hiper-realista presente no CCBB é o dinamarquês Peter Land, com Giovani Caramello fechando a lista. "É quase um sonho, em tão pouco tempo de carreira, estar no meio dessa galera", revela o artista brasileiro. "Bate um receio, será que estou pronto?"

Destaque na SP-Arte deste ano, Caramello afirma que, desde que começou a estudar escultura tradicional, já admirava o hiper-realismo. "Gosto de estilizar as peças, não gosto de fazer como se fosse uma pessoa totalmente real. Acho interessante brincar com tamanhos e com proporções."

De acordo com Tereza de Arruda, o hiper-realismo, que surgiu como tendência já no final da década de 1970, aprimora a essência do fotorrealismo, sendo ainda mais fiel às reproduções do cotidiano, seja por meio de retratos, paisagens naturais ou espaços urbanos. "O hiper-realismo faz um aperfeiçoamento dessa visão."

Assim como as esculturas, as pinturas também são vistas do ponto de vista histórico e contemporâneo, com trabalhos de nomes como Ben Johnson, Javier Banegas, Raphaella Spence e o brasileiro Hildebrando de Castro, que apresenta obras recentes, feitas em 2016.

O brasileiro afirma ser realista, sem o "hiper", já que o seu trabalho não se confunde com a fotografia. "Exploro a tridimensionalidade. Quando você olha, dá a impressão de que é um relevo", diz o artista, que trabalha com imagens inspiradas pela arquitetura. O que o atrai ao realismo e ao hiper-realismo, em suas palavras, é um novo campo de perspectivas. "Dá a possibilidade de você conversar sobre mundos paralelos."

Realidade Virtual

Para finalizar a exposição, inclusive de forma cronológica, estão presentes trabalhos em realidade virtual e técnica mista. "Houve uma evolução de recursos tecnológicos, desde a fotografia digital até os trabalhos em vídeo", explica Arruda. "Iniciamos a exposição com um momento histórico e seguimos com o que está sendo feito hoje." As obras de realidade virtual serão expostas em monitores, projeções e óculos especiais. "Por isso, temos 30 artistas, são nomes de várias gerações e com diferentes interesses."

50 ANOS DE REALISMO

Centro Cultural Banco do Brasil.

R. Álvares

Penteado, 112. Tel. 3113-3651. 4ª a 2ª, 9h às 21h. Entrada gratuita.

Até 14/1.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.



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Exposição no CCBB resgata os últimos 50 anos de realismo na arte


06/11/2018 | 07:00


Momentos após membros da produção do evento retirarem o papel que envolvia a obra Nikutai, do brasileiro Giovani Caramello, posta no hall de entrada do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), em São Paulo, alguns curiosos já sacavam celulares para fotografá-la. A peça, de fato, chama a atenção. Um homem, contorcido, de olhos fechados, com cerca de dois metros de altura. As veias saltam à pele.

A obra é a maior figura já feita pelo artista até hoje, comissionada especialmente para a nova exposição do CCBB, 50 Anos de Realismo - Do Fotorrealismo à Realidade Virtual, que será aberta ao público nesta quarta-feira, 7. Para convidados, a mostra será aberta já nesta terça, 6.

Na peça, o artista buscou inspiração na dança japonesa Nikutai. "Estava fazendo uma pesquisa sobre expressão corporal e me deparei com essa dança", ele explica. "É a primeira que faço nessa escala, então é um desafio bem grande." Atrás da sua escultura, estão os quadros Up Close and Personal (2006), do britânico Simon Hennessey, e AB (prayer) (2011-2013), do também britânico, mas de origem zimbabuana, Craig Wylie. Todas são obras hiper-realistas, uma corrente que seguiu a tendência do fotorrealismo, movimento surgido há cerca de 50 anos.

A mostra, com 90 obras de cerca de 30 artistas, tem curadoria de Tereza de Arruda, que destaca o caráter de ineditismo da exposição, pois, segundo ela, a representação da realidade na arte contemporânea nunca foi tratada a partir do fotorrealismo. "No período pós-guerra, o mundo estava devastado, cansado da massificação de imagens, e houve um apogeu da arte abstrata", explica a curadora. Nas décadas de 1960 e 70, o fotorrealismo, pinturas baseadas em cenas fotográficas, surgiu em oposição à abstração.

Um ponto de partida da exposição é uma das mostras pioneiras sobre o tema, a Documenta de Kassel, na Alemanha, em 1972. Nomes que estiveram por lá, como Ralph Goings e John Salt, estão representados no CCBB com alguns quadros. "São artistas da primeira geração", diz Arruda. "Para a nossa curadoria, era importante resgatar esses nomes, como um testemunho desse primeiro momento, para comparar o percurso dos outros artistas."

Outro nome da Documenta de Kassel aparece em outra sala, já abordando a corrente hiper-realista. O escultor americano John De Andrea aparece na mostra 50 Anos com as obras Christine I (2011) e Mother and Child (2016). Além dele, o outro escultor hiper-realista presente no CCBB é o dinamarquês Peter Land, com Giovani Caramello fechando a lista. "É quase um sonho, em tão pouco tempo de carreira, estar no meio dessa galera", revela o artista brasileiro. "Bate um receio, será que estou pronto?"

Destaque na SP-Arte deste ano, Caramello afirma que, desde que começou a estudar escultura tradicional, já admirava o hiper-realismo. "Gosto de estilizar as peças, não gosto de fazer como se fosse uma pessoa totalmente real. Acho interessante brincar com tamanhos e com proporções."

De acordo com Tereza de Arruda, o hiper-realismo, que surgiu como tendência já no final da década de 1970, aprimora a essência do fotorrealismo, sendo ainda mais fiel às reproduções do cotidiano, seja por meio de retratos, paisagens naturais ou espaços urbanos. "O hiper-realismo faz um aperfeiçoamento dessa visão."

Assim como as esculturas, as pinturas também são vistas do ponto de vista histórico e contemporâneo, com trabalhos de nomes como Ben Johnson, Javier Banegas, Raphaella Spence e o brasileiro Hildebrando de Castro, que apresenta obras recentes, feitas em 2016.

O brasileiro afirma ser realista, sem o "hiper", já que o seu trabalho não se confunde com a fotografia. "Exploro a tridimensionalidade. Quando você olha, dá a impressão de que é um relevo", diz o artista, que trabalha com imagens inspiradas pela arquitetura. O que o atrai ao realismo e ao hiper-realismo, em suas palavras, é um novo campo de perspectivas. "Dá a possibilidade de você conversar sobre mundos paralelos."

Realidade Virtual

Para finalizar a exposição, inclusive de forma cronológica, estão presentes trabalhos em realidade virtual e técnica mista. "Houve uma evolução de recursos tecnológicos, desde a fotografia digital até os trabalhos em vídeo", explica Arruda. "Iniciamos a exposição com um momento histórico e seguimos com o que está sendo feito hoje." As obras de realidade virtual serão expostas em monitores, projeções e óculos especiais. "Por isso, temos 30 artistas, são nomes de várias gerações e com diferentes interesses."

50 ANOS DE REALISMO

Centro Cultural Banco do Brasil.

R. Álvares

Penteado, 112. Tel. 3113-3651. 4ª a 2ª, 9h às 21h. Entrada gratuita.

Até 14/1.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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