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Coletivos feministas lutam por igualdade


Natália Fernandjes
Do Diário do Grande ABC

20/03/2016 | 07:00


“Amélia não existe mais/O mundo mudou, meu amor/Não queira que eu me sinta ela/Adeus, adeus, Amélia... João, João, cozinha o teu feijão!/José, José, faça seu café!/Zeca, Zeca, lava tua cueca!.” O hino Adeus Amélia traduz, com bom humor, a luta feminista: mulheres e homens são iguais e devem ter os mesmos direitos e deveres dentro da sociedade. É para potencializar esse coro que nasceram coletivos como a Marcha Mundial das Mulheres, presente em cerca de 20 Estados e, no Grande ABC, oficialmente desde 2014.

“Nossa vontade é fazer com que o feminismo chegue a todas as mulheres da região. A gente acredita que só vai conseguir empoderá-las por meio do diálogo. Somente assim elas vão conseguir mudar seu discurso, que muitas vezes reproduz o machismo, porque fomos educadas em uma sociedade machista e patriarcal”, destaca uma das organizadoras do movimento na região, Laís Dutra, 28 anos.

Temas já bastante conhecidos, como a violência, a exploração sexual, a legalização do aborto e todas as questões de gênero norteiam os movimentos. “As pautas vêm sendo mantidas e adaptadas ao longo dos anos, mas, infelizmente, nada mudou. O machismo continua. Vivemos em um País moralista. Ainda precisamos ampliar essa discussão e fazer com que ela chegue até a periferia”, acredita a higienizadora de livros Cleone Santos, 59 anos, sendo 30 deles dedicados à militância.

As reuniões ocorrem a cada três meses na região. E, entre os assuntos discutidos, Laís destaca a reivindicação para que o Grande ABC tenha DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) que funcione 24 horas por dia. “Hoje elas abrem entre 8h e 17h, mas sabemos que os maiores índices de violência ocorrem à noite e aos fins de semana. Com isso, a mulher é obrigada a procurar a delegacia comum, onde passa por mais violência ao ser culpabilizada e ridicularizada.”

Outro tema, esse trabalhado por Cleone, é a prostituição. “Atuamos com um público invisível, levando políticas públicas a mulheres submetidas a uma das maiores violências. Mas as pessoas enxergam como uma profissão glamorosa. Só quem está lá dentro sabe que estar nessa vida é questão de necessidade. Estamos falando de mulheres, em sua maioria, pobres e analfabetas”, comenta.

A defesa da legalização do aborto é uma das mais polêmicas. “No fundo, nenhuma de nós é a favor do aborto. Não queremos que nenhuma mulher passe por isso. Mas desejamos que aquelas que optem por fazer tenham segurança. Que não morram por essa escolha. A gente concordando ou não, sendo legalizado ou não, (o aborto) já existe. O que queremos é que elas (mulheres) tenham essa escolha assegurada pela Saúde pública. Que o Estado evite que essas mulheres morram”, explica Laís.

Diante de tantos questionamentos e obstáculos, a persistência é uma necessidade. “A cada meia hora sinto vontade de desistir. Toda vez que batemos em uma porta e ouvimos um ‘não’, é difícil. Mas, quando conseguimos resultados, ainda que poucos, tudo vale a pena”, ressalta Cleone.

“O feminismo popular precisa ser antirracista, anti-homofóbico e anticapitalista. Precisamos nos livrar desses três sistemas que impõem como as mulheres devem agir. Temos muita vontade de fazer o feminismo chegar a todas as moradoras da região. O maior desafio é organizá-las, conversar com elas e chamá-las para o movimento, dialogar sobre essas questões”, completa Lais.

Desejo de sociedade mais justa mobiliza

A vontade de que todas as mulheres vivam em sociedade mais justa é o que mobiliza as companheiras de militância, como elas carinhosamente se chamam. “(A luta) é devido ao nosso inconformismo com tudo o que tem acontecido há milhares de anos. É necessária a transformação social para um mundo mais justo e melhor. O feminismo é o canal que tenho para conseguir pautar o que é necessário para que as mulheres tenham vida mais justa”, considera Maria Gabriela D’Ambrozio, 28 anos, integrante da Marcha Mundial das Mulheres, da Rede Brasileira do Teatro de Rua e do Movimento de Teatro de Rua de São Paulo.

Ao longo de sua jornada como militante, Cleone Santos ressalta que uma das diferenças observadas é a presença cada vez maior de jovens nos coletivos feministas. “É claro que ocorre um certo conflito de gerações, mas percebemos que hoje elas já chegam com formação e preparadas para a discussão e para o trabalho em conjunto. Antes o movimento era formado apenas por mulheres mais velhas, com idade em torno dos 40.”

A Marcha Mundial das Mulheres nasceu no ano 2000 como uma campanha contra a pobreza e a violência. As ações começaram no dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, terminaram apenas em 17 de outubro, e foram inspiradas em manifestação realizada em Quebec, no Canadá, em 1995, quando 850 mulheres marcharam 200 quilômetros, pedindo, simbolicamente, pão e rosas.

“Já participava de uma Pastoral da Mulher Marginalizada aqui na região e, quando começou a Marcha Mundial das Mulheres, em São Paulo, nos interessamos e falamos que queríamos participar. Foi aí que começou nossa militância”, lembra Cleone. 



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