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Moradores temiam tragédia no morro


Renan Fonseca
Do Diário do Grande ABC

08/07/2011 | 07:01


Moradores mais antigos da Mata Virgem, também conhecido como morro do Macaco, na divisa de São Paulo com Diadema, já previam a tragédia que matou duas pessoas na manhã de ontem, destruiu quatro casas e causou a interdição de outras 59, por volta das 11h. No ano passado, a prefeitura de São Paulo iniciou trabalhos de contenção da encosta. A movimentação do maquinário provocava pequenos deslizamentos de terra desde o início do ano, segundo moradores. No dia 13 de junho, a população se reuniu e paralisou as obras por 15 dias, quando a administração garantiu que não havia riscos.

O medo dos moradores tinha razão de ser, e foi provado na manhã de ontem, com o deslizamento. Após mais de cinco horas de trabalhos de resgate, a Defesa Civil da Capital alegou que, possivelmente, o encanamento de água e esgoto das residências irregulares foi o responsável pelo deslizamento de terra.

"O número de ligações clandestinas era muito grande. Parte da terra que cedeu era lama", disse o responsável pela Defesa Civil, coronel Jair Paca Lima. Contudo, somente a partir de hoje a equipe de geólogos e Polícia Científica começam a investigar as causas do acidente.

Para a população do morro do Macaco, a movimentação no canteiro de obras provocou o deslizamento de terra. "A gente via pedras e pedaços do solo caírem constantemente. Isso não era assim nem mesmo quando chovia forte", lembrou Alexandra Alves Santos Barbosa, 28 anos. Ela mora há nove no núcleo, e na tarde de ontem completava o coro de lamentações por conta da tragédia.

"Deveriam ter nos dado um lugar para podermos sair daqui. A gente sabia que era inseguro, mas poderiam ter retirado todas as famílias antes de começarem as obras."

O vereador Célio Lucas de Almeida (PPS-Diadema), o Célio Boi, também morou na comunidade da Mata Virgem, região do morro do Macaco. Enquanto policiais, bombeiros e Defesa Civil impediam que familiares das vítimas e vizinhança se aproximassem do local da tragédia, o político passava algumas informações sobre as escavações. "Reunimos os moradores e pedimos a paralisação dos trabalhos. O problema é que a Prefeitura continuou as obras."

CONTENÇÃO
O secretário municipal de Habitação de São Paulo, Ricardo Pereira Leite, informou que os trabalhos no pico do morro deveriam conter deslizamentos. "Há um ano e meio começamos essas intervenções por meio do Projeto Mananciais. Ao longo desse tempo, 422 famílias foram removidas e outras 78 permaneceram na área."

Ele informou que a área é protegida pela legislação ambiental. "Essas famílias foram convidadas a deixar a área, porém, resistiram. Avaliamos os riscos, e as obras não influenciaram o acidente. Pelo contrário, elas vão evitar novas tragédias." O gestor, por outro lado, não soube precisar o valor dos trabalhos.

Leite garantiu que todas as famílias desabrigadas ou que tiveram residências interditadas vão receber auxílio aluguel, que pode chegar a R$ 450 mensais, por um ano. "Hoje (ontem), vamos providenciar hotéis para quem não pode ir para casa de parentes. Todas as pessoas prejudicadas serão atendidas", afirmou.



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Moradores temiam tragédia no morro

Renan Fonseca
Do Diário do Grande ABC

08/07/2011 | 07:01


Moradores mais antigos da Mata Virgem, também conhecido como morro do Macaco, na divisa de São Paulo com Diadema, já previam a tragédia que matou duas pessoas na manhã de ontem, destruiu quatro casas e causou a interdição de outras 59, por volta das 11h. No ano passado, a prefeitura de São Paulo iniciou trabalhos de contenção da encosta. A movimentação do maquinário provocava pequenos deslizamentos de terra desde o início do ano, segundo moradores. No dia 13 de junho, a população se reuniu e paralisou as obras por 15 dias, quando a administração garantiu que não havia riscos.

O medo dos moradores tinha razão de ser, e foi provado na manhã de ontem, com o deslizamento. Após mais de cinco horas de trabalhos de resgate, a Defesa Civil da Capital alegou que, possivelmente, o encanamento de água e esgoto das residências irregulares foi o responsável pelo deslizamento de terra.

"O número de ligações clandestinas era muito grande. Parte da terra que cedeu era lama", disse o responsável pela Defesa Civil, coronel Jair Paca Lima. Contudo, somente a partir de hoje a equipe de geólogos e Polícia Científica começam a investigar as causas do acidente.

Para a população do morro do Macaco, a movimentação no canteiro de obras provocou o deslizamento de terra. "A gente via pedras e pedaços do solo caírem constantemente. Isso não era assim nem mesmo quando chovia forte", lembrou Alexandra Alves Santos Barbosa, 28 anos. Ela mora há nove no núcleo, e na tarde de ontem completava o coro de lamentações por conta da tragédia.

"Deveriam ter nos dado um lugar para podermos sair daqui. A gente sabia que era inseguro, mas poderiam ter retirado todas as famílias antes de começarem as obras."

O vereador Célio Lucas de Almeida (PPS-Diadema), o Célio Boi, também morou na comunidade da Mata Virgem, região do morro do Macaco. Enquanto policiais, bombeiros e Defesa Civil impediam que familiares das vítimas e vizinhança se aproximassem do local da tragédia, o político passava algumas informações sobre as escavações. "Reunimos os moradores e pedimos a paralisação dos trabalhos. O problema é que a Prefeitura continuou as obras."

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O secretário municipal de Habitação de São Paulo, Ricardo Pereira Leite, informou que os trabalhos no pico do morro deveriam conter deslizamentos. "Há um ano e meio começamos essas intervenções por meio do Projeto Mananciais. Ao longo desse tempo, 422 famílias foram removidas e outras 78 permaneceram na área."

Ele informou que a área é protegida pela legislação ambiental. "Essas famílias foram convidadas a deixar a área, porém, resistiram. Avaliamos os riscos, e as obras não influenciaram o acidente. Pelo contrário, elas vão evitar novas tragédias." O gestor, por outro lado, não soube precisar o valor dos trabalhos.

Leite garantiu que todas as famílias desabrigadas ou que tiveram residências interditadas vão receber auxílio aluguel, que pode chegar a R$ 450 mensais, por um ano. "Hoje (ontem), vamos providenciar hotéis para quem não pode ir para casa de parentes. Todas as pessoas prejudicadas serão atendidas", afirmou.

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