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Ramalhão: quatro anos do maior título


Dérek Bittencourt
Especial para o Diário

30/06/2008 | 07:00


Atual treinador do Oita Trinita-JAP, desde 2005, Péricles Chamusca foi um dos responsáveis pelo título do Santo André na Copa do Brasil de 2004, que completa quatro anos hoje. Após iniciar carreira no Vitória, passou pelo CSA, pelo Santa Cruz e chegou ao Brasiliense, onde foi finalista da Copa do Brasil, mas perdeu para o Corinthians.

Dois anos depois, no comando do Ramalhão, chegou ao título, após deixar para trás Atlético Mineiro, Guarani, Palmeiras e Flamengo. Sua carreira, depois disso, decolou e São Caetano, Goiás e Botafogo foram seus destinos seguintes, antes da transferência para o Oriente. De lá, Chamusca deu uma entrevista exclusiva ao Diário.

DIÁRIO - A conquista da Copa do Brasil de 2004 foi o maior título da sua carreira?
PÉRICLES CHAMUSCA - Com certeza foi o título mais importante da minha carreira. Fui para a final com o Brasiliense e minha conquista com o Santo André foi valorizada por isso: chegar a duas finais em três anos. Foi uma subida de degraus. Foi por causa dela que tive a oportunidade de dirigir São Caetano, Botafogo e Goiás, antes de vir para o Japão.

DIÁRIO - Quais os principais pontos positivos daquele grupo que foi campeão?
CHAMUSCA - Foi um título conquistado pela qualidade e, principalmente, pela determinação daquele grupo, que tinha um bom relacionamento e isso supera qualquer dificuldade. Eram jogadores que, talvez, não tivessem nível de primeira divisão, mas tinham qualidade de primeira divisão.

DIÁRIO - Qual a importância do Sérgio Soares (auxiliar-técnico) no título?
CHAMUSCA - O Sérgio foi uma pessoa muito importante naquele momento. Se entrosou com a nossa filosofia e adquiriu minha confiança. Na final, quando não pude estar no campo, nos comunicamos por rádio e deu certo.

DIÁRIO - Você continua acompanhando o Santo André mesmo do Japão?
CHAMUSCA - Sempre que posso acompanho, porque foi um clube que ficou marcado na carreira. Meu primeiro título nacional, fica uma marca de gratidão. Quando se obtém uma grande conquista se cria uma relação mais estreita. Além do título, adquiri uma identidade com o clube.

DIÁRIO - Você foi para o Japão em 2005 para dirigir o Oita. Desde então, como foi seu desempenho e o do clube?
CHAMUSCA - Quando cheguei o Oita estava em um momento difícil, há 12 jogos sem vitória e próximo da segunda divisão. Mas nos meus sete primeiros jogos conquistei seis vitórias e um empate, e permanecemos na primeira divisão. Esse trabalho deu uma valorização muito grande. Em 2006 chegamos entre os oito primeiros colocados, uma posição que para o Oita, que é emergente, foi excelente.

DIÁRIO - E o que rendeu para você esse trabalho de sucesso?
CHAMUSCA - A partir disso assinaram um contrato de três anos comigo, para fazer um trabalho a longo prazo, que dura até o final de 2009.

DIÁRIO - Há um mês você arremessou a primeira bola de uma partida de beisebol. Como foi viver essa experiência?
CHAMUSCA - Realmente fui convidado e fiquei surpreso. Geralmente chamam autoridades ou jogadores. Foi uma homenagem muito bonita e estava muito contente.

DIÁRIO - O que você pretende fazer após o término do seu contrato com o Oita?
CHAMUSCA - Minha atitude vai depender do momento em que estiver passando aqui, para saber se fico ou se volto para o Brasil.

De Goiás ao Rio: o caminho à América

A campanha do Santo André teve um primeiro capítulo rápido contra o Novo Horizonte-GO. Já no jogo de ida eliminou o adversário: 5 a 0. Pela frente, na seqüência, o Atlético Mineiro. Com uma vitória por 3 a 0 em casa, mesmo o 2 a 0 em favor do Galo no Mineirão não eliminou o Ramalhão.

Mais uma página virada e mais um difícil oponente: o Guarani. Em Campinas, 1 a 1 e o empate sem gols no Grande ABC credenciou o Santo André para pegar o Palmeiras nas quartas-de-final. O resultado de 3 a 3 no Bruno Daniel levou a decisão para o Palestra Itália, mas o 4 a 4 mais uma vez beneficiou o time da região, que já chegava na semifinal para enfrentar o XV de Novembro-RS.

No Pacaembu, derrota por 4 a 3 e na decisão no Sul, o troco: 3 a 1 e a classificação para a final contra o Flamengo. "Foi contra o XV de Novembro que mostramos que poderíamos ser campeões", disse o polivalente Da Guia.

A grande final começou em 26 de junho, no Palestra Itália e um empate por 2 a 2 (Romerito e Osmar para o Ramalhão), deu a vantagem do empate sem gols no jogo da volta para o adversário.

Todo um clima de já ganhou estava formado em favor dos cariocas, o que inflamou os jogadores do Ramalhão. "Víamos reportagens sobre o favoritismo do Flamengo, que já tinham preparado a festa do título e tal, mas isso só nos motivou ainda mais", disse Sandro Gaúcho. "No ônibus indo para o Maracanã, já víamos a multidão. Mas isso não nos inibiu, pelo contrário, nos deu mais força para superar a situação", completou Gaúcho.

O técnico Péricles Chamusca preparou uma tática para superar o Flamengo no Rio. "Não poderíamos tomar gol no primeiro tempo, porque quando viessem para cima, conseguiríamos marcar o gol", lembrou o goleiro Júlio Cesar.

E assim como no plano, o primeiro tempo terminou 0 a 0 e na segunda etapa o Flamengo foi para cima e foi surpreendido, duas vezes (por Sandro Gaúcho e Élvis). "A impressão era que estávamos jogando em casa. O time soube, com muita personalidade, reverter toda aquela pressão de 70 mil pessoas torcendo contra", contou o goleiro.

Aí foi só esperar o apito final de Carlos Eugênio Simon para comemorar, dar a volta olímpica no Maraca e ficar com a vaga na Libertadores de 2005.

"Calar o Maracanã foi maravilhoso, indescritível e depois do jogo eles até nos aplaudiram", disse Da Guia. "Foi legal ver o Maracanã todo quieto só com a nossa torcida gritando", completou Júlio Cesar.

Aliás, essa festa da torcida se estendeu até a recepção do elenco no aeroporto de Congonhas e em Santo André. "Tivemos uma recepção incrível nas ruas da cidade. Inesquecível", concluiu Sandro Gaúcho. (DB)

Título deu visibilidade ao clube e ao grupo

Julio César; Dedimar, Alex e Gabriel; Da Guia, Dirceu, Ramalho, Elvis e Romerito; Osmar e Sandro Gaúcho. Esses foram os titulares que ficarão marcados na história do Santo André como aqueles que trouxeram o principal título do clube.

O prestígio e as lembranças da conquista persistem e os jogadores daquele time explicam que o título rendeu individualmente muito reconhecimento. "Até hoje colhemos o fruto daquela campanha. Os jogadores e o clube ficaram marcados e ainda hoje há o reconhecimento", disse o ex-atacante Sandro Gaúcho.

"No futebol se fala muito em números, em dinheiro, mas até hoje em qualquer clube que vamos jogar, somos reconhecidos por ter participado daquele título", emenda o goleiro Júlio Cesar, atualmente no rival São Caetano.

Os próprios atletas admitem que o grande diferencial daquela conquista foi o comprometimento que cada jogador do elenco tinha, a harmonia, a união e o foco em uma só meta: o título. "Não tinha vaidades", disse Júlio Cesar. "Era um grupo que não desistia nunca, de nenhuma jogada ou resultado. Não eram jogadores de nome, mas a união prevalecia", completa o ala/zagueiro Da Guia. (DB)



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