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Letícia Sabatella: todas amantes de JK em uma


Mariana Trigo
Da TV Press

26/02/2006 | 08:49


Letícia Sabatella é uma figura serena. Mesmo durante um agitado dia de gravações da minissérie JK, da Globo, na qual vive a recatada Marisa, amante de Juscelino Kubitschek, nada abala o tranqüilo semblante da atriz. Concentrada antes de gravar cenas bem passionais com José Wilker, Letícia tira dessa aparente paz interior a inspiração para dosar as emoções da conflitante personagem.

Afinal, mesmo sendo extremamente católica, a Miss Primavera de Uberaba se apaixona por um homem casado. Apesar de ser uma personagem ficcional, Marisa representa todas as amantes que JK teve após seu casamento com Sarah, de Marília Pêra. Mas é especialmente inspirada em Maria Lúcia Pedroso, amante do “presidente bossa nova” por longos 18 anos.

PERGUNTA: Como é interpretar uma mulher que simboliza todas as amantes que Juscelino teve?
LETÍCIA SABATELLA: (risos) Não penso nesse slogan quando faço a Marisa. Ela é uma personagem completamente fictícia, mas realmente inspirada em todas as amantes do JK. Principalmente num grande amor que ele teve, que foi um relacionamento de 18 anos com a Maria Lúcia Pedroso. A Marisa é totalmente inventada. Quando eu faço a Marisa não penso ‘Ah, eu sou todas’ (risos). Ela é uma mulher que se apaixona por um presidente e, por incrível que pareça, eles têm um relacionamento profundamente amoroso. A vida da Marisa não tem nada a ver especificamente com a história de outras mulheres que ele teve.

PERGUNTA: Como você avalia essa convivência de personagens reais com os fictícios?
LETÍCIA SABATELLA: Ela foi criada para se adequar à dramaturgia da minissérie como um todo. A trama conta a história do JK em termos. Não é bem a história do Juscelino, mas em cima do JK. É o que eu sinto. Para ver o que foi a vida dele, existem muitos livros à venda. Não é um documentário, apenas uma obra de ficção com muitos fatos reais. Não posso dizer que quando as pessoas assistem a minissérie vão dar conta do que foi a história daquele período da vida dele, do nosso país. É uma obra artística.

PERGUNTA: Você falou dos livros, onde você buscou referências para essa composição?
LETÍCIA SABATELLA: Primeiro eu li o livro Sexo com Reis, de Eleanor Herman, que conta a história das esposas e amantes dos reis e fala sobre o nível de entrega que tinham. Histórias sobre mulheres me interessam sempre. Foi legal fazer essa análise, estudar a vida das amantes dos reis da Inglaterra e de Portugal. Elas tinham praticamente uma função social porque era uma coisa assumida e aceita. Vejo da Marquesa de Santos até chegar na Camila Parker Bowles, que enfim se casou com o Príncipe Charles. Questionei essa condição da amante com esse livro. Vi que a posição da amante é muito ingrata para a mulher porque reintegra o machismo. Não é um lugar confortável. Depois li o livro JK: O Artista do Impossível, do Cláudio Bojunga, que conta um pouco a profundidade que havia no relacionamento dele com a Maria Lúcia Pedroso.

PERGUNTA: Foi a partir do encontro com ela que você completou sua composição da Marisa?
LETÍCIA SABATELLA: Nós conversamos muito. Também conheci pessoas da família do Juscelino, que foram bem bacanas, junto com a Maria Adelaide, lá em Brasília. Em outra ocasião fui à casa da Maria Lúcia Pedroso e passamos uma tarde conversando. Fiquei fascinada! Ela é encantadora. A primeira hora da conversa foi sobre política atual. Ela gosta de política. Tivemos essa afinidade. Ela teve uma história de vida muito forte. Casou com 17 anos apaixonada pelo marido, bem mais velho. Depois se apaixonou pelo Juscelino. Ela dizia que é possível amar duas pessoas ao mesmo tempo e que o marido pegaria a lua se ela pedisse, mas que o Juscelino era sua alma gêmea. Foi bom conhecer Juscelino através do olhar dela. Me mostrou o quanto foi importante esse envolvimento afetivo para que ele se sustentasse na época do exílio. Ela me mostrou de que forma preencher os sentimentos da Marisa.

PERGUNTA: Como a família do Juscelino e a Maria Estela, filha do JK, reagiu quando soube que você iria fazer a amante do JK?
LETÍCIA SABATELLA: A Maria Estela falou ‘Que bom que você vai fazer a minissérie! Qual vai ser sua personagem?’. Respondi: ‘Vou fazer a amante dele’ (risos). Ela disse: ‘A amante do papai?’. Todos riram e ela falou: ‘Papai realmente era muito sedutor. Se não fosse filha dele também teria me apaixonado!’.

PERGUNTA: Parece que essa personagem lhe seduziu aos poucos. Você foi para Brasília por acaso, encontrou a Maria Adelaide, tudo lhe conduzindo para um papel que antes era para ser vivido pela Malu Mader...
LETÍCIA SABATELLA: É verdade. Muitas vezes até vejo a Malu fazendo, sou amiga dela. Mas acho que é a questão da disponibilidade mesmo. Essa personagem não é fácil. Ela é inspirada na Maria Lúcia, mas não tem nada a ver com a vida dela. Às vezes me pergunto: ‘O que é que estou fazendo?’, fico confusa em como fazer...

PERGUNTA: Para completar essa confusão, a Ana Rosemberg também se apaixona pela Marisa. Como você analisa esse envolvimento?
LETÍCIA SABATELLA: Ah, achei muito bonito! A Ana é uma pessoa imensamente bonita, uma jornalista culta, com um amor pela Marisa dos mais lindos da minissérie porque ela quer ver a Marisa feliz, estando com ela ou não. Ela não se importa em não ter a Marisa. Um amor desses é muito bonito, que ainda conta com a interpretação da Camila Morgado, que dá conta dessa grandeza. Me sinto privilegiada de ter ela fazendo uma personagem que é apaixonada por mim (risos).

PERGUNTA: Por mais suaves que sejam suas personagens, você imprime personalidade forte nelas. Ao que você atribui isso?
LETÍCIA SABATELLA: - Coloco uma energia generosa nelas. Entrego algo a mais. Leio muito o texto e tento ir ao máximo do que aquelas palavras estão me dizendo. Com isso, acabo me aprofundando nos sentimentos da personagem. A minha alma é empregada naquilo. É uma meditação profunda no que vai ser dito, naquela emoção. Nunca pensei se minha personalidade é forte. Sou maleável, mas tenho uma intensidade, uma entrega no trabalho e corro muito atrás.



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Letícia Sabatella: todas amantes de JK em uma

Mariana Trigo
Da TV Press

26/02/2006 | 08:49


Letícia Sabatella é uma figura serena. Mesmo durante um agitado dia de gravações da minissérie JK, da Globo, na qual vive a recatada Marisa, amante de Juscelino Kubitschek, nada abala o tranqüilo semblante da atriz. Concentrada antes de gravar cenas bem passionais com José Wilker, Letícia tira dessa aparente paz interior a inspiração para dosar as emoções da conflitante personagem.

Afinal, mesmo sendo extremamente católica, a Miss Primavera de Uberaba se apaixona por um homem casado. Apesar de ser uma personagem ficcional, Marisa representa todas as amantes que JK teve após seu casamento com Sarah, de Marília Pêra. Mas é especialmente inspirada em Maria Lúcia Pedroso, amante do “presidente bossa nova” por longos 18 anos.

PERGUNTA: Como é interpretar uma mulher que simboliza todas as amantes que Juscelino teve?
LETÍCIA SABATELLA: (risos) Não penso nesse slogan quando faço a Marisa. Ela é uma personagem completamente fictícia, mas realmente inspirada em todas as amantes do JK. Principalmente num grande amor que ele teve, que foi um relacionamento de 18 anos com a Maria Lúcia Pedroso. A Marisa é totalmente inventada. Quando eu faço a Marisa não penso ‘Ah, eu sou todas’ (risos). Ela é uma mulher que se apaixona por um presidente e, por incrível que pareça, eles têm um relacionamento profundamente amoroso. A vida da Marisa não tem nada a ver especificamente com a história de outras mulheres que ele teve.

PERGUNTA: Como você avalia essa convivência de personagens reais com os fictícios?
LETÍCIA SABATELLA: Ela foi criada para se adequar à dramaturgia da minissérie como um todo. A trama conta a história do JK em termos. Não é bem a história do Juscelino, mas em cima do JK. É o que eu sinto. Para ver o que foi a vida dele, existem muitos livros à venda. Não é um documentário, apenas uma obra de ficção com muitos fatos reais. Não posso dizer que quando as pessoas assistem a minissérie vão dar conta do que foi a história daquele período da vida dele, do nosso país. É uma obra artística.

PERGUNTA: Você falou dos livros, onde você buscou referências para essa composição?
LETÍCIA SABATELLA: Primeiro eu li o livro Sexo com Reis, de Eleanor Herman, que conta a história das esposas e amantes dos reis e fala sobre o nível de entrega que tinham. Histórias sobre mulheres me interessam sempre. Foi legal fazer essa análise, estudar a vida das amantes dos reis da Inglaterra e de Portugal. Elas tinham praticamente uma função social porque era uma coisa assumida e aceita. Vejo da Marquesa de Santos até chegar na Camila Parker Bowles, que enfim se casou com o Príncipe Charles. Questionei essa condição da amante com esse livro. Vi que a posição da amante é muito ingrata para a mulher porque reintegra o machismo. Não é um lugar confortável. Depois li o livro JK: O Artista do Impossível, do Cláudio Bojunga, que conta um pouco a profundidade que havia no relacionamento dele com a Maria Lúcia Pedroso.

PERGUNTA: Foi a partir do encontro com ela que você completou sua composição da Marisa?
LETÍCIA SABATELLA: Nós conversamos muito. Também conheci pessoas da família do Juscelino, que foram bem bacanas, junto com a Maria Adelaide, lá em Brasília. Em outra ocasião fui à casa da Maria Lúcia Pedroso e passamos uma tarde conversando. Fiquei fascinada! Ela é encantadora. A primeira hora da conversa foi sobre política atual. Ela gosta de política. Tivemos essa afinidade. Ela teve uma história de vida muito forte. Casou com 17 anos apaixonada pelo marido, bem mais velho. Depois se apaixonou pelo Juscelino. Ela dizia que é possível amar duas pessoas ao mesmo tempo e que o marido pegaria a lua se ela pedisse, mas que o Juscelino era sua alma gêmea. Foi bom conhecer Juscelino através do olhar dela. Me mostrou o quanto foi importante esse envolvimento afetivo para que ele se sustentasse na época do exílio. Ela me mostrou de que forma preencher os sentimentos da Marisa.

PERGUNTA: Como a família do Juscelino e a Maria Estela, filha do JK, reagiu quando soube que você iria fazer a amante do JK?
LETÍCIA SABATELLA: A Maria Estela falou ‘Que bom que você vai fazer a minissérie! Qual vai ser sua personagem?’. Respondi: ‘Vou fazer a amante dele’ (risos). Ela disse: ‘A amante do papai?’. Todos riram e ela falou: ‘Papai realmente era muito sedutor. Se não fosse filha dele também teria me apaixonado!’.

PERGUNTA: Parece que essa personagem lhe seduziu aos poucos. Você foi para Brasília por acaso, encontrou a Maria Adelaide, tudo lhe conduzindo para um papel que antes era para ser vivido pela Malu Mader...
LETÍCIA SABATELLA: É verdade. Muitas vezes até vejo a Malu fazendo, sou amiga dela. Mas acho que é a questão da disponibilidade mesmo. Essa personagem não é fácil. Ela é inspirada na Maria Lúcia, mas não tem nada a ver com a vida dela. Às vezes me pergunto: ‘O que é que estou fazendo?’, fico confusa em como fazer...

PERGUNTA: Para completar essa confusão, a Ana Rosemberg também se apaixona pela Marisa. Como você analisa esse envolvimento?
LETÍCIA SABATELLA: Ah, achei muito bonito! A Ana é uma pessoa imensamente bonita, uma jornalista culta, com um amor pela Marisa dos mais lindos da minissérie porque ela quer ver a Marisa feliz, estando com ela ou não. Ela não se importa em não ter a Marisa. Um amor desses é muito bonito, que ainda conta com a interpretação da Camila Morgado, que dá conta dessa grandeza. Me sinto privilegiada de ter ela fazendo uma personagem que é apaixonada por mim (risos).

PERGUNTA: Por mais suaves que sejam suas personagens, você imprime personalidade forte nelas. Ao que você atribui isso?
LETÍCIA SABATELLA: - Coloco uma energia generosa nelas. Entrego algo a mais. Leio muito o texto e tento ir ao máximo do que aquelas palavras estão me dizendo. Com isso, acabo me aprofundando nos sentimentos da personagem. A minha alma é empregada naquilo. É uma meditação profunda no que vai ser dito, naquela emoção. Nunca pensei se minha personalidade é forte. Sou maleável, mas tenho uma intensidade, uma entrega no trabalho e corro muito atrás.

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