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CPI: Diniz afirma que foi chantageado por Carlinhos Cachoeira


Do Diário OnLine

13/04/2004 | 17:15


O ex-subchefe para Assuntos Parlamentares da Presidência Waldomiro Diniz depôs por cinco horas e meia à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Loterj/Rioprevidência, nesta terça-feira, na Alerj (Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro). Entre suas explicações, que incluíram desculpas públicas e desabafos com voz embargada, Diniz alegou que foi chantageado no escândalo de propina em que se envolveu.

Waldomiro Diniz, pivô da maior crise política enfrentada pelo governo Lula, foi flagrado cobrando propina do bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, em 2002 - com quem Waldomiro já aceitou fazer uma acareação, na própria CPI da Alerj. O dinheiro seria destinado a campanhas eleitorais do PT no Rio (Benedita da Silva) e Distrito Federal (Geraldo Magela), além da campanha que elegeu a atual governadora fluminense, Rosinha Matheus (hoje no PMDB; então no PSB).

Waldomiro depôs à CPI da Loterj/Rioprevidência protegido por um salvo-conduto da Justiça, artifício que impedia sua prisão no caso de não responder a perguntas que poderiam incriminá-lo. Mesmo salvaguardado, ele abriu o depoimento jurando solenemente que só falaria a verdade aos deputados.

Antes de começar a responder às perguntas, Diniz disse que tinha cometidos "erros" e um "pecado" para ajudar um amigo que passava por necessidades, no caso Armando Dili, já falecido, então assessor de Carlinhos Cachoeira – Dili era consultor da Loterj e foi contratado por Cachoeira por uma oferta de salário melhor. Segundo Diniz, Dili não estaria recebendo seus salários regularmente e passava por necessidades.

"Ao tentar ajudá-lo, me tornei refém de uma engenharia criminosa, uma gravação premeditada, feita por uma pessoa inescrupulosa", defendeu-se.

Com lágrimas nos olhos, Diniz afirmou que falava naquele momento como "uma pessoa envergonhada, com a alma quebrada." "Preciso que a Justiça, em quem deposito minha confiança, restabeleça a verdade para eu poder olhar, de cabeça erguida, aos meus amigos, filhos e pais. Para aqueles que sempre depositaram em mim total confiança e que hoje são cobrados cotidianamente como se beneficiárias fossem dos meus atos."

Gravação - Sobre a fita que mostra ele e Cachoeira conversando, Diniz declarou que nunca a assistiu integralmente. Ele explicou que conheceu o bicheiro quando era presidente da Loterj, num processo de licitação para operar loterias on-line. Em seguida, Diniz detalhou que foi convidado a presidir a empresa pelo então governador Anthony Garotinho (na época no PSB; hoje no PMDB).

Ao declarar que não se lembra da data exata em que ocorreu a gravação, Diniz contou que ele havia proposto o encontro na Loterj, pois trataria de questões contratuais. No entanto, Cachoeira teria pedido para encontrá-lo em seu novo escritório, com o objetivo de mostrar-lhe o local. "O Dili me pegou na Loterj e, no caminho para a reunião, me deu um tipo de pauta da conversa. Ele disse quais eram os assuntos que o Carlos Ramos queria conversar comigo", afirmou.

Além de Diniz e Cachoeira, estavam presentes na sala onde a fita foi gravada Dili e um segundo assessor. "Me surpreendeu porque ele (Cachoeira) não deixou que eles ficassem", revelou.

Durante a conversa, Diniz afirmou que a percentagem de participação que pediu sobre a contribuição do bicheiro estava sendo negociada para Dili. "Eu deveria ter sido mais claro no que falava", lamentou.

O ex-assessor da Casa Civil foi questionado também sobre a mudança que estaria negociando com Cachoeira no texto de um edital de exploração de jogos on-line. Segundo publicado pela imprensa, Diniz pediu que o bicheiro excluísse do edital os itens que o atrapalhavam. O ex-assessor informou que, na verdade, pediu para ele escrever o que constaria no recurso a ser enviado ao Tribunal de Contas para modificar o edital, pois este já havia sido assinado em março.

Sobre o encontro que teve com Cachoeira no Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek, em Brasília, Diniz afirmou não se lembrar dos detalhes da conversa.

Chantagem - Ainda com relação à gravação no escritório do bicheiro, Waldomiro Diniz disse que foi chantageado desde janeiro de 2003 por Cachoeira. Segundo ele, Cachoeira estaria contrariado por não ter conseguido instalar máquinas caça-níqueis no Estado do Rio e por querer realizar atividades não previstas em contrato.

Diniz contou que, certo dia, recebeu a ligação do jornalista Mino Pedrosa, consultor de Cachoeira, mencionando a fita. "Pego o telefone, ligo para Carlinhos Cachoeira, e digo que quero saber o que é isso. Ele disse: 'é que você não retorna as minhas ligações'", relatou Diniz.

À CPI, Waldomiro Diniz disse que a partir desse acontecimento pediu ao Procurador-geral da República, Carlos Fonteles, ao ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, e ao corregedor da República, Waldir Pires, para que fosse investigado. Ele relatou ter enviado um requerimento em junho daquele às autoridades pedindo ajuda na ‘chantagem’.

Campanhas eleitorais - No que diz respeito ao primeiro encontro com o bicheiro, Diniz declarou também não se lembrar dos detalhes, mas que se recordava de Carlos ter dito, mais de uma vez, que gostaria de contribuir para as campanhas eleitorais do Rio de Janeiro.

"Mas reitero que nunca me foi dada competência para isso e que nunca me foram delegados recursos nem para a campanha de Benedita (da Silva, do PT) nem de Rosinha. Pelo que sei, ele nunca deu dinheiro para essas campanhas", afirmou. Porém, Diniz confirmou ter recebido R$ 100 mil para a campanha do candidato petista ao governo de Brasília na eleições de 2002, Geraldo Magela. "Entreguei o dinheiro ao tesoureiro Paulinho", contou, explicando que Cachoeira e Magela nunca tiveram qualquer contato, "sequer se conheceram".

Calado - O ex-assessor do Planalto se recusou a dar esclarecimentos quando foi indagado do que se tratavam os 3% que ele pedira de percentagem sobre um montante de R$ 10 milhões negociado com Cachoeira. Com a mesma afirmação que começou seu depoimento, Diniz disse que não tinha assistido à toda a gravação e que não poderia determinar em que contexto a frase estava inserida.

"Em respeito ao trabalho desta comissão, prefiro não responder sem ter certeza. Depois que ver (a fita) volto aqui com todo o prazer e respondo."

O presidente da CPI, deputado Alessandro Calazans (PV), informou que a comissão está aguardando uma cópia da fita original da conversa. A CPI também pediu cópias dos requerimentos que Diniz afirma ter enviado às autoridades para pedir ajuda diante da suposta chantagem de Cachoeira.

Em seu longo depoimento, Diniz negou as acusações do bicheiro Sergio Canozzi de que recebia R$ 300 mil por mês dos bingos cariocas, classificando-as de "mentiras". Ele detalhou que se encontrava com José Renato Granado, presidente da associação dos Bingos do Rio de Janeiro, pelo menos uma vez por mês para tratar de assuntos técnicos.

Na última semana, Carlinhos Cachoeira depôs sobre o caso na Assembléia Legislativa de Goiás e negou ter dado dinheiro a Waldomiro. O bicheiro alegou que apenas gravou a negociação para se defender.



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CPI: Diniz afirma que foi chantageado por Carlinhos Cachoeira

Do Diário OnLine

13/04/2004 | 17:15


O ex-subchefe para Assuntos Parlamentares da Presidência Waldomiro Diniz depôs por cinco horas e meia à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Loterj/Rioprevidência, nesta terça-feira, na Alerj (Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro). Entre suas explicações, que incluíram desculpas públicas e desabafos com voz embargada, Diniz alegou que foi chantageado no escândalo de propina em que se envolveu.

Waldomiro Diniz, pivô da maior crise política enfrentada pelo governo Lula, foi flagrado cobrando propina do bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, em 2002 - com quem Waldomiro já aceitou fazer uma acareação, na própria CPI da Alerj. O dinheiro seria destinado a campanhas eleitorais do PT no Rio (Benedita da Silva) e Distrito Federal (Geraldo Magela), além da campanha que elegeu a atual governadora fluminense, Rosinha Matheus (hoje no PMDB; então no PSB).

Waldomiro depôs à CPI da Loterj/Rioprevidência protegido por um salvo-conduto da Justiça, artifício que impedia sua prisão no caso de não responder a perguntas que poderiam incriminá-lo. Mesmo salvaguardado, ele abriu o depoimento jurando solenemente que só falaria a verdade aos deputados.

Antes de começar a responder às perguntas, Diniz disse que tinha cometidos "erros" e um "pecado" para ajudar um amigo que passava por necessidades, no caso Armando Dili, já falecido, então assessor de Carlinhos Cachoeira – Dili era consultor da Loterj e foi contratado por Cachoeira por uma oferta de salário melhor. Segundo Diniz, Dili não estaria recebendo seus salários regularmente e passava por necessidades.

"Ao tentar ajudá-lo, me tornei refém de uma engenharia criminosa, uma gravação premeditada, feita por uma pessoa inescrupulosa", defendeu-se.

Com lágrimas nos olhos, Diniz afirmou que falava naquele momento como "uma pessoa envergonhada, com a alma quebrada." "Preciso que a Justiça, em quem deposito minha confiança, restabeleça a verdade para eu poder olhar, de cabeça erguida, aos meus amigos, filhos e pais. Para aqueles que sempre depositaram em mim total confiança e que hoje são cobrados cotidianamente como se beneficiárias fossem dos meus atos."

Gravação - Sobre a fita que mostra ele e Cachoeira conversando, Diniz declarou que nunca a assistiu integralmente. Ele explicou que conheceu o bicheiro quando era presidente da Loterj, num processo de licitação para operar loterias on-line. Em seguida, Diniz detalhou que foi convidado a presidir a empresa pelo então governador Anthony Garotinho (na época no PSB; hoje no PMDB).

Ao declarar que não se lembra da data exata em que ocorreu a gravação, Diniz contou que ele havia proposto o encontro na Loterj, pois trataria de questões contratuais. No entanto, Cachoeira teria pedido para encontrá-lo em seu novo escritório, com o objetivo de mostrar-lhe o local. "O Dili me pegou na Loterj e, no caminho para a reunião, me deu um tipo de pauta da conversa. Ele disse quais eram os assuntos que o Carlos Ramos queria conversar comigo", afirmou.

Além de Diniz e Cachoeira, estavam presentes na sala onde a fita foi gravada Dili e um segundo assessor. "Me surpreendeu porque ele (Cachoeira) não deixou que eles ficassem", revelou.

Durante a conversa, Diniz afirmou que a percentagem de participação que pediu sobre a contribuição do bicheiro estava sendo negociada para Dili. "Eu deveria ter sido mais claro no que falava", lamentou.

O ex-assessor da Casa Civil foi questionado também sobre a mudança que estaria negociando com Cachoeira no texto de um edital de exploração de jogos on-line. Segundo publicado pela imprensa, Diniz pediu que o bicheiro excluísse do edital os itens que o atrapalhavam. O ex-assessor informou que, na verdade, pediu para ele escrever o que constaria no recurso a ser enviado ao Tribunal de Contas para modificar o edital, pois este já havia sido assinado em março.

Sobre o encontro que teve com Cachoeira no Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek, em Brasília, Diniz afirmou não se lembrar dos detalhes da conversa.

Chantagem - Ainda com relação à gravação no escritório do bicheiro, Waldomiro Diniz disse que foi chantageado desde janeiro de 2003 por Cachoeira. Segundo ele, Cachoeira estaria contrariado por não ter conseguido instalar máquinas caça-níqueis no Estado do Rio e por querer realizar atividades não previstas em contrato.

Diniz contou que, certo dia, recebeu a ligação do jornalista Mino Pedrosa, consultor de Cachoeira, mencionando a fita. "Pego o telefone, ligo para Carlinhos Cachoeira, e digo que quero saber o que é isso. Ele disse: 'é que você não retorna as minhas ligações'", relatou Diniz.

À CPI, Waldomiro Diniz disse que a partir desse acontecimento pediu ao Procurador-geral da República, Carlos Fonteles, ao ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, e ao corregedor da República, Waldir Pires, para que fosse investigado. Ele relatou ter enviado um requerimento em junho daquele às autoridades pedindo ajuda na ‘chantagem’.

Campanhas eleitorais - No que diz respeito ao primeiro encontro com o bicheiro, Diniz declarou também não se lembrar dos detalhes, mas que se recordava de Carlos ter dito, mais de uma vez, que gostaria de contribuir para as campanhas eleitorais do Rio de Janeiro.

"Mas reitero que nunca me foi dada competência para isso e que nunca me foram delegados recursos nem para a campanha de Benedita (da Silva, do PT) nem de Rosinha. Pelo que sei, ele nunca deu dinheiro para essas campanhas", afirmou. Porém, Diniz confirmou ter recebido R$ 100 mil para a campanha do candidato petista ao governo de Brasília na eleições de 2002, Geraldo Magela. "Entreguei o dinheiro ao tesoureiro Paulinho", contou, explicando que Cachoeira e Magela nunca tiveram qualquer contato, "sequer se conheceram".

Calado - O ex-assessor do Planalto se recusou a dar esclarecimentos quando foi indagado do que se tratavam os 3% que ele pedira de percentagem sobre um montante de R$ 10 milhões negociado com Cachoeira. Com a mesma afirmação que começou seu depoimento, Diniz disse que não tinha assistido à toda a gravação e que não poderia determinar em que contexto a frase estava inserida.

"Em respeito ao trabalho desta comissão, prefiro não responder sem ter certeza. Depois que ver (a fita) volto aqui com todo o prazer e respondo."

O presidente da CPI, deputado Alessandro Calazans (PV), informou que a comissão está aguardando uma cópia da fita original da conversa. A CPI também pediu cópias dos requerimentos que Diniz afirma ter enviado às autoridades para pedir ajuda diante da suposta chantagem de Cachoeira.

Em seu longo depoimento, Diniz negou as acusações do bicheiro Sergio Canozzi de que recebia R$ 300 mil por mês dos bingos cariocas, classificando-as de "mentiras". Ele detalhou que se encontrava com José Renato Granado, presidente da associação dos Bingos do Rio de Janeiro, pelo menos uma vez por mês para tratar de assuntos técnicos.

Na última semana, Carlinhos Cachoeira depôs sobre o caso na Assembléia Legislativa de Goiás e negou ter dado dinheiro a Waldomiro. O bicheiro alegou que apenas gravou a negociação para se defender.

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