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Garoto frequenta duas escolas


Willian Novaes
Do Diário do Grande ABC

21/02/2010 | 07:00


Nilton Martin Mathias Brenner, 16 anos, não gosta de futebol nem de inglês, e é o único aluno superdotado da rede estadual de ensino da sua cidade, São Bernardo. O garoto encara todos os dias horas e horas dentro de salas de aulas e transporte público para ir atrás do sonho de ser engenheiro elétrico.

Ele mora com os pais no bairro de Taquacetuba, na periferia de São Bernardo, e precisa pegar um ônibus e uma balsa para chegar até o Riacho Grande. Na sequência embarca em outro coletivo para, enfim, depois de duas horas e meia de trânsito, chegar na ETE (Escola Técnica Estadual) Lauro Gomes, no Centro de São Bernardo, onde cursa o terceiro e último semestre de Automação Industrial.

No fim da tarde, o garoto continua a sua jornada estudantil. Ele volta para o Riacho onde cursa o 3° ano do Ensino Médio, na Escola Estadual Amadeu Olivério. Quando termina a aula, mais um ônibus, a balsa e outro coletivo. "Em dia de chuva ou enchente a situação piora mais ainda", comenta.

Na bagagem, além da vontade de passar no vestibular para o curso de Engenharia Elétrica, Nilton carrega três livros do curso técnico, três volumes de Física para reforço, dois blocos de folhas de sulfite e quadriculado, uma pasta para guardar as atividades e ainda o caderno do Ensino Médio.

"Minha mãe fala que vou ficar aleijado aos 20 anos por causa da minha mochila, que deve ter a metade do meu peso. Mas não tem jeito, preciso levar tudo isso, porque no ônibus já vou estudando", brinca.

VESTIBULAR - Para o futuro, o estudante planeja rotina mais tranquila. Sem tempo para fazer cursinho preparatório, Nilton prestará vestibular no fim do ano. "Acho que vai dar para passar. No fim do ano passado fiz três provas de vestibular. Em uma, acertei 75%, na outra, 85% e na última desisti. Se não der neste, provavelmente, passo no próximo ano", acredita.

Segundo ele, no Ensino Fundamental não gostava de ir à escola. Apenas no Ensino Médio é que a paixão pelos estudos despertou. "Era um sofrimento ir estudar, mas nunca tive notas ruins. Conseguia aprender fácil e não tinha dificuldade com as matérias."

SEM TEMPO LIVRE - Tempo livre é algo que não existe na agenda do estudante. Do curso de espanhol, ele foi obrigado a desistir. Os sábados são dedicados a aulas de reforço em Física. "Vida de aluno do 3° ano que leva vestibular e TCC não é pacífica", finaliza Nilton.



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Garoto frequenta duas escolas

Willian Novaes
Do Diário do Grande ABC

21/02/2010 | 07:00


Nilton Martin Mathias Brenner, 16 anos, não gosta de futebol nem de inglês, e é o único aluno superdotado da rede estadual de ensino da sua cidade, São Bernardo. O garoto encara todos os dias horas e horas dentro de salas de aulas e transporte público para ir atrás do sonho de ser engenheiro elétrico.

Ele mora com os pais no bairro de Taquacetuba, na periferia de São Bernardo, e precisa pegar um ônibus e uma balsa para chegar até o Riacho Grande. Na sequência embarca em outro coletivo para, enfim, depois de duas horas e meia de trânsito, chegar na ETE (Escola Técnica Estadual) Lauro Gomes, no Centro de São Bernardo, onde cursa o terceiro e último semestre de Automação Industrial.

No fim da tarde, o garoto continua a sua jornada estudantil. Ele volta para o Riacho onde cursa o 3° ano do Ensino Médio, na Escola Estadual Amadeu Olivério. Quando termina a aula, mais um ônibus, a balsa e outro coletivo. "Em dia de chuva ou enchente a situação piora mais ainda", comenta.

Na bagagem, além da vontade de passar no vestibular para o curso de Engenharia Elétrica, Nilton carrega três livros do curso técnico, três volumes de Física para reforço, dois blocos de folhas de sulfite e quadriculado, uma pasta para guardar as atividades e ainda o caderno do Ensino Médio.

"Minha mãe fala que vou ficar aleijado aos 20 anos por causa da minha mochila, que deve ter a metade do meu peso. Mas não tem jeito, preciso levar tudo isso, porque no ônibus já vou estudando", brinca.

VESTIBULAR - Para o futuro, o estudante planeja rotina mais tranquila. Sem tempo para fazer cursinho preparatório, Nilton prestará vestibular no fim do ano. "Acho que vai dar para passar. No fim do ano passado fiz três provas de vestibular. Em uma, acertei 75%, na outra, 85% e na última desisti. Se não der neste, provavelmente, passo no próximo ano", acredita.

Segundo ele, no Ensino Fundamental não gostava de ir à escola. Apenas no Ensino Médio é que a paixão pelos estudos despertou. "Era um sofrimento ir estudar, mas nunca tive notas ruins. Conseguia aprender fácil e não tinha dificuldade com as matérias."

SEM TEMPO LIVRE - Tempo livre é algo que não existe na agenda do estudante. Do curso de espanhol, ele foi obrigado a desistir. Os sábados são dedicados a aulas de reforço em Física. "Vida de aluno do 3° ano que leva vestibular e TCC não é pacífica", finaliza Nilton.

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