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Usina de criação

Livraria Alpharrabio, em Santo André, completa 20 anos
de difusão cultural; aniversário é comemorado nesta terça


Luís Felipe Soares e Thiago Mariano

20/02/2012 | 07:00


Era um desejo antigo de Dalila Teles Veras ter espaço em que pudesse fazer muito mais do que germinar arte. Desde 1983, quando, ao lado de poetas formou grupo chamado Livre Espaço, procurava por Santo André local onde os artistas pudessem conversar livremente, que não fosse um bar ou a casa de um de seus integrantes.

O fruto do desejo, a Livraria Alpharrabio, que completa 20 anos amanhã, nasceu da ideia de "um local acolhedor, que fosse ponto de encontro e de troca de ideias artísticas", mas perseverou como muito mais. Um dos principais bunkers da intelectualidade artística da região, o espaço não é apenas livraria, sebo, editora. É a casa onde a troca imaterial representa muito mais. Em cada conversa, olhar, projeto em comum entre todos que frequentam lá, pode se esboçar algum aspecto revelante da cultura regional.

"Quando compramos o imóvel, pensei em um sebo, mas ele já nasceu com essa intenção, de ser a forma autossustentável de um centro cultural. Claro que o livro sempre foi minha paixão, a intenção, mas fomos além", diz Dalila.

Para justificar como as coisas foram acontecendo, ela cita o poeta espanhol Antonio Machado, que diz "caminhante não tem caminho, faz o caminho ao caminhar".

Pouco tempo depois da abertura da Alpharrabio, veio a editora, também para contemplar outra carência da região. "Os escritores daqui se queixavam de não ter editora, de ter alguém que se dispusesse a editar suas públicações. Acabamos virando editora. Eu imaginei que o espaço fosse mais voltado para a literatura, mas não aconteceu isso. Músicos, pessoas de teatro, artistas plásticos, todos encontram abrigo aqui."

Talvez, o que antes se justificava pela falta de espaço, hoje pode encontrar explicação na necessidade do encontro físico. "Isso configura a ausência de um espaço informal, as pessoas têm a necessidade de encontrar o outro, do olho no olho, principalmente no mundo virtual em que vivemos hoje."

Continuar resistindo por duas décadas, principalmente em uma região onde as iniciativas culturais não dão frutos nem quando partem do poder público, para Dalila, vem da finalidade da sua missão, e não da busca. "Tenho horror à burocracia, sempre fiz as coisas que me deram na telha. Não tenho rabo preso com ninguém, nunca pedi patrocínio para nada. A Alpharrabio não foi feita por mim. É conjunto de ideias que dependeu de todas as pessoas que passaram por aqui. Temos registros de mais de 500 pessoas que estiveram aqui com utilidade, criaram coisas, celebraram parcerias."

A incubadora de ideias, como Dalila chama o espaço, é o resultado do trabalho. "O diálogo é permanente, nada passa em branco, é frio ou impessoal. Nossa intenção não é abrir espaço para um escritor ficar sentado na mesa abraçando pessoas e autografando seus livros. Cada um vem aqui falar do seu trabalho, interagir com o público, aprofundar o diálogo."

O ‘ultrapassar a fronteira' chega através dos registros e do resultado dos encontros e debates. "Gostaríamos de deixar para a cidade muito mais do que isso. Os resultados dos encontros e parcerias são úteis e temos consciência e preocupação de registrá-los de todas as maneiras. Temos acervo em imagens e escrita que acredito que futuramente será precioso para quem for se debruçar sobre os aspectos da cultura da região."

Tanto que a Alpharrabio abriga o Fórum de Debates Permanentes Sobre Cultura no Grande ABC, que reúne produtores e intelecutais dispostos a conversar sobre os problemas e procurar solução para a arte regional. Além do grupo de discussão, o espaço também conta com inúmeros artistas que fizeram de lá o seu espaço, entre eles o pintor Hugo Gallet, que é chamado por Dalila de "nosso artista-residente".

DEPOIMENTOS
"A Alpharrabio nasceu de um movimento que há 20 anos era intenso e no qual participava. O espaço surgiu por esse agito de todas as áreas culturais da cidade. Santo André já merecia essa livraria diferenciada, que além de vender livros, propõe e desenvolve ações culturais alternativas. É uma pequena joia na cidade. Com o sucesso conseguido até agora, e é possível ainda mais, espero que fique em atividade por muito mais anos"
ANTONIO PETRIN, ATOR

"Admiro como uma livraria só compreende tantas pessoas diretamente e indiretamente. Ela supre uma demanda de indecisões da cultural da administração pública não só em Santo André. Ao longo dos anos, se tornou um ponto de estabilidade e referência para quem gosta de usufruir e fazer cultura. Esse é o grande ponto a se falar sobre a Alpharrabio"
TARSO DE MELO, POETA

"O espaço ganha aspecto de ponto de resistência justamente pela falta de ações públicas. Esses núcleos culturais sempre giram em torno de pessoas especiais e a Dalila é essa pessoa. Sua simpatia e espontaneidade tornam todo o projeto especial. A Alpharrio acaba ganhando essas mesmas características por ser uma extensão dela."
SÔNIA GUEDES, ATRIZ

"Passava em frente à Alpharrabio e não sabia o que era. Organizei evento sobre o centenário do Mário de Andrade e disseram que lá haveria algo sobre ele. Cheguei e falei: é uma usina de criação. É o ponto da efervescência cultural da região. No dia seguinte também apareci e não parei mais de ir."
ZHÔ BERTHOLINI, POETA



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