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Inflação do Plano Real vai a 297,03%

De acordo com o IBGE, maiores altas de preços durante os
18 anos da moeda estão no gás, carvão, aluguel e transporte


Pedro Souza
Do Diário do Grande ABC

07/01/2012 | 07:49


A inflação do Plano Real completou 18 anos do fim de 2011. Neste período acumulou 297,03%. Na média, os preços dos produtos e serviços às famílias subiram 7,96% por ano. Estes resultados se consolidaram ontem, quando o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística publicou o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo de dezembro. O indicador subiu 0,5% e acumulou alta de 6,5% no ano.

Três grupos muito conhecidos dos consumidores foram os vilões nos últimos 18 anos. Entre 1994 e o fim de 2011, os combustíveis domésticos, ou carvão e gás, encareceram 801,97%, o mesmo que 2,7 vezes a inflação. Aluguel e taxas imobiliárias subiram 664,59%. E o transporte público, meio de locomoção de muitos para conseguir o ganha-pão diário, ficou 613,64% mais caro.

O gás encanado ou de bujão, por exemplo, tem preço influenciado pela administração pública, que regulamenta o mercado de petróleo e das concessionárias do combustível encanado. E na avaliação do professor de Economia do Insper Otto Nogami, a falta de investimento do governo nos setores é um dos fatores que contribuíram para a expansão elevada desses preços. “Pela falta de investimento do governo na estrutura existente, a sua utilização é muito forte e muitas vezes gera problemas que elevam os custos para as concessionárias”, avaliou, explicando que o reflexo desse cenário é o encarecimento ao consumidor.

No caso dos transportes públicos, Nogami contou que como os reajustes partem da iniciativa privada, os preços são mantidos em patamar real, o que significa que as empresas expandem seus faturamentos, muitas vezes para acompanhar a alta dos custos, com os reajustes das tarifas. Ele explicou que há alguns anos as administrações municipais controlavam os preços e muitas vezes pisavam no freio por questões políticas.

PESOS PESADOS - O grupo serviços pessoais, como por exemplo os trabalhos de costureira, manicure, barbeiro e empregada doméstica, foi dono da quarta maior inflação acumulada nos 18 anos, com percentual de 509,14%.

Outros nove produtos e serviços encareceram mais do que a média nos 18 anos. São eles os pescados (479,26%), plano de Saúde (461,26%), energia elétrica da residência (445,59%), combustíveis (394,93%), carnes (383,18%), serviços médicos e dentários (371,05%), alimentação fora do domicílio (357,74%), reparos em imóveis (337,72%) e o fumo (336,13%).

Alimentos pesam mais em dezembro

Os alimentos e as bebidas foram protagonistas na inflação às famílias brasileiras com renda entre um e 40 salários-mínimos em dezembro. O grupo de produtos teve alta média de preços de 1,23%, o que representou 58% do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, que variou 0,5% positivamente no mês passado, segundo o IBGE.

Por outro lado, os grupos artigos de residência, que deflacionaram 0,87%, e os transportes, cujos preços ficaram estáveis na média, fizeram o equilíbrio para que o indicador geral não elevasse mais.

Os produtos e serviços da habitação subiram 0,45%, os vestuários encareceram 0,80%, as despesas pessoas subiram 0,68% e o grupo Saúde e cuidados pessoais teve inflação de 0,44%. Logo atrás ficaram os preços da comunicação, com expansão média de 0,07%, e da Educação, com incremento de 0,5%.

Com o resultado do mês passado, a inflação acumulou no ano 6,5%, o maior resultado para um ano desde 2004, quando o IPCA atingiu 7,6%.

IBGE dá tiro certeiro na meta do governo

O IPCA acumulou em 2011 exatamente o percentual teto da meta de inflação do governo federal. Este limite, de 6,5% no ano, é a margem para que a inflação não prejudique, potencialmente, a economia. No entanto, durante quase todo o ano, os analistas econômicos apostavam na superação da meta.

Caso o teto fosse ultrapassado, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, teria que se explicar ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, por meio de carta aberta, conforme o decreto do sistema de metas de inflação. Isso porque o BC é um dos responsáveis pelo freio dos aumentos. Exemplo disso são as medidas que a autoridade utiliza para diminuir o consumo, restringindo o crédito, para segurar os preços.

Mas o resultado do IPCA desperta dúvidas. “É muito estranho o governo mexer na estrutura de ponderação (do IPCA, calculado pelo IBGE, que é instituição pública subordinada ao Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão) bem neste ano”, disse o professor de Economia do Insper Otto Nogami.

 



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