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Empresas da região recorrem a crédito para pagar 13º salário

No Grande ABC, desde outubro passado, 389 empresas já emprestaram R$ 5,4 milhões


Soraia Abreu Pedrozo
Do Diário do Grande ABC

16/12/2008 | 07:00


Neste ano, 33% das empresas do Estado de São Paulo precisaram de recursos de terceiros para efetuar o pagamento do 13º salário de seus trabalhadores. No ano passado, o percentual era menor: 20% recorreram ao financiamento, segundo dados levantados pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) em pesquisa realizada com 543 empresas.

O aumento pela demanda desse tipo de crédito é mais um reflexo da crise financeira internacional, que fez muitos negócios pela primeira vez em anos de atuação solicitar empréstimo para pagar o benefício.

No Grande ABC, de acordo com informações da unidade regional Caixa Econômica Federal, desde outubro até o momento 389 empresas emprestaram R$ 5,4 milhões. O montante é 61% superior ao registrado em 2007, quando 248 empresas financiaram R$ 3,3 milhões.

Hitoshi Hyodo, primeiro vice-diretor do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) de São Bernardo e proprietário da ABC Tecnologia, faz parte dessa estatística. "Pela primeira vez em 13 anos pegar empréstimo para pagar o 13º salário dos meus 14 funcionários", conta.

Conforme explica Hyodo, o financiamento foi uma medida preventiva para manter o fluxo de caixa no primeiro trimestre de 2009. "Estamos em um cenário de incertezas. Faltam previsibilidade e horizonte, e meus clientes estão começando a rever os contratos. Portanto, apesar de ter a verba para pagar o benefício, preferi tomar o empréstimo porque esta linha de crédito possui juros menores do que as outras de capital de giro".

Para Ernesto Moniz, proprietário da Metalúrgica Moniz, de Ribeirão Pires, a questão da tomada de crédito não é meramente contingencial, mas necessária. O faturamento de seu negócio recuou 70% de novembro para dezembro. "Neste período do ano é natural uma queda de até 10% na atividade produtiva. Fui pêgo de surpresa e tive de tomar empréstimo não somente para o 13º, mas para pagar as contas em geral. Não tenho mais dinheiro em caixa", relata o empresário, que vivencia a situação pela primeira vez em 21 anos.

A metalúrgica depende 60% das montadoras e 39% de sistemistas, que revendem às montadoras. O efeito dominó chegou à ponta da produção e ele teve de dispensar 30 funcionários no mês passado, e penhorou um ônibus e alguns veículos para conseguir o financiamento. "Hoje está muito mais difícil de se conseguir empréstimo, e os juros estão maiores".

Fausto Cestari Filho, secretário-executivo da Agência de Desenvolvimento Econçômico do Grande ABC e proprietário da empresa de autopeças MRS, de Mauá, concorda. "O rigor com que está se analisando o crédito está dez vezes maior. A garantia exigida pelos bancos também aumentou, e o custo do empréstimo está duas vezes superior ao que estava no ano passado. Isso em um momento em que as empresas mais precisam", afirma. A MRS não está sendo tão afetada, pois depende apenas 30% das montadoras e 70% do mercado de reposição.



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Empresas da região recorrem a crédito para pagar 13º salário

No Grande ABC, desde outubro passado, 389 empresas já emprestaram R$ 5,4 milhões

Soraia Abreu Pedrozo
Do Diário do Grande ABC

16/12/2008 | 07:00


Neste ano, 33% das empresas do Estado de São Paulo precisaram de recursos de terceiros para efetuar o pagamento do 13º salário de seus trabalhadores. No ano passado, o percentual era menor: 20% recorreram ao financiamento, segundo dados levantados pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) em pesquisa realizada com 543 empresas.

O aumento pela demanda desse tipo de crédito é mais um reflexo da crise financeira internacional, que fez muitos negócios pela primeira vez em anos de atuação solicitar empréstimo para pagar o benefício.

No Grande ABC, de acordo com informações da unidade regional Caixa Econômica Federal, desde outubro até o momento 389 empresas emprestaram R$ 5,4 milhões. O montante é 61% superior ao registrado em 2007, quando 248 empresas financiaram R$ 3,3 milhões.

Hitoshi Hyodo, primeiro vice-diretor do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) de São Bernardo e proprietário da ABC Tecnologia, faz parte dessa estatística. "Pela primeira vez em 13 anos pegar empréstimo para pagar o 13º salário dos meus 14 funcionários", conta.

Conforme explica Hyodo, o financiamento foi uma medida preventiva para manter o fluxo de caixa no primeiro trimestre de 2009. "Estamos em um cenário de incertezas. Faltam previsibilidade e horizonte, e meus clientes estão começando a rever os contratos. Portanto, apesar de ter a verba para pagar o benefício, preferi tomar o empréstimo porque esta linha de crédito possui juros menores do que as outras de capital de giro".

Para Ernesto Moniz, proprietário da Metalúrgica Moniz, de Ribeirão Pires, a questão da tomada de crédito não é meramente contingencial, mas necessária. O faturamento de seu negócio recuou 70% de novembro para dezembro. "Neste período do ano é natural uma queda de até 10% na atividade produtiva. Fui pêgo de surpresa e tive de tomar empréstimo não somente para o 13º, mas para pagar as contas em geral. Não tenho mais dinheiro em caixa", relata o empresário, que vivencia a situação pela primeira vez em 21 anos.

A metalúrgica depende 60% das montadoras e 39% de sistemistas, que revendem às montadoras. O efeito dominó chegou à ponta da produção e ele teve de dispensar 30 funcionários no mês passado, e penhorou um ônibus e alguns veículos para conseguir o financiamento. "Hoje está muito mais difícil de se conseguir empréstimo, e os juros estão maiores".

Fausto Cestari Filho, secretário-executivo da Agência de Desenvolvimento Econçômico do Grande ABC e proprietário da empresa de autopeças MRS, de Mauá, concorda. "O rigor com que está se analisando o crédito está dez vezes maior. A garantia exigida pelos bancos também aumentou, e o custo do empréstimo está duas vezes superior ao que estava no ano passado. Isso em um momento em que as empresas mais precisam", afirma. A MRS não está sendo tão afetada, pois depende apenas 30% das montadoras e 70% do mercado de reposição.

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