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Cuba e Bahia nas vozes de Omara e Bethânia


Dojival Filho
Do Diário do Grande ABC

19/10/2008 | 07:07


A emoção e o lirismo foram os fios condutores do encontro entre duas divas da canção latino-americana, registrado no DVD Omara Portuondo e Maria Bethânia - Ao Vivo (Biscoito Fino, R$ 44 em média). O vídeo traz uma apresentação realizada em abril último no Palácio das Artes, em Belo Horizonte, durante a turnê do disco produzido pelas intérpretes cubana e baiana.

No repertório do show, composições que evidenciam as interseções entre a cultura nacional e a da ilha caribenha: a religião, a marcante influência africana e a passionalidade. Em clima sereno e total sintonia, as cantoras enfileiram clássicos da música popular brasileira na abertura do concerto, com destaque para Cio da Terra, de Milton Nascimento e Chico Buarque, e Cálix Bento, de Tavinho Moura.

Brejeira - Mas a suavidade cede rapidamente lugar à brejeirice em Partido Alto, também escrita por Chico. Bethânia comprova ter domínio absoluto das divisões rítmicas e desenvoltura com a melodia. Intensa como sempre, injeta ainda mais densidade nos versos de Arrependimento, estandarte do gênero ‘ninguém-me-ama,ninguém-me-quer'.

Se fosse uma artista rendida à banalidade predominante na indústria fonográfica, a ‘Abelha-Rainha da MPB' tornaria vulgar outra pérola do gênero ‘dor-de-cotovelo': Negue, de Adelino Moreira e Dolores Duran. Em A Bahia te Espera, canta sobre os ritos e a devoção do povo de sua terra natal. Descontraída, Bethânia brinca ainda com a sensualidade latente da rumba Escandalosa, antes de deixar os holofotes para que Omara encante o público.

Elegância - Dona de um timbre de voz macio, revelado ao mundo após o projeto Buena Vista Social Club, do guitarrista norte-americano Ry Cooder, a septuagenária cubana reveste de elegância os arranjos de boleros saborosos como Veinte Años e Dos Gardênias. Outros bons momentos de Omara ficam por conta de Mil Congojas, Talvez (em que divide os holofotes com Bethânia) e no medley formado por La Sitiera e Guantanamera.

Merece menção o belo cenário do espetáculo, assinado pelo onipresente Gringo Cardia e repleto de lantejoulas e flores de chita. A banda de apoio, capitaneada pelo virtuoso violonista, baixista e arranjador Swami Jr., mantém o alto nível. Um dos trunfos do conjunto é o trio de percussionistas composto pelos brasileiros Cláudio Brito e Marcelo Costa, e o cubano Andres Coayo.

A única nota dissonante é a falta de making of e de entrevistas nos extras, compensada em parte pela edição limitada do DVD vendida em um estojo com o livro Omara & Bethânia - Cuba & Bahia (Nova Fronteira, 128 págs., R$ 130 em média). Trata-se de uma coletânea de artigos assinados por artistas e pensadores como Arnaldo Antunes e Nélida Piñon, além de imagens que confirmam as relações culturais entre os dois lugares.

Trechos
"Há que ouvir esta brasileira universal. Cantora maior da cena humana, cuja arte, incorruptível, explica um país e um povo. Porque quando Maria Bethânia entoa o seu canto, ela representa o Brasil." (Nélida Piñon)

"A vertigem causada em mim pela apresentação de Omara, no Café Concerto de Havana, revolve sensações semelhantes às que experimentei quando, ainda adolescente, presenciei pela primeira vez um show de Bethânia." (Arnaldo Antunes)

"Como é possível reunir tantas coisas lindas numa melodia, numa voz, numa maneira de dizer, numa expressão? Era tão impressionante que pensei comigo mesma: ‘Será que vou conseguir cantar depois disso?' Eu estava mesmo impressionada com ela. A verdade é que este trabalho foi tão lindo que vai ocupar um lugar muito especial na minha carreira artística." (Omara sobre Bethânia)

"Dona Omara é de uma inteligência e sensibilidade raras. Juntas, fizemos um disco de um humanismo absoluto, no sentido pleno da palavra. O disco é um relato muito nítido e respeitoso dessas músicas, mas é sobretudo um retrato de nossas escolhas." (Bethânia sobre Omara)



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Cuba e Bahia nas vozes de Omara e Bethânia

Dojival Filho
Do Diário do Grande ABC

19/10/2008 | 07:07


A emoção e o lirismo foram os fios condutores do encontro entre duas divas da canção latino-americana, registrado no DVD Omara Portuondo e Maria Bethânia - Ao Vivo (Biscoito Fino, R$ 44 em média). O vídeo traz uma apresentação realizada em abril último no Palácio das Artes, em Belo Horizonte, durante a turnê do disco produzido pelas intérpretes cubana e baiana.

No repertório do show, composições que evidenciam as interseções entre a cultura nacional e a da ilha caribenha: a religião, a marcante influência africana e a passionalidade. Em clima sereno e total sintonia, as cantoras enfileiram clássicos da música popular brasileira na abertura do concerto, com destaque para Cio da Terra, de Milton Nascimento e Chico Buarque, e Cálix Bento, de Tavinho Moura.

Brejeira - Mas a suavidade cede rapidamente lugar à brejeirice em Partido Alto, também escrita por Chico. Bethânia comprova ter domínio absoluto das divisões rítmicas e desenvoltura com a melodia. Intensa como sempre, injeta ainda mais densidade nos versos de Arrependimento, estandarte do gênero ‘ninguém-me-ama,ninguém-me-quer'.

Se fosse uma artista rendida à banalidade predominante na indústria fonográfica, a ‘Abelha-Rainha da MPB' tornaria vulgar outra pérola do gênero ‘dor-de-cotovelo': Negue, de Adelino Moreira e Dolores Duran. Em A Bahia te Espera, canta sobre os ritos e a devoção do povo de sua terra natal. Descontraída, Bethânia brinca ainda com a sensualidade latente da rumba Escandalosa, antes de deixar os holofotes para que Omara encante o público.

Elegância - Dona de um timbre de voz macio, revelado ao mundo após o projeto Buena Vista Social Club, do guitarrista norte-americano Ry Cooder, a septuagenária cubana reveste de elegância os arranjos de boleros saborosos como Veinte Años e Dos Gardênias. Outros bons momentos de Omara ficam por conta de Mil Congojas, Talvez (em que divide os holofotes com Bethânia) e no medley formado por La Sitiera e Guantanamera.

Merece menção o belo cenário do espetáculo, assinado pelo onipresente Gringo Cardia e repleto de lantejoulas e flores de chita. A banda de apoio, capitaneada pelo virtuoso violonista, baixista e arranjador Swami Jr., mantém o alto nível. Um dos trunfos do conjunto é o trio de percussionistas composto pelos brasileiros Cláudio Brito e Marcelo Costa, e o cubano Andres Coayo.

A única nota dissonante é a falta de making of e de entrevistas nos extras, compensada em parte pela edição limitada do DVD vendida em um estojo com o livro Omara & Bethânia - Cuba & Bahia (Nova Fronteira, 128 págs., R$ 130 em média). Trata-se de uma coletânea de artigos assinados por artistas e pensadores como Arnaldo Antunes e Nélida Piñon, além de imagens que confirmam as relações culturais entre os dois lugares.

Trechos
"Há que ouvir esta brasileira universal. Cantora maior da cena humana, cuja arte, incorruptível, explica um país e um povo. Porque quando Maria Bethânia entoa o seu canto, ela representa o Brasil." (Nélida Piñon)

"A vertigem causada em mim pela apresentação de Omara, no Café Concerto de Havana, revolve sensações semelhantes às que experimentei quando, ainda adolescente, presenciei pela primeira vez um show de Bethânia." (Arnaldo Antunes)

"Como é possível reunir tantas coisas lindas numa melodia, numa voz, numa maneira de dizer, numa expressão? Era tão impressionante que pensei comigo mesma: ‘Será que vou conseguir cantar depois disso?' Eu estava mesmo impressionada com ela. A verdade é que este trabalho foi tão lindo que vai ocupar um lugar muito especial na minha carreira artística." (Omara sobre Bethânia)

"Dona Omara é de uma inteligência e sensibilidade raras. Juntas, fizemos um disco de um humanismo absoluto, no sentido pleno da palavra. O disco é um relato muito nítido e respeitoso dessas músicas, mas é sobretudo um retrato de nossas escolhas." (Bethânia sobre Omara)

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