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Israel propoe abrir novo acesso ao Santo Sepulcro


Do Diário do Grande ABC

01/04/1999 | 10:56


Israel desencadeou uma complicada controvérsia nas comunidades cristas da Terra Santa ao propor a abertura de uma nova porta de acesso ao Santo Sepulcro, visando receber os inúmeros peregrinos esperados para o ano 2000.

O diretor para assuntos cristaos do ministério israelense de Cultos, Uri Mor, abordou o problema às vésperas da celebraçao da festa da Páscoa, que este ano cai no dia 4 de abril para os católicos e no dia 11 de abril para os ortodoxos gregos.

: Mor explicou aos representantes das igrejas cristas que, com uma única porta e milhares de visitantes por dia, o Santo Sepulcro nao responde às normas de segurança necessárias, argumentando, além disso, que se for aberta uma segunda porta, se poderá aumentar o número de peregrinos em visita ao lugar, já que os mesmos entrariam por uma porta e sairiam pela outra. "Se ocorrer um incêndio, será uma catástrofe", acrescentou. "Uma nova porta pode ser aberta em três dias e o governo está disposto a pagar pelo custo da obra", declarou Mor. "O problema é o consentimento das diferentes comunidade cristas (...), que estao de acordo com a idéia, mas nao em relaçao ao lugar onde ficará a porta", explicou.

A basílica do Santo Sepulcro tinha doze portas quando foi construída pelos cruzados no século XII. Mas Saladino, depois de vencer os cruzados em 1187, ordenou o fechamento de onze delas. Desde entao, a situaçao nao mudou e a proposta israelense rompe um delicado equilíbrio entre as três comunidades que se encarregam do Santo Sepulcro: franciscanos, ortodoxos gregos e ortodoxos armênios.

Foi o império otomano que, em 1852, decidiu ditar regras rígidas para a administraçao dos lugares santos da Terra Santa, a fim de evitar os enfrentamentos entre as diferentes comunidades cristas. A disputa entre estas era tal que a chave da única porta existente teve de ser confiscada há séculos pelos muçulmanos, que atualmente continuam encarregados da mesma e abrem a porta todos os dias.

Como o consenso é o princípio que se aplica no Santo Sepulcro, cada uma das comunidades pode impedir a realizaçao de qualquer tipo de mudança. Exemplo disso, a reforma da cúpula só foi terminada no ano passado, quando as obras haviam começado 44 anos antes. "Em qualquer outro lugar, uma igreja como esta, com apenas uma porta, estaria fechada há muito tempo", reconhece Robert Fortin, secretário geral da entidade encarregada de preparar o Jubileu em Jerusalém.

O problema se acentua com a aproximaçao do Jubileu do ano 2000. A basílica tem a capacidade máxima de receber 750.000 pessoas por ano. E, para ao próximo ano, se prevê o dobro de visitantes.

Segundo os armênios e os franciscanos, a saída de emergência terá de ser cavada na parte grego-orgodoxa da basílica. Por sua parte, esta última comunidade recusa-se a fazer comentários a respeito.

Quanto ao percurso que levaria à porta, o padre Emilio Bárcena, diretor do Centro de Informaços Cristas de Jerusalém, estima que "o caminho mais natural seria atravessar a parte pertencente aos etíopes". "Mas, nesse caso, nao lhes restaria quase nada, já que seu território é muito pequeno. Por isso talvez fosse necessário dar-lhes outro espaço em compensaçao. Mas onde?", questionou.



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Israel propoe abrir novo acesso ao Santo Sepulcro

Do Diário do Grande ABC

01/04/1999 | 10:56


Israel desencadeou uma complicada controvérsia nas comunidades cristas da Terra Santa ao propor a abertura de uma nova porta de acesso ao Santo Sepulcro, visando receber os inúmeros peregrinos esperados para o ano 2000.

O diretor para assuntos cristaos do ministério israelense de Cultos, Uri Mor, abordou o problema às vésperas da celebraçao da festa da Páscoa, que este ano cai no dia 4 de abril para os católicos e no dia 11 de abril para os ortodoxos gregos.

: Mor explicou aos representantes das igrejas cristas que, com uma única porta e milhares de visitantes por dia, o Santo Sepulcro nao responde às normas de segurança necessárias, argumentando, além disso, que se for aberta uma segunda porta, se poderá aumentar o número de peregrinos em visita ao lugar, já que os mesmos entrariam por uma porta e sairiam pela outra. "Se ocorrer um incêndio, será uma catástrofe", acrescentou. "Uma nova porta pode ser aberta em três dias e o governo está disposto a pagar pelo custo da obra", declarou Mor. "O problema é o consentimento das diferentes comunidade cristas (...), que estao de acordo com a idéia, mas nao em relaçao ao lugar onde ficará a porta", explicou.

A basílica do Santo Sepulcro tinha doze portas quando foi construída pelos cruzados no século XII. Mas Saladino, depois de vencer os cruzados em 1187, ordenou o fechamento de onze delas. Desde entao, a situaçao nao mudou e a proposta israelense rompe um delicado equilíbrio entre as três comunidades que se encarregam do Santo Sepulcro: franciscanos, ortodoxos gregos e ortodoxos armênios.

Foi o império otomano que, em 1852, decidiu ditar regras rígidas para a administraçao dos lugares santos da Terra Santa, a fim de evitar os enfrentamentos entre as diferentes comunidades cristas. A disputa entre estas era tal que a chave da única porta existente teve de ser confiscada há séculos pelos muçulmanos, que atualmente continuam encarregados da mesma e abrem a porta todos os dias.

Como o consenso é o princípio que se aplica no Santo Sepulcro, cada uma das comunidades pode impedir a realizaçao de qualquer tipo de mudança. Exemplo disso, a reforma da cúpula só foi terminada no ano passado, quando as obras haviam começado 44 anos antes. "Em qualquer outro lugar, uma igreja como esta, com apenas uma porta, estaria fechada há muito tempo", reconhece Robert Fortin, secretário geral da entidade encarregada de preparar o Jubileu em Jerusalém.

O problema se acentua com a aproximaçao do Jubileu do ano 2000. A basílica tem a capacidade máxima de receber 750.000 pessoas por ano. E, para ao próximo ano, se prevê o dobro de visitantes.

Segundo os armênios e os franciscanos, a saída de emergência terá de ser cavada na parte grego-orgodoxa da basílica. Por sua parte, esta última comunidade recusa-se a fazer comentários a respeito.

Quanto ao percurso que levaria à porta, o padre Emilio Bárcena, diretor do Centro de Informaços Cristas de Jerusalém, estima que "o caminho mais natural seria atravessar a parte pertencente aos etíopes". "Mas, nesse caso, nao lhes restaria quase nada, já que seu território é muito pequeno. Por isso talvez fosse necessário dar-lhes outro espaço em compensaçao. Mas onde?", questionou.

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