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Futebol brasileiro investe em jogadores estrangeiros


Do Diário do Grande ABC

05/02/2000 | 13:35


Quem se acostumou a ler nos jornais notícias de jogadores brasileiros se transferindo para a Itália, Espanha ou Inglaterra, pode até estar se espantando. A balança comercial futebolística parece que começa a se equilibrar.

O que chegam agora sao novas sobre estrangeiros que deixam seus times e vêm para o futebol brasileiro - que, de quase exclusivamente exportador, passa agora à importaçao. Flamengo, Grêmio e Cruzeiro abriram o mercado este ano e já trouxeram para suas equipes o sérvio Petkovic e o peruano Jorge Sotto (Flamengo) e os argentinos Astrada, Amato (Grêmio) e Sorín (Cruzeiro).

A maioria dos estrangeiros importados vêm da América do Sul - e tudo indica que o número só tende a crescer. Um projeto da Confederaçao Sul-Americana de Futebol (Csaf) prevê a criaçao de um mercado comunitário na América do Sul, a partir do Mercosul (Brasil-Argentina-Uruguai-Paraguai), semelhante ao que já existe na Europa, o que facilitaria as transaçoes e incrementaria ainda mais este mercado.

É algo que, informalmente, já acontece no Sul há algum tempo. "O aspecto geográfico contribui. Estamos do lado de Uruguai e Argentina, por isso temos certa tradiçao de trazer jogadores do Prata. E, hoje, é mais barato trazer gente de fora do que comprar brasileiros", explica Antônio Vicente Martins, do Grêmio.

"O passe do Astrada, que era top na argentina (jogava no River Plate) custou US$ 2 milhoes. Aqui no Brasil nao conseguiria um jogador do mesmo nível por menos de US$ 8 milhoes."

O presidente do Fluminense, David Fischel, que semana passada tentou contratar o colombiano Mafla, concorda. "Uma das principais razoes dessa abertura de mercado é a inflaçao no preço dos passes no Brasil. Aqui dentro, esses valores estao incompatíveis com a nossa realidade. E creio que em breve estaremos começando a buscar na Africa, onde tem bons jogadores e os negócios com o futebol ainda nao sao muito caros."

O presidente do Flamengo, Edmundo Santos Silva, acredita que esta tendência de importaçao se confirmará em pouco tempo. E aponta a globalizaçao e a nova economia do futebol como causas.

"Com a parceria de empresas no futebol é interessante que os times tenham jogadores estrangeiros, para expor a marca do clube em outros países. Aqui no Brasil, todos vêem o Real Madrid por causa do Sávio, e o Barcelona pelo Rivaldo.

Para o Flamengo será mais fácil agora vender camisas e jogos para a TV no Peru e na Iugoslávia, por exemplo", diz Edmundo, que além de Petkovic e Sotto, tentou trazer o colombiano Rincón e o paraguaio Gamarra.

Há explicaçoes diferentes para a migraçao de craques ao Brasil. Para Ilton José da Costa, coordenador de futebol do Palmeiras, que hoje tem o paraguaio Arce e o colombiano Asprilla em seu elenco, as multinacionais que estao investindo no futebol trazem jogadores que se encaixem em sua estratégia.

"A Parmalat encara o jogador como faz com seu leite. Tem que apresentar resultados e trazer lucro". Mas às vezes o que move os clubes é a carência, pura e simples, em algumas posiçoes. "Nao há uma política de introduçao de jogadores de fora do Brasil. O que move estas contrataçoes sao as necessidades momentâneas na composiçao do elenco", opina Nicolino Bozzella, diretor de futebol do Santos, que tem o argentino Galván em seu elenco.

Um dos poucos a torcer o nariz para os jogadores estrangeiros é o vice-presidente do Vasco, Eurico Miranda. "Na minha concepçao, os jogadores brasileiros estao muito na frente dos outros. Quem contrata estrangeiros é porque nao tem opçao ou porque nao conhece o caminho. Eu tenho uma boa base e me garanto com isso."



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Futebol brasileiro investe em jogadores estrangeiros

Do Diário do Grande ABC

05/02/2000 | 13:35


Quem se acostumou a ler nos jornais notícias de jogadores brasileiros se transferindo para a Itália, Espanha ou Inglaterra, pode até estar se espantando. A balança comercial futebolística parece que começa a se equilibrar.

O que chegam agora sao novas sobre estrangeiros que deixam seus times e vêm para o futebol brasileiro - que, de quase exclusivamente exportador, passa agora à importaçao. Flamengo, Grêmio e Cruzeiro abriram o mercado este ano e já trouxeram para suas equipes o sérvio Petkovic e o peruano Jorge Sotto (Flamengo) e os argentinos Astrada, Amato (Grêmio) e Sorín (Cruzeiro).

A maioria dos estrangeiros importados vêm da América do Sul - e tudo indica que o número só tende a crescer. Um projeto da Confederaçao Sul-Americana de Futebol (Csaf) prevê a criaçao de um mercado comunitário na América do Sul, a partir do Mercosul (Brasil-Argentina-Uruguai-Paraguai), semelhante ao que já existe na Europa, o que facilitaria as transaçoes e incrementaria ainda mais este mercado.

É algo que, informalmente, já acontece no Sul há algum tempo. "O aspecto geográfico contribui. Estamos do lado de Uruguai e Argentina, por isso temos certa tradiçao de trazer jogadores do Prata. E, hoje, é mais barato trazer gente de fora do que comprar brasileiros", explica Antônio Vicente Martins, do Grêmio.

"O passe do Astrada, que era top na argentina (jogava no River Plate) custou US$ 2 milhoes. Aqui no Brasil nao conseguiria um jogador do mesmo nível por menos de US$ 8 milhoes."

O presidente do Fluminense, David Fischel, que semana passada tentou contratar o colombiano Mafla, concorda. "Uma das principais razoes dessa abertura de mercado é a inflaçao no preço dos passes no Brasil. Aqui dentro, esses valores estao incompatíveis com a nossa realidade. E creio que em breve estaremos começando a buscar na Africa, onde tem bons jogadores e os negócios com o futebol ainda nao sao muito caros."

O presidente do Flamengo, Edmundo Santos Silva, acredita que esta tendência de importaçao se confirmará em pouco tempo. E aponta a globalizaçao e a nova economia do futebol como causas.

"Com a parceria de empresas no futebol é interessante que os times tenham jogadores estrangeiros, para expor a marca do clube em outros países. Aqui no Brasil, todos vêem o Real Madrid por causa do Sávio, e o Barcelona pelo Rivaldo.

Para o Flamengo será mais fácil agora vender camisas e jogos para a TV no Peru e na Iugoslávia, por exemplo", diz Edmundo, que além de Petkovic e Sotto, tentou trazer o colombiano Rincón e o paraguaio Gamarra.

Há explicaçoes diferentes para a migraçao de craques ao Brasil. Para Ilton José da Costa, coordenador de futebol do Palmeiras, que hoje tem o paraguaio Arce e o colombiano Asprilla em seu elenco, as multinacionais que estao investindo no futebol trazem jogadores que se encaixem em sua estratégia.

"A Parmalat encara o jogador como faz com seu leite. Tem que apresentar resultados e trazer lucro". Mas às vezes o que move os clubes é a carência, pura e simples, em algumas posiçoes. "Nao há uma política de introduçao de jogadores de fora do Brasil. O que move estas contrataçoes sao as necessidades momentâneas na composiçao do elenco", opina Nicolino Bozzella, diretor de futebol do Santos, que tem o argentino Galván em seu elenco.

Um dos poucos a torcer o nariz para os jogadores estrangeiros é o vice-presidente do Vasco, Eurico Miranda. "Na minha concepçao, os jogadores brasileiros estao muito na frente dos outros. Quem contrata estrangeiros é porque nao tem opçao ou porque nao conhece o caminho. Eu tenho uma boa base e me garanto com isso."

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