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Paciente da região expõe falência


Adriana Gomes
Do Diário do Grande ABC

06/11/2005 | 07:46


A disputa por fígados é uma das mais acirradas entre aquelas travadas pelas milhares de pessoas que aguardam órgãos nas filas brasileiras de transplante. Alguns achariam que o termo disputar é um tanto forte e egoísta neste contexto, mas a dura realidade que comprova a aplicação da palavra veio à tona com o caso de Eliane Lopes Jimenes, 39 anos, farmacêutica de São Bernardo que recorreu à Justiça para garantir o transplante. No 635º lugar na fila do Estado e com a saúde extremamente deteriorada devido à doença auto-imune, ela se deu conta que aguardar passivamente pela vez seria assinar um atestado de morte.

  

“Esse critério basicamente cronológico não existe mais no mundo inteiro”, observa Sidnei Moura Nehme, presidente da TransPática (Associação Brasileira de Transplantados de Fígado e Portadores de Doenças Hepáticas), que apoiou a ação da família de Eliane Jimenes e a decisão da Justiça. Duplamente transplantado – recebeu fígado e rim –, ele fala com conhecimento de causa e apresenta números levantados pela entidade que dirige.


No Estado de São Paulo, entre 1998 e 2004, inscreveram-se para receber o órgão 8.642 pessoas. Dessas, foram excluídas por óbitos nada menos que 2.623, ou seja, quase um terço dos pacientes. Outro estudo da TransPática baseado em números da Saúde Estadual mostra a falência do sistema por meio do aumento do número de mortes a cada ano. Em 1998, 168 pessoas morreram aguardando o lugar. Em 2004, esse número saltou para 603. A Secretaria de Estado credita parte do problema ao fator da migração – pacientes de várias localidades do país vêm para São Paulo por acreditar que o Estado oferece melhor estrutura para captação e transplante de fígados. A Saúde Estadual também acredita que faltam doadores e investe maciçamente em campanhas.

  

“As campanhas com ênfase na doação mascaram o problema. Não é verdade que os brasileiros não doam suficientemente. Nosso índice é simplesmente o primeiro do mundo, só a Espanha o iguala. Para se ter uma idéia, a recusa das famílias para doação de órgãos é de 25% no Brasil, considerado bem baixo. O problema está na logística. Falta estrutura hospitalar para dar suporte ao processo de captação e conservação do órgão”, denuncia Sidnei Nehme. No âmbito de São Paulo, as autoridades negam. “Isso não vale para o Estado”, afirma a assessoria de imprensa da Secretaria da Saúde.

Outra denúncia de Nehme diz respeito a uma suposta prática ilícita que “guardaria lugar” para pacientes que ainda não seriam candidatos ao transplante. “Por conta do desespero, pessoas que não estão em estado de saúde tão ruim são inscritas pelos médicos na fila, pois a maioria dos profissionais sabe que inscrever os pacientes na última hora é condená-los à morte”, afirma o presidente da TransPática. A Saúde Estadual diz que jamais recebeu qualquer denúncia dessa ordem e garante que, caso ocorrências desse tipo sejam apontadas, será feita “rigorosa investigação”.



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Paciente da região expõe falência

Adriana Gomes
Do Diário do Grande ABC

06/11/2005 | 07:46


A disputa por fígados é uma das mais acirradas entre aquelas travadas pelas milhares de pessoas que aguardam órgãos nas filas brasileiras de transplante. Alguns achariam que o termo disputar é um tanto forte e egoísta neste contexto, mas a dura realidade que comprova a aplicação da palavra veio à tona com o caso de Eliane Lopes Jimenes, 39 anos, farmacêutica de São Bernardo que recorreu à Justiça para garantir o transplante. No 635º lugar na fila do Estado e com a saúde extremamente deteriorada devido à doença auto-imune, ela se deu conta que aguardar passivamente pela vez seria assinar um atestado de morte.

  

“Esse critério basicamente cronológico não existe mais no mundo inteiro”, observa Sidnei Moura Nehme, presidente da TransPática (Associação Brasileira de Transplantados de Fígado e Portadores de Doenças Hepáticas), que apoiou a ação da família de Eliane Jimenes e a decisão da Justiça. Duplamente transplantado – recebeu fígado e rim –, ele fala com conhecimento de causa e apresenta números levantados pela entidade que dirige.


No Estado de São Paulo, entre 1998 e 2004, inscreveram-se para receber o órgão 8.642 pessoas. Dessas, foram excluídas por óbitos nada menos que 2.623, ou seja, quase um terço dos pacientes. Outro estudo da TransPática baseado em números da Saúde Estadual mostra a falência do sistema por meio do aumento do número de mortes a cada ano. Em 1998, 168 pessoas morreram aguardando o lugar. Em 2004, esse número saltou para 603. A Secretaria de Estado credita parte do problema ao fator da migração – pacientes de várias localidades do país vêm para São Paulo por acreditar que o Estado oferece melhor estrutura para captação e transplante de fígados. A Saúde Estadual também acredita que faltam doadores e investe maciçamente em campanhas.

  

“As campanhas com ênfase na doação mascaram o problema. Não é verdade que os brasileiros não doam suficientemente. Nosso índice é simplesmente o primeiro do mundo, só a Espanha o iguala. Para se ter uma idéia, a recusa das famílias para doação de órgãos é de 25% no Brasil, considerado bem baixo. O problema está na logística. Falta estrutura hospitalar para dar suporte ao processo de captação e conservação do órgão”, denuncia Sidnei Nehme. No âmbito de São Paulo, as autoridades negam. “Isso não vale para o Estado”, afirma a assessoria de imprensa da Secretaria da Saúde.

Outra denúncia de Nehme diz respeito a uma suposta prática ilícita que “guardaria lugar” para pacientes que ainda não seriam candidatos ao transplante. “Por conta do desespero, pessoas que não estão em estado de saúde tão ruim são inscritas pelos médicos na fila, pois a maioria dos profissionais sabe que inscrever os pacientes na última hora é condená-los à morte”, afirma o presidente da TransPática. A Saúde Estadual diz que jamais recebeu qualquer denúncia dessa ordem e garante que, caso ocorrências desse tipo sejam apontadas, será feita “rigorosa investigação”.

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